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Frases de Demétrio Sena - Magé-RJ.

1.828 frases

AUTOPERMISSÃO Demétrio sena, Magé - RJ. Quero todas as vidas que a vida permite,
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AUTOPERMISSÃO Demétrio sena, Magé - RJ. Quero todas as vidas que a vida permite, cada uma em seu tempo, sua duração, sua fase, versão, seu desenho do mundo que me cerca e não posso me desvencilhar... Ponho todos os mundos que o mundo dispõe, sob os pés aprendizes de novos caminhos, entre flores, espinhos, verdades e farsas e as forças ocultas que chamam meus olhos... Desde cedo me jogo no abismo do tempo, jogo todos os jogos que tudo insinua, minha lua não pode reger meus instintos... Morrerei de viver, de sonhar e sentir, permitir a mim mesmo, soltar minha fauna e deixar o depois para quando não sei...

HIPOCRISIAS Demétrio Sena, Magé - RJ. Quando era membro de uma igreja cristã, fui a pessoa mais hipócrita sobre a face da terra. Para mim, o mundo estava completamente nas trevas; ninguém prestava, se não fosse convertido... em outras palavras, se não fosse como eu. Foi assim q…
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HIPOCRISIAS Demétrio Sena, Magé - RJ. Quando era membro de uma igreja cristã, fui a pessoa mais hipócrita sobre a face da terra. Para mim, o mundo estava completamente nas trevas; ninguém prestava, se não fosse convertido... em outras palavras, se não fosse como eu. Foi assim que aprendi com o meio, naquele tempo e lugar; foi assim que fui orientado a pensar e agir. Faz muitos anos que não sou membro de qualquer comunidade religiosa. Mesmo assim, continuo sendo a pessoa mais hipócrita sobre a terra. Entre outros motivos, por me julgar melhor do que os convertidos, mesmo sabendo e não desejando fazê-lo. Sobretudo, por cair na tentação de me julgar a pessoa menos hipócrita sobre a terra.

SÃ FILOSOFIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Vi no aço do espelho, que não sou de aço;
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SÃ FILOSOFIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Vi no aço do espelho, que não sou de aço; no silêncio da noite, que não sou eterno; disse o terno que a morte não escolhe roupa e a roupa não cobre minhas indecências... Vejo a vida com olhos de nudez completa, como vejo que o tempo é a pele da história, sua glória está justo em abrigar a alma da verdade ou do sonho do que ninguém sabe... Há nas cores do mundo a certeza da treva, tudo mostra que o nada se reconsolida, já no meio do todo recomeça o fim... É assim que detenho as ambições afoitas, dou à lida os esforços de pessoa sã, sem as vãs agonias do querer demais...

SONO PROFUNDO Demétrio Sena, Magé - RJ. Emoção que resvala, se rende ou relaxa;
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SONO PROFUNDO Demétrio Sena, Magé - RJ. Emoção que resvala, se rende ou relaxa; um destino que agora já não vê caminho; talvez tenha, mas temos que pagar a taxa, quando a flor perde viço e só nos resta espinho... Nosso amor continua, mas resseca e racha, sabe o quanto não pode se manter sozinho; é a velha engrenagem que perdeu a graxa, ou a casa que um dia deixou de ser ninho... Precisamos achar nosso sonho perdido, para nossa esperança não perder sentido e o amor despertar do seu sono profundo... Toda vida renasce, porque tem semente; pode ser nosso caso; se olharmos pra frente como quem acredita no sem fim do mundo...

INQUISIÇÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Há um grito matriz e seus ecos profundos,
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INQUISIÇÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Há um grito matriz e seus ecos profundos, que meu peito censura para me poupar, tenho mundos ocultos e vidas de arquivo por tirar do meu medo; minha solidão... Trago sonhos perdidos de repor meu tempo tantas vezes perdido em razão de ganhá-lo, se me calo sem fim meu silêncio se avulta e seu vulto me atira nos moldes dos olhos... Sou alguém que precisa vencer quem estou, pois estar me agoniza, porque piso em falso pra viver o sossego dos que não têm paz... Todos vivem cercados pela inquisição, coração é masmorra que ninguém destranca, todo mundo é a banca da moda corrente...

PRECONCEITUOSO Demétrio Sena, Magé - RJ. Discrimino pessoas que se forjam lei;
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PRECONCEITUOSO Demétrio Sena, Magé - RJ. Discrimino pessoas que se forjam lei; a verdade, a matriz e o espelho do mundo, porque sei que ninguém alcançou esse grau e ninguém está pronto para ser seguido... É que sou imperfeito e discrimino gente que se acha mais gente, seja por que for, quem se traja de flor numa ilha de farpas; o mais sábio, maduro, vivido e capaz... Tenho mais preconceitos do que julgo ter, mas alguns estão claros até para mim; sou assim, por exemplo, com sonsos; fingidos... As pessoas de toda e qualquer natureza, que separam por classe, feição, etnia; discrimino soberba e discriminação...

OUTRA VEZ Demétrio Sena, Magé - RJ. Começar outra vez é repetir nascer;
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OUTRA VEZ Demétrio Sena, Magé - RJ. Começar outra vez é repetir nascer; é achar a razão que se havia perdido; renascer de algum nada bem depois de tudo que se foi ou se teve, ou se pensou que sim... Comecei outra vez, quantas vezes nem sei; como quem prosseguisse, mas foi outra vez, cada vez em que achei algum sonho esquecido e me achei no vazio de minha existência... Renascer vem da hora que nos mostra o chão no momento em que as asas perdem serventia, onde nossa paixão perdeu graça e feitiço... renasci muito mais do que julguei morrer; se morri ao viver inadequadamente, é com erros recentes que me reconserto...

MINHA CASA Demétrio Sena, Magé - RJ. Uma casa não tem, seja ela qual for,
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MINHA CASA Demétrio Sena, Magé - RJ. Uma casa não tem, seja ela qual for, a beleza do arbusto e da flor no quintal; a riqueza das sombras que as árvores dão; o valor da nascente ou do poço de anéis... Toda casa precisa do chão ao redor, passarinhos, lagartas, depois borboletas, vira-latas, besouros e camaleões; emoções delicadas e restauradoras... Meu quintal só tem cerca por identidade, minha casa modesta pode ver a rua, da janela sem grade; a porta sempre aberta... Uma casa tem vida se tiver lá fora uma rede, um lá fora que nos dê prazer, umas horas pra ler, pra sonhar e dormir...

PRESO NO PARAÍSO Demétrio Sena, Magé - RJ. O passarinho está livre na gaiola. Mas está preso... na gaiola. Está livre do gato e do gavião. Do sol... da chuva. Livre até de ser preso em outra gaiola. Livre da liberdade.
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PRESO NO PARAÍSO Demétrio Sena, Magé - RJ. O passarinho está livre na gaiola. Mas está preso... na gaiola. Está livre do gato e do gavião. Do sol... da chuva. Livre até de ser preso em outra gaiola. Livre da liberdade. Tem alpiste, água e remédio. Tem um senhor... um senhor que lhe dá o alpiste, a água, o remédio e a garantia de que o gato, o gavião, a chuva e o sol não o pegarão... muito menos a liberdade o pegará. E o passarinho canta. Canta para o seu dono e senhor, que além de prover suas necessidades, garantir o socorro e as libertações, ainda lhe dá o direito de olhar o mundo e sentir o ar, mesmo sem poder explorá-los... avançar os limites das permissões espremidas. Ele apenas olha, e sabe que deve agradecer por tudo, esse tudo-nada, para não ofender seu dono e senhor, que sempre sabe o que é bom. Hoje, o passarinho entende que esse é seu livre arbítrio. Não é livre... nem é arbítrio. Mesmo assim é seu livre arbítrio, depois do medo que aprendeu a ter das consequências de não ter medo. De ser livre. Ter arbítrio. Correr os riscos de ser quem é por natureza ou pelo pecado original de haver nascido. Essa é a sua casa. Seu mundo; seu habitat. Sua prisão no paraíso... longe do seu ninho. A gaiola é o templo... a igreja do passarinho.

SIMPLESMENTE GENTE Demétrio Sena, Magé – RJ. Se tiver boa índole, pode vir. Fale certo, com vícios ou tudo errado. Tenha qualquer cor, textura, seja transparente. Escreva bem, vulgarmente ou nem saiba escrever.
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SIMPLESMENTE GENTE Demétrio Sena, Magé – RJ. Se tiver boa índole, pode vir. Fale certo, com vícios ou tudo errado. Tenha qualquer cor, textura, seja transparente. Escreva bem, vulgarmente ou nem saiba escrever. Você pode me chamar de senhor, mano, cara ou bicho, desde que só tenha uma cara... e que me trate como ser humano. Ter talento, não ter, pedir desculpas ou só dizer que foi mal, quando reconhecer um erro. Quero apenas a índole de quem é recatado ou sem pudor. Adora funk, gospel, jazz, ópera ou MPB. É cristão, umbandista, herege, ateu, à toa. Tem mansão, casa boa ou palafita. Fala inglês, outras línguas ou só a língua do pê. Venha e traga sua boa índole. A embalagem pode ser um corpo liso ou tatuado; bem vestido, nu ou com pouca roupa. Cabelos lisos ou duros; louros ou vermelhos; negros ou inexistentes não importa: será tudo bem vindo, se a índole for boa. Se não tiver estudo, que tenha sensibilidade. Não tiver juízo, tenha coração. E se não for gentil, tudo bem, mas veja bem... desde que seja gente.

DOR DE SOLIDÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Meu olhar serpenteia por entre seus olhos,
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DOR DE SOLIDÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Meu olhar serpenteia por entre seus olhos, arma o bote na calma de minha tensão, pra sugar no silêncio desta timidez o que seu coração talvez queira dizer... Novamente me acanho, só me assanho em sonho e por mais que me chame pra fora de mim, mais me ponho em meus medos de não ser feliz nos engenhos guardados pra quando não sei... Mas também pode ser que seu ser sequer tenha uma lenha viável pra chama que trago, um afago na força do meu bem querer... Minha voz trai meus olhos e cala o calor, volto cheio de nada, vazio de tudo que tentei dar à dor de minha solidão...

TANTA ILUSÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Foste um pôster bonito proposto ao meu sonho,
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TANTA ILUSÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Foste um pôster bonito proposto ao meu sonho, propaganda enganosa que me fez comprar, dei lugar aos desmandos do sentir mais cego e guardei a razão nos desvãos mais ocultos... Eras muita embalagem pra pouco produto, mas amei tua estampa e consumi teu oco, vi a casca perfeita do coco sem carne, devorei a ilusão do que jamais comi... De quem eras pra mim nem saudade restou, porque foste holograma de alguém que não és e meus pés encontraram num deserto insano... Felizmente me achei quando mais me perdi, retornei ao meu dia e quebrei teu encanto em meus cantos dormentes de tanta ilusão

PRECONCEITOS Demétrio Sena, Magé - RJ. Preconceitos velados têm rostos risonhos,
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PRECONCEITOS Demétrio Sena, Magé - RJ. Preconceitos velados têm rostos risonhos, atenções piedosas, vozes conseguidas, as medidas distintas de afetos formais que ninguém poderia contestar por lei... Para ter preconceito e demonstrar que não, é preciso saber se vestir de presença, dar a mão que depois há de ser bem lavada e visar recompensa sobrenatural... Quem se dita melhor por questão de raiz, de aparência, verniz ou por ter o que tem, sabe como enganar seu conceito mais fundo... É que o mundo se rende aos que sabem pagar com seu ar filantropo e gestos adequados aos contextos e quadros em torno de si...

POR TE AMAR Demétrio Sena, Magé - RJ. Apesar dos pesares, te amar pesa mais;
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POR TE AMAR Demétrio Sena, Magé - RJ. Apesar dos pesares, te amar pesa mais; faz querer um ficar, com planos de partir, o sorrir e o chorar que vão chegando ao tom de sentir uma paz que nunca foi real... Mesmo armado, ferido e com farpas na voz, cianeto nos olhos, paixão nuclear, alma cheia de nós, um orgulho algemado, é te amar que supera o não fazer sentido... Não importa se a porta me chama pro mundo e revela que o fundo já cumpriu seu poço, tenho todos os ossos cravados aqui... Já parei de pesar se apesar deste amor vale a pena viver um morrer tão constante, pois te amar é bastante pra nunca saber...

PASSANDO A LIMPO Demétrio Sena, Magé - RJ. Um dos maiores riscos que o escritor enfrenta é o de soar hipócrita. Isso ocorre quando ele fala dos vícios e das mazelas do ser humano, com seus textos eivados de conselhos e críticas ao comportamento social como um todo.
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PASSANDO A LIMPO Demétrio Sena, Magé - RJ. Um dos maiores riscos que o escritor enfrenta é o de soar hipócrita. Isso ocorre quando ele fala dos vícios e das mazelas do ser humano, com seus textos eivados de conselhos e críticas ao comportamento social como um todo. É assim que me sinto a cada vez que publico em livros, páginas de jornais ou em rede social, textos que tratam de posturas, conceitos e preconceitos que pautam a sociedade na qual vivo. Sei que não poucas vezes pareço estar acima de qualquer suspeita ou carência de reprimenda, mas isso é um equívoco provocado pelo meu desejo de ser exatamente como recomendo que os outros sejam. Se jamais cometi um crime, um delito, qualquer ato que a lei condene, devo confessar que não sou exatamente um exemplo como ser humano. A lei não tem, realmente, por que me condenar, mas a graça propõe constantemente à minha consciência, uma profunda reflexão. Um repensar necessário à paz interior, pois tenho cá meus vícios, minhas posturas íntimas, estritamente pessoais, que só eu sei como pesam, nos meus muitos momentos de autocrítica. Vivo me condenando às escondidas, ora punido pela consciência, ora beneficiado pelo habeas corpos no qual me justifico por ser apenas um ser humano, e assim vou. Do que posso me orgulhar é apenas a tentativa constante, quase sempre bem sucedida, de não prejudicar o outro. Só a mim mesmo. Isto é uma filosofia que adotei faz tempo, quando consegui absorver algumas lições de ética e preocupação com o ser humano. Posso não ser um cidadão nota dez nesse quesito, mas creio que passo raspando. Em suma, quando venho a público deplorar o comportamento humano, muitas vezes deploro consciente ou inconscientemente a mim mesmo, convidando a todos para uma reflexão em conjunto. Ao tecer conselhos, críticas e até pregações, aconselho ao meu eu mais fundo; critico meus próprios atos e prego para minha consciência, deixando em aberto para quem mais esteja inserido nos contextos. Obrigado por ler meus versos. Minhas crônicas. Meus artigos. Por acreditar nas mensagens. Na minha sinceridade ao escrever. Mas não caia no ardil de me adotar como seu espelho; seu guru; seu sabe- tudo. Não sei de nada. Sé sei mesmo escrever, como forma de ajudar a mim próprio e dividir com quem aceite, mesmo sabendo que um saber profundo a meu respeito poderá lhe causar algumas frustrações.

O PRUMO DA VIDA Demétrio Sena, Magé - RJ. Antes do tiro que lhe coça o dedo, procure ver quem é. O que deseja. A que veio. Antes da partida ou do freio que moram em seus pés, pergunte a si mesmo seu porquê. Defina o ponto, a rota, e tome ciência da medida.
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O PRUMO DA VIDA Demétrio Sena, Magé - RJ. Antes do tiro que lhe coça o dedo, procure ver quem é. O que deseja. A que veio. Antes da partida ou do freio que moram em seus pés, pergunte a si mesmo seu porquê. Defina o ponto, a rota, e tome ciência da medida. Segure um pouco seu não, seu sim, para dar ouvido à pergunta, o pedido, a proposta em sua totalidade. Não se precipite. Pode ser frustrante, até perigoso, ter uma resposta pronta; padrão; sempre a postos no play da língua. Tome tento. Antes do antes, do depois ou do corte pré-determinado, permita o benefício do tempo que o mundo pede. Deixe a vida cumprir seu chão. Seguir seu prumo rumo à morte que sempre aceita o depois, para ser definitiva.

AQUELE AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Nunca mais repeti aquele amor
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AQUELE AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Nunca mais repeti aquele amor que me dava mais forças pra viver, um torpor que acendia o corpo inteiro e fazia sonhar com tudo eterno... Fui feliz; de sentir que até doía; de querer duvidar por precaução, mas a minha emoção gritava forte pra deixar a loucura ser maior... Um amor que me deu raiz e chuva, chão e sol pra florir e vingar fruto, fez da uva o meu vinho precioso... Foi a minha ilusão bem verdadeira, minha beira de abismo rumo ao céu que só pude alcançar naquele amor...

AQUELE AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Nunca mais repeti aquele amor
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AQUELE AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Nunca mais repeti aquele amor que me dava mais forças pra viver, um torpor que acendia o corpo inteiro e fazia sonhar com tudo eterno... Fui feliz; de sentir que até doía; de querer duvidar por precaução, mas a minha emoção gritava forte pra deixar a loucura ser maior... Um amor que me deu raiz e chuva, chão e sol pra florir e vingar fruto, fez da uva o meu vinho precioso... Foi a minha ilusão bem verdadeira, minha beira de abismo rumo ao céu que só pude alcançar naquele amor...

VERSO PRETO Demétrio Sena, Magé - RJ. O que busco é não ter esta busca sem fim,
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VERSO PRETO Demétrio Sena, Magé - RJ. O que busco é não ter esta busca sem fim, pra poder descansar, como tantos têm medo; pode ser que me perca bem dentro de mim, numa sombra sem sombra de qualquer enredo... Busco mesmo é não ter - que ter - que ter segredo; tantos nãos até quando só diria sim, como fuga da sombra que me aponta o dedo; feito pedra de aposta cravada no rim... Minha vida sem rima de fazer soneto já se perde nas noites do meu verso preto e me chama pro vácuo, feito mãe saudosa... Quero a noite sem lua, de quem não quer nada, sem demônio nem anjo; sem ogro nem fada; ser imune aos espinhos; abrir mão da rosa...

SER FELIZ Demétrio Sena, Magé - RJ. Ser feliz é receita que a gente varia;
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SER FELIZ Demétrio Sena, Magé - RJ. Ser feliz é receita que a gente varia; põe orégano, açúcar, sal, tomate a gosto; faz folia, não faz, escolhe de qual jeito, mostra o rosto, camufla, se quiser desfaz... Não tem forma nem fôrma, pode ser geoide, mas não pode agredir quem difere ou discorda; quem dá corda excessiva, quem se vela e castra ou não pode; afinal, escolheu não poder... Decidir quanto a isto é desenho abstrato; cada um vê ou vive de modo só seu; é um eu disponível pra todos os sonhos... Só se dá por feliz quem se doa sem medo a si mesmo, ao enredo que a vida compõe para sua verdade tão somente sua...

BOTINAS E BOTAS Demétrio Sena, Magé – RJ. Toda vez que as botinas truculentas de um policial derrubavam a porta frágil daquele barraco de favela em busca de armas e drogas que não havia como encontrar, algo mágico acontecia: Pedrinho, filho pequeno de Maria lavadeira e de Sebas…
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BOTINAS E BOTAS Demétrio Sena, Magé – RJ. Toda vez que as botinas truculentas de um policial derrubavam a porta frágil daquele barraco de favela em busca de armas e drogas que não havia como encontrar, algo mágico acontecia: Pedrinho, filho pequeno de Maria lavadeira e de Sebastião estivador tinha um sonho feliz. O menino sonhava com um fim de ano em que ao invés das botinas policiais, adentravam com suavidade a porta previamente aberta, vistosas botas vermelhas forradas de lã mais alva do que neve. Quando elas saíam, levando os pés de um velhinho bondoso de pele rosada, ficava no cantinho da parede uma caixa com brinquedos e gostosuras natalinas. Isso faz tempo. Pedrinho cresceu, estudou e progrediu. Já sabe discernir lendas de realidade. No entanto, ele ainda prefere crer na bondade lendária e branca do bom velhinho, a crer na truculência de homens para os quais é crime ser pobre, negro e morador de comunidade.