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Frases de Demétrio Sena - Magé-RJ.

1.828 frases

HORIZONTES Demétrio Sena, Magé – RJ. Ando meio sem tempo de nutrir
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HORIZONTES Demétrio Sena, Magé – RJ. Ando meio sem tempo de nutrir depressão, baixa estima, insônia e mágoa, estou meio sem água pra chorar o que o mundo guardou dentro de mim... Já não cabe me abrir à própria crise de sentido, propósito e contexto, ao deslize de minhas esperanças onde o texto fugiu de meu rascunho... E não posso me dar sequer ao luxo do lamento e da velha nostalgia, cada dia requer um novo sonho... Fico meio sem chão pra me plantar, sem arpão pra morrer na minha praia cujo mar está cheio de horizontes...

PELOS CORTES DA VIDA Demétrio Sena, Magé – RJ. É que a gente se foge de tanto fugir;
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PELOS CORTES DA VIDA Demétrio Sena, Magé – RJ. É que a gente se foge de tanto fugir; já não pode com nada, mas quer se poder; nem quer mais se fundir ao que a vida forjou, mas no fundo se toca; está toda fundida... Nada pode salvar a quem o mundo pode, pois explode no abismo de quem foi podido, foi fugido e não foge do alvo da fuga cuja rota lhe foge no fim da ilusão... Quando a gente se arvora o mundo vem podar pelos cortes da vida, pois a vida é poda; uma roda cortante que o mundo não cega... Ninguém pode poder o que pode sem fim, apesar de fundida sei que a gente foge pelo sim, pelo não, de ser o que não é...

RITUAL Demétrio Sena, Magé – RJ. Amanhã bem cedinho esperarei teus passos,
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RITUAL Demétrio Sena, Magé – RJ. Amanhã bem cedinho esperarei teus passos, teu silêncio e depois a tua voz sumida, um instante, uma vida que um instante vale no compasso excessivo do meu coração... Logo após um olhar que diz tudo pra mim, sob as cordas do quanto não podes falar, entre os ares de sim que ficarão nos ares, pois nos cabe sonhar sem pretensão além... A exemplo da espera das demais manhãs, quero crer na manhã de qualquer amanhã desses velhos encontros que marco sozinho... Abrirei bem cedinho a janela do sonho, deixarei meu silêncio te chamar sem eco nesse peco, não peco de faz tantos anos...

BRASIL: QUEM SOBREVIVER VERÁ Demétrio Sena, Magé - RJ. Em todas as instâncias, os governantes deste país estão apaixonados pela crise. Também pudera. É a crise que lhes dá os argumentos necessários para que possam embolsar cada vez mais o tesouro público, e cobrar do próprio te…
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BRASIL: QUEM SOBREVIVER VERÁ Demétrio Sena, Magé - RJ. Em todas as instâncias, os governantes deste país estão apaixonados pela crise. Também pudera. É a crise que lhes dá os argumentos necessários para que possam embolsar cada vez mais o tesouro público, e cobrar do próprio tesouro, para depois embolsar mais ainda, sem a vigilância criteriosa de um povo que já se habituou às explicações oficiais. "infelizmente, por causa da crise, teremos que atrasar os salários...", "devido à crise que atravessamos, este ano seremos obrigados a suprimir alguns benefícios...", "informamos ao servidores que a crise está nos levando a deixar de cumprir a segunda parte do décimo terceiro...", "pedimos desculpas aos fornecedores, mas, em consequência da crise, não poderemos honrar nossas dívidas...", "brasileiros! Infelizmente, a crise nos obriga a majorar os impostos, os combustíveis e tudo o mais, para tentarmos recuperar a economia!". Blá, blá e blá... A paixão é assim: fazemos tudo em seu nome. Usamos de todos os artifícios para mantermos o alvo do sentimento. Não seria diferente com a crise, que o governo federal manterá indefinidamente para facilitar a própria vida e a dos demais governantes, sem contar os parlamentares, ministros e demais assessores. Graças à crise no Brasil - que não é a mesma do mundo, e sim, causada especialmente pela onda de corrupção política -, executivo e legislativo de todas as esferas seguirão roubando impunemente, certos de que o povo seguirá pagando a conta. Só quero ver, no ano que vem, se faltarão recursos, por exemplo, para cumprir todas as metas inerentes à olimpíada. Se faltarão, em algum momento, recursos para os inúmeros assistencialismos que garantem milhões de votos... e se também faltarão recursos para campanhas eleitorais, tanto em 2016 quanto em 2018. Quem sobreviver verá.

PRA SER JUSTO Demétrio Sena, Magé - RJ. Faço as contas; desconto meus enganos;
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PRA SER JUSTO Demétrio Sena, Magé - RJ. Faço as contas; desconto meus enganos; tuas fugas discretas, preventivas, teus desvios, as rotas de silêncio, rodas vivas de medos resguardados... A distância terá que ter cimento; ferro e pedra; o melhor dos alicerces; fundamento e sentido indiscutíveis para minhas razões acumuladas... Ligo as pontas, abono as coincidências que minh´alma não pode refutar; quero mais evidências pra ser justo... Só apago esta luz sobre quem és quando até de viés eu puder ver que me vês como alguém que nunca está...

SEXTA BÁSICA Demétrio Sena, Magé - RJ. Entre risos, lorotas e apelidos,
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SEXTA BÁSICA Demétrio Sena, Magé - RJ. Entre risos, lorotas e apelidos, a libido guardada pra depois, um atalho pro bar da encruzilhada ou aquela barraca do açaí... O descanso é buscar cansaço extra, perder voz em algum karaokê, dar de besta pra cima das novinhas ou nem tanto, entretanto, disponíveis... Tem um som sertanejo logo ali, é aí que ninguém quer ir pra casa, faltam asas e hoje não há ninho... A libido recorre ao habeas corpus, abre fechos, vontades, enche copos de bebidas e duplas solidões...

SINTO DE SEGURANÇA Demétrio Sena, Magé - RJ. É um quero não lá muito querido.
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SINTO DE SEGURANÇA Demétrio Sena, Magé - RJ. É um quero não lá muito querido. Ferido por um não poder buscar. É um amo que odeio ter que omitir. Mentir pra quem sabe da verdade. É um sinto pelo qual sinto muito, por não proporcionar esperança... ... ... Um quero com amo encarcerado; um amo com quero reprimido; um sinto que é sinto de segurança.

A PRAGA DO RANÇO JORNALÍSTICO Demétrio Sena, Magé - RJ. Sem nenhuma reserva, recebo em minha quase cabana, lá no meio do mato, alguns formandos em jornalismo. Vieram conhecer e realizar trabalho escolar com um autor da baixada fluminense de vez em quando citado por um dos profe…
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A PRAGA DO RANÇO JORNALÍSTICO Demétrio Sena, Magé - RJ. Sem nenhuma reserva, recebo em minha quase cabana, lá no meio do mato, alguns formandos em jornalismo. Vieram conhecer e realizar trabalho escolar com um autor da baixada fluminense de vez em quando citado por um dos professores. O início da conversa foi bem aconchegante: armei no quintal uma rede para cada um, depois fiz um cuscuz de milharina e um café bem forte, para que os momentos fluíssem com informalidade. Infelizmente, logo depois comecei a me aborrecer, embora não demonstrasse, pois não queria frustrá-los. Eles foram, sim, muito simpáticos e agradecidos, me respeitaram como pessoa, mas o que me contrariou foi perceber que aqueles meninos estão se formando com os mesmos clichês de quase todos os jornalistas, relacionados aos escritores e artistas de periferias, baixadas e, em menos escala, das comunidades em torno das capitais. Ao invés de sabatinar o escritor em sua essência como tal, falar de seus escritos, contextos, significados e a carreira, mesmo que nos limites da região, eles começaram a descambar, insistentemente, para que a matéria soasse pejorativa. Não por malícia, sei bem que não, mas por herança dos professores, todos eles eivados de preconceitos. Alguns respeitosos dentro do possível, simpáticos, mas preconceituosos. Considero matéria pejorativa, quando entrevistadores forçam a barra para que, por exemplo, um escritor de regiões menos favorecidas teça profundos e doloridos lamentos de poetinha injustiçado e sofredor. Querem fazer matérias folclóricas, com fotos de rostos distorcidos, e levam o entrevistado a cometer desempenhos que nada somam ao seu trabalho, sua carreira, nem mesmo ao ego, a vaidade comum. São reportagens que geram dó. Solidariedade. Parecem destinadas à família e aos amigos. Transformam o entrevistado em uma figura simplória, que pede "pelo amor de Deus" uma oportunidade, mesmo sem o pedido específico verbal. Algo totalmente diverso das entrevistas realizadas com cidadãos das letras ou das artes nos cadernos especializados e com ampla circulação. É um grande desafio para qualquer jornalista fazer matérias com artistas ou autores de regiões não consideradas nobres, sem que essas matérias pareçam serviços sociais, caridades de mídia, matérias menos importantes com pessoas que não são, só se julgam talentosas e alguém resolveu doar para elas um espaço na mídia. Acho que para tanto, esse profissional teria que enfrentar seu editor chefe, dar a si próprio uma autonomia como profissional de imprensa e provar, tanto para o chefe quanto para o dono do jornal, que aquele talento é realmente um talento, mesmo sendo de uma região secularmente alvo de preconceito. Tudo isso não quer dizer que eu não tenha gostado dos meninos. Gostei, sim. São interessados, gentis, amigos, mas lamento profundamente que estejam às vésperas de se formar com esse ranço. Não vi arrojo profissional. Personalidade jornalística. Desejo de fazer um novo jornalismo, menos separatista ou preconceituoso. Formam-se com as acomodações que são garantia do emprego fácil, porque o fazem para levar às redações a eterna louvação dos que já arrombaram as portas comerciais das oportunidades, sejam eles fantásticos ou medíocres, e a eterna pejoração dos talentos que ainda não fizeram isso, sejam eles medíocres ou fantásticos. Que o trabalho dos meninos - que ninguém saberá quem são - seja bem recebido, com boa nota, mas não circule além dos muros da universidade, como foi combinado. No mais, os braços deste fazedor de textos, as redes, o cuscuz e o café sempre os receberão de bom grado. Com ou sem pagamento em mídia.

PRA SEMPRE NUNCA Demétrio Sena, Magé - RJ. Só me deixe saber que não ardo sozinho,
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PRA SEMPRE NUNCA Demétrio Sena, Magé - RJ. Só me deixe saber que não ardo sozinho, que meu fogo não queima sem oxigênio, minha taça de vinho nem exala cheiro e meus olhos não nadam num nada sem fim... Saberei não deixar que o saber me domine, guardarei o silêncio sobre a flor dos lábios, pra manter os espinhos do corpo grelhado entre sábios contornos deste sentimento... Sempre fui prisioneiro do segredo exposto ao seu rosto, seus olhos, ninguém, nada mais, em discretas paisagens do mapa inseguro... Nem lhe peço esse filme, somente umas cenas, umas pontas amenas, remotas e vagas, uma vaga no sonho do pra sempre nunca...

FILHAS Demétrio Sena, Magé - RJ. Quero a vida pra tê-las, não há mundo
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FILHAS Demétrio Sena, Magé - RJ. Quero a vida pra tê-las, não há mundo sem o tom de seus olhos frente aos meus, meu adeus não seria dor nem drama se não desse ao sentido de quem sou... É por elas que tenho lado bom, ganho luz em recantos do meu ser, sei vencer os meus monstros pessoais e olhar sem descaso pro depois... Só aceito partir se as vejo inteiras, resolvidas, felizes e seguras de seus sonhos; de suas realidades... Quero mundo pra tê-las, não há vida sem as chaves do amor que me liberta da ilusão de viver só para mim...

ADORAÇÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Vou levando esta carga de silêncio
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ADORAÇÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Vou levando esta carga de silêncio entre tantas palavras escolhidas, tantas idas e vindas pra depois nunca ter avançado além de mim... Meu segredo faz mímica, insinua, dá sinais e recolhe seus contextos, algo atua em meus lábios que desviam as denúncias do corpo réu confesso... Feito alguém que faz prece a uma imagem eu te amo, és a minha idolatria, liturgia de fé à toda prova... Minha bênção não vem, mas não importa, pois te adoro na porta pro infinito, onde o mito eterniza meu amém...

SOLIDÃO EXTREMA Demétrio Sena, Magé - RJ. Ele come almofada; poltrona; colchão;
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SOLIDÃO EXTREMA Demétrio Sena, Magé - RJ. Ele come almofada; poltrona; colchão; azulejos do box, gargalos e canos; a ardósia da pia, o vidro da janela e também o seu rolo de pintar paredes... Ele come até bucha de lavar vasilha; sua pilha de roupas, os panos dobrados; põe recheio nas mãos e logo após as come como fosse o que sempre desejou comer... Come o pão com manteiga, depois joga fora, come a planta carnívora do seu jardim, depois come o pudim que rebola na mesa... Adoece e definha de tanto que come sem matar uma fome que há muito não há, por não ter com quem possa partilhar a mesa...

PROFANA COMÉDIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Então disse o homem: "Haja céu!" E houve céu. E tendo feito o céu, o homem viu que era bom para exercer poder sobre os outros homens, por meio de promessas fantásticas e surreais da grandeza futura que todo ser humano almeja e muitos ac…
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PROFANA COMÉDIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Então disse o homem: "Haja céu!" E houve céu. E tendo feito o céu, o homem viu que era bom para exercer poder sobre os outros homens, por meio de promessas fantásticas e surreais da grandeza futura que todo ser humano almeja e muitos acreditam fielmente nela, o que os escraviza. Depois disse o homem: "Haja inferno!" E houve inferno. E tendo feito o inferno, o homem viu que era bom, para o mesmo exercício de poder sobre o outro, mas dessa vez pelo medo, a coação, o assombro, com ameaças do sofrimento futuro, eterno, que nenhum ser humano almeja e muitos acreditam fielmente nele, o que também os escraviza. E dentro do inferno, criou-se a figura de um gerente que sai pelo mundo com seu exército arrebanhando almas para o tormento. Tendo feito o céu, o inferno, o diabo e até seus anjos, eis que o homem resolve criar um Criador, ainda com vistas ao poder. E assim faz Deus, à sua imagem e semelhança: tirano, egoísta, escravagista, intolerante, vaidoso, vingativo, ciumento, soberbo e manipulador.

LONA DA PELE Demétrio Sena, Magé - RJ. Moralismos não cabem na minha moral;
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LONA DA PELE Demétrio Sena, Magé - RJ. Moralismos não cabem na minha moral; minhas retas são tortas, é assim que vou, porque sou a vontade que domina os atos e não cabe no circo das formalidades... O que temo é ferir; é causar sofrimento; é frustrar esperanças; destruir um sonho; ser medonho, incorreto, manipulador ou alguém evasivo; que não é quem mostra... Não há plástica e tinta sobre minha essência nem almejo a decência dos inquisidores, a roupagem tecida pela hipocrisia... Sou a livre mensagem da própria expressão; coração que palpita sobre a flor da pele; pago todas as pétalas dos meus pecados..

AMIZADES EROTIZADAS Demétrio Sena, Magé - RJ. Amizades entre gêneros opostos têm sempre um quê de sensualidade. É um quê que na maioria das vezes não avança, porque a natureza da relação já se arraigou tanto, a ponto de não caber outro contexto. Se o contexto de amizade for vio…
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AMIZADES EROTIZADAS Demétrio Sena, Magé - RJ. Amizades entre gêneros opostos têm sempre um quê de sensualidade. É um quê que na maioria das vezes não avança, porque a natureza da relação já se arraigou tanto, a ponto de não caber outro contexto. Se o contexto de amizade for violado, logo depois não haverá mais nada. Amizade, amor nem paixão. Talvez rancor, pela consciência da perda causada com a troca de relacionamento. Às vezes, pela forçação infrutífera de um dos lados. Isto equivale a dizer que amizade é eterna. Relação amorosa, especificamente, não. Por isso, trocar aquela por esta pode ser o que chamam comprar gato por lebre. Mas algumas relações desta natureza crescem tanto e ficam tão profundas, mesmo não se tornando paixão nem amor, considerando o sentido específico da palavra, que não dá para mantê-las, cruamente, no exato nível das grandes amizades. Tampouco para transformá-las em romances. Quando isso ocorre, a única saída é deixar a natureza cumprir o seu papel improvisador, e não fugir da erotização do laço. Inicia-se, nesse patamar, o que há tempos classifico de amizade erotizada. Muito mais do que íntimas, as amizades erotizadas têm o poder de preservar o que já existe, sem que nenhum sentimento seja confundido nem haja traição, considerando que, na maioria das vezes, ambos ou pelo menos um dos lados já vive uma relação especificamente amorosa. Um compromisso. Nas amizades erotizadas, a fantasia é permitida em palavras afetuosas, gestos e afagos um pouco mais apimentados e até exposições incomuns; porém, sem a relação sexual; o beijo apaixonado; o compromisso e o sentimento de posse que posteriormente poriam tudo a perder com cismas, cobranças, ciúmes, e o rompimento definitivo. Terminal de sentimentos irremediavelmente negativos. Por isso nunca transforme em romance uma grande amizade. Quase nunca dá certo. O quase é para não me chamarem de radical. Prefira erotizar o relacionamento, para não correr o risco de perder, de uma vez por todas, uma pessoa especial em sua vida. O romance durável costuma ser aquele que já nasce romance ou se torna paixão, amor futuramente conjugal, sem passar pela grande amizade. Se você conhece casos que deram certo, em definitivo, fora desse contexto, esteja certo: conhece as exceções disponíveis à sua volta.

PERSONALISMO E SOCIEDADE Demétrio Sena, Magé - RJ. Estava quieto em meu canto, e de repente alguém liga para mim. Uma entidade cultural estaria com inscrições abertas para quem desejasse concorrer ao prêmio de maior empreendedor cultural do ano, na região em que moro. Para tant…
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PERSONALISMO E SOCIEDADE Demétrio Sena, Magé - RJ. Estava quieto em meu canto, e de repente alguém liga para mim. Uma entidade cultural estaria com inscrições abertas para quem desejasse concorrer ao prêmio de maior empreendedor cultural do ano, na região em que moro. Para tanto, bastaria reunir os meus trabalhos de um ano inteiro, com especificação de local, data, contexto e natureza de cada evento, ação, participação etc. Não era um concurso literário, musical, científico nem qualquer outro que premiaria o melhor trabalho, especificamente, nem o melhor projeto em qualquer área. Também não se tratava de uma escolha feita pelos organizadores, para decidir quem era o melhor profissional de fosse lá o que fosse. Pelo que vi, não houve uma busca ou pesquisa de campo; nenhuma incursão no mundo cultural; nenhuma entrevista com terceiros, para colher opiniões, evidências de méritos e provas de atuação, sem o conhecimento dos apontados ou escolhidos. No fim das contas, não se tratava de uma homenagem natural; um reconhecimento de fora para dentro. Nada era fruto de observação criteriosa, especializada e com fundamentos relevantes. Ou seja: ninguém se deu a qualquer trabalho que não fosse o de receber calhamaços com relatórios de quem se julgasse por si mesmo, a personalidade, para que uma bancada lesse tudo aquilo e decidisse pelo maior acúmulo de dados. O currículo mais numeroso. O autoelogio mais convincente. A melhor e mais gritante apologia de si mesmo. A que ponto a sociedade leva um ser humano: pedir para ser homenageado. Concorrer a um elogio. Dedicar dias e noites à busca de um reconhecimento que já é natural; já existe à sua volta, porque alcança pessoas; enriquece a cidade; a região; o mundo. Não precisa de placas, troféus, comendas, porque a satisfação do fazer ou a enorme alegria do ser já se configura uma recompensa. Se todos nós precisamos de algum reconhecimento pelo que somos ou fazemos, ele só é válido, verdadeiro, sincero e natural quando vem do outro; não quando sai de nós, em forma de pedido, reivindicação e disputa, para voltar como coroação de um mérito mendigado. Cavado a duras penas, com artifícios e discursos (orais ou escritos) que visam provar o quanto somos melhores do que os demais. Gosto de saber que o que faço encanta e conscientiza. Fico feliz com o reconhecimento, até a homenagem de alguém, uma entidade ou grupo, e coleciono momentos especiais em que fui agraciado espontânea e sinceramente. Mas nunca pedi essas homenagens. A nenhuma concorri. Jamais me debrucei sobre discursos ou apologias a mim mesmo, visando objetos símbolos de superioridade sobre quem faz o mesmo. Concursos e festivais? É claro que sim. Entregar uma obra específica, um projeto e até um trabalho para ser avaliado e ter como resultado a premiação simbólica ou financeira me afirma como escritor e fazedor cultural. Mas não me peçam para pedir um elogio; uma homenagem; um endeusamento.

LICENÇA POÉTICA Demétrio Sena, Magé - RJ. O poeta não tem que ser poeta
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LICENÇA POÉTICA Demétrio Sena, Magé - RJ. O poeta não tem que ser poeta nem sereno, ajustado, cavalheiro, quando a raiva se alastra em seu terreiro e uma curva provoca sua reta... Se lhe cumpre ser bárbaro, guerreiro, o poeta não tem que ser poeta, porque sua caneta vira seta onde o vento provoca o seu braseiro... Todo anjo estagia pra demônio; o divórcio nasceu pro matrimônio como toda ilusão se rende ao fato... Manda o mundo pras favas ou pro inferno; mesmo sendo sensível, frágil, terno, o poeta não tem que ser um chato...

PÚBLICO E PRIVADO: NA MESMA PRIVADA Demétrio Sena, Magé - RJ. Ouvi, na escola pública em que trabalho, um colega diminuir verbalmente os professores da rede particular, com afirmações como: "se estou no serviço público é porque fiz um concurso e passei; portanto, sou mais quali…
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PÚBLICO E PRIVADO: NA MESMA PRIVADA Demétrio Sena, Magé - RJ. Ouvi, na escola pública em que trabalho, um colega diminuir verbalmente os professores da rede particular, com afirmações como: "se estou no serviço público é porque fiz um concurso e passei; portanto, sou mais qualificado.". Para não ser chamado ao assunto e dizer o que penso, que certamente o chatearia, saí da sala dos professores e fui planejar o meu trabalho em outro ambiente. Não vejo assim. Não acho que o professor da escola pública ou qualquer outro servidor público seja mais qualificado que os funcionários de qualquer empresa privada, porque passou em concurso. Creio que passar em concurso público implica uma série de circunstâncias que nem sempre têm a ver com capacidade maior ou menor do indivíduo. Seria prolixo discorrer sobre as mais diversas questões que envolvem o não ingresso na máquina de um dos poderes. Uma delas é não desejar fazê-lo. A outra é a decisão de não insistir, depois de uma ou duas tentativas, não por insegurança ou frustração, mas por tranquilidade, mesmo. Também não acho que seja o contrário; que os funcionários das empresas privadas sejam mais capacitados que os servidores públicos. Considero que de ambos os lados existem os competentes e os incompetentes; os de boa e má vontade; os comprometidos e os sem compromisso com a causa. Os que amam e dão a vida pelo que fazem, e os que não estão "nem aí" para os resultados de seu trabalho, porque não interessa o próximo. Por fim, não tenho problema em afirmar que o que leva um servidor público a diminuir um funcionário particular é o preconceito social. Tem a ver com segregação por causa da diferença de proventos e do falso status conferido por não se sabe quem ou quê ao indivíduo que trabalha para o poder público. É estatutário. Se eu fosse meu colega, teria cuidado ao expressar esse preconceito, para não ter que ouvir, em algum momento, máximas ou assertivas que não deseja. Um exemplo disto seria o que já ouvi, de um professor de rede privada: "o professor público só precisa ser competente uma vez; ou seja; na hora de prestar concurso. Já o professor da rede particular, se quiser manter o emprego tem que ser competente a vida inteira.". Como se vê, cada lado tem os seus argumentos e artifícios para menosprezar o outro.

SOLITÁRIA SAUDADE Demétrio Sena, Magé - RJ. Sobrevivo ao silêncio, mas dói nos ouvidos;
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SOLITÁRIA SAUDADE Demétrio Sena, Magé - RJ. Sobrevivo ao silêncio, mas dói nos ouvidos; a distância não mata; só pesa em meus ombros; é tão sólida e próxima da solidão que povoa os escombros em todo meu ser... Você nunca se foi; desde quando se foi, cada dia me habita mais fundo e presente; minha mente, minh´alma e meu corpo a revolvem nas caladas do sonho de voltar no tempo... Recomponho a quimera que já foi verdade, porque tenho saudade, a saudade me tem sob todos os panos do que só eu sei... Eu a conto pra mim em segredo constante, sou estante que abriga uma história vencida que descansa na paz do conflito só meu...

IRMÃOS, GRAÇA E LEI Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho a imensa felicidade de ter vários irmãos, e cada um deles com as características plenas de um irmão. Pessoas de quem posso abusar de vez em quando, e que sabem que também podem abusar de mim, de vez em quando. Isso não quer di…
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IRMÃOS, GRAÇA E LEI Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho a imensa felicidade de ter vários irmãos, e cada um deles com as características plenas de um irmão. Pessoas de quem posso abusar de vez em quando, e que sabem que também podem abusar de mim, de vez em quando. Isso não quer dizer que não abusamos sempre um do outro, e que não há uma confusão ou outra, quando excedemos o de vez em quando. Mas as confusões logo acabam sem que ninguém humilhe ninguém por questões de superioridade, obrigação ou direito. Nada de hierarquia, porque entre irmãos não há hierarquia. É exatamente nas confusões (que logo acabam) que vejo o grande encanto de ter vários irmãos e saber que entre nós não valem aquelas regras rígidas da sociedade que nos cerca, em nome da legalidade que muitas vezes é cruel, mesmo sendo legalidade. irmãos precisam saber que podem abusar um do outro; podem ser sem vergonha e descarados entre si, alheios à velha história do sob pena de... ou do tal de limite que tudo tem que ter. Já existe à nossa volta um mundo cheio de pessoas que massacram e cobram virtudes além da realidade; reivindicam direitos e impõem deveres, quase sempre na medida exata de seus egos, conveniências, ambições pessoais e comandos. Uma sociedade que estabelece guetos pela hierarquia por posses, força física ou intelectual, preferências, admirações e simpatias. Se a família, ou mais especificamente os irmãos copiarem a sociedade externa para colar no seu meio, deixará de ser família. Deixarão de ser irmãos. Irmãos não podem viver na lei... irmãos de sangue têm que viver na graça... ou a relação se torna uma desgraça.