Pois somos seres irremediavelmente contingentes, postos, como diria Heidegger, num mundo que, logicamente, poderia ter existido sem nós, sendo ele próprio radicalmente contingente em todos os pontos. E é isso o que a absurdidade significa, no fundo: ela não é tola, nem sem senti…
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Pois somos seres irremediavelmente contingentes, postos, como diria Heidegger, num mundo que, logicamente, poderia ter existido sem nós, sendo ele próprio radicalmente contingente em todos os pontos. E é isso o que a absurdidade significa, no fundo: ela não é tola, nem sem sentido, nem inconseqüente, mas sim contingente. E isto se experimenta como metafísica premência até ao ponto de pensar no que seria uma coisa não-absurda, ou um mundo não-absurdo, isto é, um mundo que satisfaz um conceito de necessidade lógica ou quase-lógica.