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Frases de Dantas Solo

9 frases

⁠ASFALTO Hoje eu acordei com os pensamentos fora de ordem Cruzei a rua com os braços cruzados e os olhos cansados
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⁠ASFALTO Hoje eu acordei com os pensamentos fora de ordem Cruzei a rua com os braços cruzados e os olhos cansados Entre vitrines confusas & coloridas ”Borboletas num caleidoscópio” Um bêbado tropeça num tijolo invisível Cheio de riso de dança e de dor Gotas de luz caindo no meu rosto Diluindo sombras Inaugurando a manhã Motores bocejam rosnando como cães Desafiando a nudez dos semáforos E eu voo Pégaso Alado, em círculos, Meus sapatos de ferro pisando o asfalto em flor. Desconhecida é a tarde no parque Estilhaçando poesia no ar Embriagando o bronze das esculturas Antecipando o que está por chegar Hoje eu não quero envelhecer Já calculei a idade do tempo Hoje eu me recuso a envelhecer Hoje eu tenho a idade do tempo Eu vou regar os rios Acender velas ao Sol Soprar a rosa dos ventos que me diz: pétalas

⁠Silêncio Cego Eu vejo dançarinos nas calçadas Entre mendigos camelôs e padres
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⁠Silêncio Cego Eu vejo dançarinos nas calçadas Entre mendigos camelôs e padres Crianças procurando presas pra devorar Numa savana eletrificada E na TV uma granada explode Do outro lado um ditador aplaude Caem os muros e ficam as heras E os inocentes à mercê das feras Do lado norte, onde o Sol é mais forte Deus é a nuvem que nunca aparece E o vento sempre sopra certo em qualquer direção Moinhos é que esperam sempre na contramão Duvidoso é o silêncio De certas palavras Duvidoso é o silêncio Que cega as palavras E você diz que está indo tudo mal com a tua vida Você nunca se contenta porque não sabe O quanto dói a minha ferida Duvidoso é o silêncio De certas palavras Duvidoso é o silêncio Que cega as palavras

⁠Pra esquecer Às vezes eu me lembro sinto falta E até chamo teu nome
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⁠Pra esquecer Às vezes eu me lembro sinto falta E até chamo teu nome Acordo e tudo gira tão distante Tão distante de tudo Preciso esquecer que é madrugada Estou em outra cidade Às 03:15 e as horas ao meu lado passando alucinadas São fotos, filmes, livros discos, cartas Que não dizem mais nada Vestígios espalhados como minas Num campo de batalha Há luz em toda parte Janelas e cortinas fechadas Valsas, violinos e casais Dançando embriagados Pra esquecer...

ADÁGIO Um carro verde avança o sinal vermelho Um viaduto espera o suicida chegar
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ADÁGIO Um carro verde avança o sinal vermelho Um viaduto espera o suicida chegar Trazendo no seu bolso um ás de espadas afiadas O naipe é de metais e sustenta as notas no ar É um adágio tenso e desgovernado Seu riso de partida dilacera a cidade Como um palhaço louco que há pouco incendiara seu circo E agora a recompensa vale mais que o vilão Agora um erro fez prevalecer a razão Agora a sombra se faz aurora e senhora da luz E aqui um desconhecido foi assassinado por outro desconhecido. LABIRINTO EM LINHA RETA Estou perdido nesse imenso e insano poema sem fim Nesse mar furioso, esse grande deserto, essa constelação Sou um beduíno, um velho marujo, surfista dos céus Navegando a esmo, buscando faróis, naufragando no cais São teses, hipóteses, temas, teoremas Conceitos, preconceitos, catedrais e cinemas Homem x Vírus, Q.I. x poema, escalas de valores Labirinto em linha reta Eu viajo atento nessa rodovia de areia movediça Sigo a canção do vento, caio junto com a chuva numa vila esquecida Sou meu próprio risco, sou meu próprio templo , miragem de Deus Com o coração em prantos, despedaçando meu colar de contas São teses, hipóteses, temas, teoremas Conceitos, preconceitos, catedrais e cinemas Homem x vírus, Q.I. x poema, estou perdendo sangue Labirinto em linha reta

⁠Sobre as capitais Um louco vem, com seus olhos de cristal Com seu pijama e suas meias de algodão
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⁠Sobre as capitais Um louco vem, com seus olhos de cristal Com seu pijama e suas meias de algodão Trás sua lira e seu sorriso de mulher E uma tragédia num recorte de jornal e diz: “O céu já não é mais, dos anjos e dos pardais, azul incinerado, e um trovoar pesado sobre as capitais” Na praia no ar mora um velho pescador Que tem escamas de mil peixes em suas mãos Diz que conhece os mistérios das águas Das mais profundas, às mais sagradas, olha o céu e me diz: “São sereias e cartas navais, incensos, naves, carnavais, e o sol se põe mais cedo filho e a noite já não é segredo sobre as capitais” Vem o eclipse, um negro cego e trovador Me diz que sabe tudo sobre essa noite, a morte e o amor Diz que sonhou ser Sal Mineo em Hollywood Que roubou beijos de Natalie Wood, o amigo de James Dean me diz: “São filmes que não assisti, sorrisos que nunca sorri Já me perdi de vista, seguindo a longa pista que me trouxe aqui”

⁠Aves nas Antenas Há um certo desespero E você tenta disfarçar
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⁠Aves nas Antenas Há um certo desespero E você tenta disfarçar E através da persiana Do 20º andar Eu sigo seus passos Eu sigo seus passos É uma fuga felina Um desprezo que me fascina Deslizando pelas calçadas Sob a mira da retina Dos meus olhos vermelhos “O lago é negro, e a pele é branca Como é estranho o lago negro Como é frio o lago negro Como é encantador o lago negro Porque será que é tão sereno o lago negro Será a libélula que pousa A guardiã da serenidade do lago negro Ou será que aquela rocha É a rocha onde um dia meditou Durante um século, um monge E desfaleceu em êxtase Te vejo em um campo de flores Mas porque me esconde a mais perfeita E imaculada flor?”

⁠Drive In A noite brilha quando ela deixa seu habitat Nada natural para quem vive em qualquer lugar
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⁠Drive In A noite brilha quando ela deixa seu habitat Nada natural para quem vive em qualquer lugar Está sozinha esta noite à meia noite num drive-in Numa trip enluarada um beijo nunca tem fim E a noite despe e deflora Eu finjo estar indo embora Espero em qualquer esquina A tempestade São princípios, precipícios, príncipes da sedução São navalhas e estiletes a cortar um coração São imagens que se movem, são memórias num museu E mentiras absurdas num romance que ela leu. E a noite despe e deflora Eu finjo estar indo embora Espero em qualquer esquina A tempestade Drive-in.

⁠Kaspar Hauser Quem é você e quem somos nós Entre as dálias e os girassóis
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⁠Kaspar Hauser Quem é você e quem somos nós Entre as dálias e os girassóis Espera a praça com as nossas dores Os chafarizes, as luzes e as flores Um viajante nunca espera a noite chegar Mas descansa o nobre descanso dos nômades Ciganos Vim te buscar, com sede e suor Não chora Kaspar Esse brilho frio de guilhotina suspensa em segredo no ar Qual segredo estaria entre nós, cigano E o que você esperava encontrar, campos verdes ao sol Verdes mares ao sul, Mas a paisagem mudou a paisagem, a paisagem mudou.. a paisagem Aprendemos tecer nossas teias sem fim, nossas celas escuras e os olhos assim, tão brilhantes tão frios, vazios e ausentes E o que eu vou enxergar e o que você vai ver O que vou enxergar e o que você vai ver, lá fora Arco-íris distante na tarde cinzenta e a sombra de um muro Caindo bem devagar, cigano Vim te buscar, com sede e suor Não chora Kaspar I´m lonesome boy I´m lonesome boy in your city