Memórias de um sentimento em transe Te lembras do dia em que escarrou a desesperança em minha cara? Te lembras do dia em que me estapeou a cara com sua falta de empatia?
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Memórias de um sentimento em transe Te lembras do dia em que escarrou a desesperança em minha cara? Te lembras do dia em que me estapeou a cara com sua falta de empatia? Te lembras do dia em que derramou o amargo de seu rancor sobre minha cabeça? Te lembras de quando socava minha boca toda vez que eu gritava 'eu te amo' ? Lembra-te da perversão de sua língua, quando esta atirou palavras pra assassinar o que ainda havia dentro de mim? Eu lembro. O amor não é lindo. O amor dói, corrói, destrói. O amor é como o câncer que consome o meu pâncreas. O amor é escuro e fétido como um sumidouro raso. O amor é sujo e usurpador, como a terra que há de sorver minha carne e meus ossos. O amor é estúpido, imoral, mordaz. O amor é vão, breve, voraz. O amor é o prato que não se serve na saga humana do escárnio. O amor é a arte do contentamento em face do desencanto. O amor é assunção da decadência, conjugação do esquecimento. Eu lembro, tu lembras. Eu esqueço, te esqueço. Vão sentimento. Em transe.