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Frases de Cyl Gallindo

6 frases

⁠O FUTURO Sempre fiz um esforço tremendo para desvendar o meu futuro.
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⁠O FUTURO Sempre fiz um esforço tremendo para desvendar o meu futuro. Ciganas leram minhas mãos. Cartomantes deitaram cartas. Espíritas fizeram sessões. Pais-de-santo jogaram búzios. Astrólogos traçaram mapas. Disseram coisas inacreditáveis sobre o presente, o passado e o futuro. Alguma coisa, porém, de mistério ficava a ser desvendada. Uma simples sinusite levara-me ao hospital e aí sim, eu vi o meu futuro, estampado de modo insofismável, na radiografia da minha face. (Brasília, 4.3.93)

⁠ENCONTRO Considerava-me um deserdado da sorte! Por que tinha eu de correr atrás
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⁠ENCONTRO Considerava-me um deserdado da sorte! Por que tinha eu de correr atrás da minha própria sorte? pondo-se ela cada vez mais distante, cada vez mais inalcançável. Um dia, não por cansaço, nem por desengano, - pura determinação simples - parei e fiquei a contemplar paisagens. Pois não é que a minha sorte estava sentada junto a mim. Sem arrogância ia dizendo-lhe: - não quero mais nada! Calei supresso: EU TENHO TUDO! Brasília, 2-3-93

⁠A SOBREVIVÊNCIA - MANGUE - Recife - POEMA I
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⁠A SOBREVIVÊNCIA - MANGUE - Recife - POEMA I E a ponte esvai-se pelo rio trêmula navegante nula; nas suas cáries residimos logicamente crustáceos. Bípedes arquitetando sombras, planos rostos refletidos: nunca, no aquático espelho dos sobrados sustém o eco dos sentidos desusados que mordem das impegadas mãos o tato. Incerta lama convivida: alma lama reanscida ao sol. Anfíbio (caranguejos, siris, meninos) o peito ereto, as mãos para cima, trazem as bandeiras de medalhas-lama. Do céu ganhou a armação em ossos; um nato esquife. E o recheio, que lhe desse o rio. Lá na Ponte Giratória, por mais que gire: ossos que vivem a sobreviver de ossos! (Publicado na antologia Presença Poética do Recife, de Edilberto Coutinho, Arquimedes Edições, SP, 1969 e 2ª edição, UFPE, 1977.)

⁠TESSITURA PARA VIOLA -Ida- Resgataste-me ao sol do anonimato
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⁠TESSITURA PARA VIOLA -Ida- Resgataste-me ao sol do anonimato Em PRISMAL tessitura de bondade Gerando amor e medo com este ato: Inseguro tateio a claridade No caminho tão longo que te assiste Alumiar a certeza e a verdade. Ir é o gesto exato que resiste Germinando ao tempo no meu ser, Embora quede, às vezes, quase triste! Levanta-o a voz mais alta do saber -Volta- Levanta-o a voz mais alta do saber Enquanto a ternura debruçada Geme a triste certeza de não ser Incluída também por esta alçada Antes confiada somente a seu impulso Na missão desta gente estraçalhada. Imbuir-se, porém, de outro recurso Gritando a gesta voz exatamente É o primeiro passo nesse percurso, Reapontado, por ti, tão claramente. (Recife, 10 e 29/07/79)

⁠CINCO CHAGAS Cinco chagas prostram-te no chão e teu espírito leve evaporou
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⁠CINCO CHAGAS Cinco chagas prostram-te no chão e teu espírito leve evaporou porque da Paz o homem duvidou. Que estrutura arcaica te gerou que permitiu assim teu passamento nesta Jerusalém feita a cimento? É que rasgou, a voz da tua guitarra, a farsa do poder que faz a guerra sem plantar um só corpo sob a terra. Calaram-te John (Emanuel) Lennon mas teu silêncio, neste momento, faz o mundo repleto de argumento. Brasília, /1980