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Frases de Cristina Lemos

49 frases

Vivo no nordeste de um sítio tão pequeno que norte e sul se confundem, vivo numa montanha tão baixa que em meio passo chego ao mar, o ar que respiro é puro mas dói, tem cheiro de fumo, tem cheiro de gente que se mói. Vivo numa pequena casa de dois andares, e é enorme quando estou…
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Vivo no nordeste de um sítio tão pequeno que norte e sul se confundem, vivo numa montanha tão baixa que em meio passo chego ao mar, o ar que respiro é puro mas dói, tem cheiro de fumo, tem cheiro de gente que se mói. Vivo numa pequena casa de dois andares, e é enorme quando estou sozinha, nós somos 5 e eu lá sozinha. Estudo numa escola de gente grande mas sou pequena e pergunto-me se haverá algum esquema para crescer só por fora. Melhor, nem estudo mas tenho aulas que nem assisto, que nem existo mas estou sempre lá. Tenho medos que não conheço, paixões que não mereço… Amo chocolate como católico ama o terço, e torço secretamente para que a vida se vá a cada instante. E apesar de tudo amo viver. Dói cada músculo que oiço, cada som que sinto e eu vejo um brilho de paz, não é droga, sem substâncias, eu sou nós que não somos iguais.

Cansei desta hipocrisia desenfreada O mundo não presta Agora mais que nunca
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Cansei desta hipocrisia desenfreada O mundo não presta Agora mais que nunca Uns ignorantes outros burros E ainda uns idiotas que se pagam por santos Larga tudo. Não vale a pena lutar contra a maré Quando és apenas uma gota Evapora-te. Foge, o mundo não te quer Nem te precisa E tu aí, lutando pra nada Foge, mas leva alguém contigo A maré está contra mas ainda podes salvar um amigo.

Quando estás sozinho o problema é teu, se houver gritos, lágrimas ou sentimentos só tu tens que lidar com eles, só tu tens que te preocupar contigo… até porque a roupa não se lava sozinha, a loiça muito menos, o jantar não aparece do nada e o pó só sabe se acumular. Ali, no meio…
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Quando estás sozinho o problema é teu, se houver gritos, lágrimas ou sentimentos só tu tens que lidar com eles, só tu tens que te preocupar contigo… até porque a roupa não se lava sozinha, a loiça muito menos, o jantar não aparece do nada e o pó só sabe se acumular. Ali, no meio da solidão, as paredes têm rachas minúsculas que só tu vês, o espelho tem marcas transparentes que já conheces de cor, a tv tem manias que ninguém entende, no meio da solidão tudo à nossa volta parece fazer sentido e o mundo lá fora perde o sentido. O rádio não funciona, só dá pra CD mas ninguém se importa, a vizinha não trabalha mas levanta-se sempre antes das 8 e coitada, vive mais só que eu. A cama ao lado vazia, quartos por preencher, uma teia de aranha que cresce e eu aranhas nem posso ver. Na esquina raio da mosca não para, hey, esse bolo era meu! Dentro da solidão eu brigo até com móveis, falo até com o céu. O sol vai e volta, sempre a horas diferentes e o relógio avariado bate o ponteiro como se batesse os dentes. Lá fora o jardim começa a crescer, era uma árvore tão pequena e agora já é mulher.

Um dia, ao amanhecer, terás à tua frente uma bela mulher, seios firmes, cabelo sobrenatural, dona de uma pele de seda de uma brancura total, de um tom suave. De uma firmeza escultural. Te olhará de olhos vermelhos, sedutores iguais, e no silêncio de um grito mudo gritará todo o m…
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Um dia, ao amanhecer, terás à tua frente uma bela mulher, seios firmes, cabelo sobrenatural, dona de uma pele de seda de uma brancura total, de um tom suave. De uma firmeza escultural. Te olhará de olhos vermelhos, sedutores iguais, e no silêncio de um grito mudo gritará todo o mal. Um dia, pela madrugada, mas não a leves a mal, um dia, antes de veres os tons da vida, tu serás esse mal.

Abri a boca para soltar um grito mudo Liguei o chuveiro para disfarçar as lágrimas que caíam Temperatura máxima para ver se a dor dispersava
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Abri a boca para soltar um grito mudo Liguei o chuveiro para disfarçar as lágrimas que caíam Temperatura máxima para ver se a dor dispersava Mas ela continuou ali Entre soluços e arranhões Espuma a meus pés E meus olhos não queriam ver nada além da dor Que me arrebenta as cordas vocais com silêncio. Gritos de desespero que ultrapassam a barreira do som Unhas que marcam e nem dói No fim, desligo o chuveiro Agarro na toalha e o espelho embaciado reflete Não a dor que sinto mas o sorriso que se repete. Se alguém perguntar isto nunca aconteceu.

A triste realização De que ninguém se importa de verdade Mensagens ignoradas
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A triste realização De que ninguém se importa de verdade Mensagens ignoradas Respostas curtas E chamadas silenciadas. Ninguém quer saber se dói Se arde, se queima Ou faz cócegas apenas. Pedidos de reecontro ignorados Cafés esquecidos Pedidos ocultados E aquele sorriso falso no rosto Aquele ar de “Estou aqui” Com essa atitude de “Não me importo”. A triste realização De que por mais que doa (E dói demais) Os sorrisos nunca serão reais As palavras nunca serão sinceras As pessoas nunca serão leais

Saudades dos tempos em que os rios iam bater aos mares e os oceanos às mais longínquas terras. Saudades dos tempos em que éramos só duas pessoas sem sonhos ou regras. E por isso, sentada peço, que os astros se encontrem, que a lua e o sol partilhem sempre o mesmo céu, cansada rog…
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Saudades dos tempos em que os rios iam bater aos mares e os oceanos às mais longínquas terras. Saudades dos tempos em que éramos só duas pessoas sem sonhos ou regras. E por isso, sentada peço, que os astros se encontrem, que a lua e o sol partilhem sempre o mesmo céu, cansada rogo, que as orações sejam sentidas, que os dedos não se entrelacem de novo. E, lá longe, sinto que me amam de coração no chão, sinto que o silêncio quebra barreiras para me ter por perto. E bem longe, onde os navios não conseguem passar, onde a água não pertence ao mar, de lá longe, vêm guerreiros para me acordar. Saudades! E o vento bate sem pudor, e as flores morrem de desamor, bem longe, por passos que não me pertencem, colinas que se estendem e no fim um sorriso. Rogo, deitada nos escombros de um sonho lúcido, que o sonambulismo prevaleça. E que assim, se o destino o quiser, eu permaneça nos teus braços.

Não sou dessas que corre para um abraço, sou orgulhosa demais, quieta demais, a verdade é que eu nem abraço… não qualquer um, melhor, só abraço umas duas pessoas das dezenas que conheço. Sou dessas que depois de não te ver por 2 meses chega ao teu pé devagar, põe um sorriso tímid…
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Não sou dessas que corre para um abraço, sou orgulhosa demais, quieta demais, a verdade é que eu nem abraço… não qualquer um, melhor, só abraço umas duas pessoas das dezenas que conheço. Sou dessas que depois de não te ver por 2 meses chega ao teu pé devagar, põe um sorriso tímido no rosto e fala uma merda qualquer, sou dessas que nunca corre para o abraço por medo mas sempre abre os braços para quem corre na minha direção.

No meu tempo os nadas nadavam, faltavam às aulas só para mergulhar no mar, os tudos estudavam, faltavam ao mar só para poderem se empenhar. No meu tempo não havia tempo para meios. E eu meio que era um “meio”, um meio termo sem meios, que não nadava, não estudava e não se importa…
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No meu tempo os nadas nadavam, faltavam às aulas só para mergulhar no mar, os tudos estudavam, faltavam ao mar só para poderem se empenhar. No meu tempo não havia tempo para meios. E eu meio que era um “meio”, um meio termo sem meios, que não nadava, não estudava e não se importava. Com nada.

Era mais fácil cair do que empurrar, Jô tinha essa certeza. Com um empurrão vidas podiam ser destruídas, ao cair eram só os joelhos que ralavam. E custava, levantar custava apesar de tudo. Cada osso, cada articulação parecia que se enchia de ar antes de ressentir e estalar sob o…
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Era mais fácil cair do que empurrar, Jô tinha essa certeza. Com um empurrão vidas podiam ser destruídas, ao cair eram só os joelhos que ralavam. E custava, levantar custava apesar de tudo. Cada osso, cada articulação parecia que se enchia de ar antes de ressentir e estalar sob o peso do próprio corpo, mas Jô repetia “Melhor eu que eles.” E vivia, caindo, se rasgando, para que os outros nem tropeçassem. Era um egoísmo barato, um egoísmo masoquista e inquietante. Só havia uma certeza, ele aguentava a dor, sempre aguentara. A pergunta era: até quando?

No meu tempo os nadas nadavam, faltavam às aulas só para mergulhar no mar, os tudos estudavam, faltavam ao mar só para poderem se empenhar. No meu tempo não havia tempo para meios. E eu meio que era um “meio”, um meio termo sem meios, que não nadava, não estudava e não se importa…
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No meu tempo os nadas nadavam, faltavam às aulas só para mergulhar no mar, os tudos estudavam, faltavam ao mar só para poderem se empenhar. No meu tempo não havia tempo para meios. E eu meio que era um “meio”, um meio termo sem meios, que não nadava, não estudava e não se importava. Com nada.

Ela tinha um sorriso meio que triste, meio sorriso, meio cepticismo, um olhar meio que determinado, meio cheio de duvidas, meio cheio de certezas, o jeito dela era meio tímido, meio «quero-me esconder», meio «eu mando nisto». Ela era feita de meios, de contrários, de meias incert…
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Ela tinha um sorriso meio que triste, meio sorriso, meio cepticismo, um olhar meio que determinado, meio cheio de duvidas, meio cheio de certezas, o jeito dela era meio tímido, meio «quero-me esconder», meio «eu mando nisto». Ela era feita de meios, de contrários, de meias incertezas e de certezas incertas. E era isso que a fazia tão diferente, porque a única certeza que se tinha com ela era que ela sempre estava por perto. Mesmo estando longe, meio que sempre presente, meio que inalcançável, meio que minha, meio que eu.