A menina na cozinha, muitas louças pra lavar. A casa inteira em desalinho,
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A menina na cozinha, muitas louças pra lavar. A casa inteira em desalinho, muita coisa pra arrumar. Se aproximou da pia, começou a esfregar. Mas no meio da rotina, começou a imaginar. Nada muito coerente, mas ela estava contente. Perdida nos próprios sonhos, sorrindo docemente. Enquanto lavava os pratos, via estrelas no azulejo, transformava o barulho da água em música e desejo. Entre espuma e porcelana, criava mundos sem peso, pintava cores no dia e dançava no seu devaneio. O tempo foi passando, ligeiro como o vento. E ela, feliz por dentro, morava no pensamento. Quando olhou para a pia, já não havia o que lavar. Suspirou, satisfeita: “Consegui terminar.” Mas ao virar-se devagar, o coração deu um salto — a casa ainda a esperava, silenciosa no seu espaço. Ela ficou parada. Sorriu de canto. Porque os sonhos são leves… mas o chão sempre está lá.