À sombra dos cinamomos, com suas delicadas e perfumadas flores, abrigavamo-nos do calor escaldante.
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À sombra dos cinamomos, com suas delicadas e perfumadas flores, abrigavamo-nos do calor escaldante. Um perfume exótico tomava conta do campo e fomos envolvidos pela impressão de que mais nada seria preciso para que aquele dia fosse inesquecível. A brisa sacudia de leve as árvores e dela se desprendiam pétalas que salpicavam o chão de branco e lilás. Mamãe estendia a toalha xadrez e servia sanduíches de patê de salame e as suas famosas cucas alemãs acompanhadas por "gengibirras" que faziam a nossa alegria. Ali permanecíamos até o anoitecer a jogar conversa fora e nós, crianças, encantadas com as histórias repetidas de geração em geração. Ou ainda, pelas intermináveis cantorias de onde não escapavam o "Luar do Sertão", e outras jóias do cancioneiro popular do sul, que papai adorava cantar. Quando a noite chegava, junto com o coaxar dos sapos, ajuntávamos tudo e voltávamos rumo à casa grande, iluminados pela lua e sem olhar para trás, com medo dos boitatás que pareciam nos seguir... Cika Parolin