REATANDO LAÇOS
Hoje entendo que o destino nos separou para valorizarmos o reatar dos laços e tudo que paira a nossa volta.
Aprendemos tanto com a vida e a maturidade nos mostra que ainda temos muito a aprender com o amor... Nesse ponto não temos pressa, não mais!
A felicidade me abraça diariamente pela chance de novamente sonhar teus sonhos, retomar nossa jornada, aportando o coração em terra segura onde toda semente germina e os espinhos não são pontiagudos.
Hoje, provando o novo sabor do beijo antigo, entendemos a missão do tempo!
Juntos compreendemos a lição da natureza na sábia revoada dos pássaros.
CONJECTURAS SOBRE AMOR E PERDÃO
O maior erro do ser humano é conjugar o verbo amar no passado, e acreditar que reatar um relacionamento é sinônimo de retrocesso na vida.
Perdoar não significa assumir uma fraqueza ou dependência, e sim admitir que não é impassível!
Passamos a vida em busca da felicidade que na maioria das vezes está bem perto, na simplicidade de momentos que deixamos passar por acreditar em paixões idealizadas.
Perde-se tempo em curvas escorregadias que não levam a lugar algum, esse tempo é cobrado pela sombra da inquisitória solidão, espraia-se o orgulho... E lá se vai o tempo, e mais tempo, até perceber que a mais pura ignorância é considerar-se autossuficiente por medo de viver uma frustração.
É nesse momento que devemos deixar de lado a carapaça, levando em conta tudo que aprendemos com doridas quedas, nos vestir de humildade e abraçar com todas as forças aquela que pode ser a última oportunidade de compreender a importante missão do amor.
ESTRANHA(MENTE) CONHECIDOS!...
Tem muito dele e tanto dela na matiz
Desses olhos perscrutadores...
Carregam ternura aconchegante
e o dolo angustiante;
Um conflito deveras enlouquecedor!
São dotados de tom único, tão envolventes...
Claros no molde escuro.
Projetam um magnetismo incomensurável,
Indizível, inefável... Arrebatador!
Esse olhar assustadoramente instigante,
Possui um mistério intimidador
E o brilho cativante do fulgor da paixão.
Inaugura cores em minhas vistas!
Esse olhar inédito a olho nu...
É conhecido do coração.
Tão conhecido... Tão conhecido!...
Estranhamente conhecido...
Desafia a lei da razão.
Olhos amendoados
Tento decifrar os segredos da resplandecente
E encantadora magia, vertente
Em teus belos olhos amendoados.
Teu olhar penetrante invade minh'alma,
Tornei-me refém do fascínio que espalma
O universo dos meus sonhos dourados.
Ah!... Teu olhar rutilante, revestido de pejo...
Emana a pureza que encobre os desejos
Contidos na barra da saia rodada.
__INCÊNDIO
O rastro da tempestade
Rasgada na face, adormece
À beira das cobertas.
O sorriso torto permeia os olhos,
Inflama as pupilas descobertas,
Tonalizando o afã da pele.
Um suspiro de hortelã
Desperta aos trancos...
Pulverizando o silêncio.
Minha alma hospeda a tua,
Nossos corpos gritam: -Incêndio!!!
Angústia De Não Tê-lo
-
O tempo não afasta a escuridão
Na atmosfera agonizante
Da madrugada, em que te observo
De longe.
Vivo assim... Nesta erosão angustiante,
Sem o teu amanhecer em mim.
MUNDO DIVIDIDO
Minhas lágrimas quentes cicatrizavam tuas feridas,
Quando choravas por mim, brotava em teus olhos meu sangue.
Hoje minhas feridas são incuráveis e tuas lágrimas secaram...
Hoje não habitas meu mundo, és lembrança do passado!
Sua dor não mais me importa, não lhe comove o que sinto;
Aos poucos fomos disjungindo
Sem sentir a dor do parto...
Nosso elo foi quebrado e nosso mundo dividido!
AMOR DE VERÃO
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Namorei seu rastro na areia
Traçando poças rasas de carinho.
A transparência marinha lambeu-me os pés
Entrelaçados, nossos dedos se afogaram...
Espumou desejo!
Mergulhei fundo no beijo salgado;
Em teu corpo dourado sonhei...
Morri de amores em teu sorriso,
Nos olhos teus ressuscitei!
As promessas esculpidas no fulgor
Do fim de tarde, perderam-se na maresia.
Da onda passageira restaram lembranças
Em versos simples da poesia.
Suplícios de Desejo
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Crava tua urgência
Em meus suplícios submissos,
Marca com teu brasão o esquisso
Ardente em minha tez.
Sacia tua sede de vinho...
Entontece-me em tua embriaguez.
OLHOS INSONES
O coração surdo martela as paredes
Gélidas com sua dolência em gritos sombrios...
O medo aperta a garganta, estrangula teu nome!
Amaríssima solidão derrama-se em calafrios
noturnos,
E todos os olhos de um ciúme insone
Fazem campana atônitos,
Escoltando o telefone
Adormecido para o mundo, indiferente, mudo e frio.