E qualquer desatenção, faça não! Pode ser a gota d'água.
Frases de Chico Buarque
273 frases
Essa moça tá diferente, já não me conhece mais. Está pra lá de pra frente,
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Essa moça tá diferente, já não me conhece mais. Está pra lá de pra frente, está me passando pra trás. Essa moça tá decidida a se supermodernizar. Ela só samba escondida que é pra ninguém reparar. Eu cultivo rosas e rimas achando que é muito bom. Ela me olha de cima e vai desiventar o som. Faço-lhe um concerto de flauta e não lhe desperto emoção. Ela quer ver o astronauta descer na televisão. Mas o tempo vai, mas o tempo vem. Ela me desfaz. Mas o que é que tem? Que ela só me guarda despeito, que ela só me guarda desdém. Mas o tempo vai. Mas o tempo vem. Ela me desfaz. Mas o que é que tem? Se do lado esquerdo do peito, no fundo, ela ainda me quer bem. Essa moça é a tal da janela que eu me cansei de cantar. E agora está só na dela, botando só pra quebrar.
Para sempre é sempre por um triz.
Vejo a multidão fechando todos os meus caminhos, mas a realidade é que sou eu o incômodo no caminho da multidão.
Todo o Sentimento Preciso não dormir Até se consumar
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Todo o Sentimento Preciso não dormir Até se consumar O tempo da gente. Preciso conduzir Um tempo de te amar, Te amando devagar e urgentemente. Pretendo descobrir No último momento Um tempo que refaz o que desfez, Que recolhe todo sentimento E bota no corpo uma outra vez. Prometo te querer Até o amor cair Doente, doente... Prefiro, então, partir A tempo de poder A gente se desvencilhar da gente. Depois de te perder, Te encontro, com certeza, Talvez num tempo da delicadeza, Onde não diremos nada; Nada aconteceu. Apenas seguirei Como encantado ao lado teu.
Prefiro, então, partir A tempo de poder A gente se desvencilhar da gente.
Quando ela chora Não sei se é dos olhos pra fora Não sei do que ri (...) (...) Ela faz cinema
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Quando ela chora Não sei se é dos olhos pra fora Não sei do que ri (...) (...) Ela faz cinema Ela faz cinema Ela é demais Talvez nem me queria bem Porém faz um bem que ninguém Me faz (...) Ela faz cinema Ela faz cinema Ela é assim Nunca será de ninguém Porém eu não sei viver sem E fim
Sonhar um sonho impossível... Lutar, onde é fácil ceder... Vencer , o inimigo invencível...
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Sonhar um sonho impossível... Lutar, onde é fácil ceder... Vencer , o inimigo invencível... Negar quando a regra é vender... Romper a incabível prisão... Voar, no limite improvável.... Tocar o inacessível chão! É minha lei, é minha questão. Guiar este mundo, cravar este chão.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.
A saudade é o revés de um parto.
Será que ela é moça? Será que ela é triste? Será que é o contrário?
Quero inventar o meu próprio pecado Quero morrer do meu próprio veneno.
O meu amor O meu amor Tem um jeito manso que é só seu
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O meu amor O meu amor Tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca Quando me beija a boca A minha pele inteira fica arrepiada E me beija com calma e fundo Até minh'alma se sentir beijada, ai O meu amor Tem um jeito manso que é só seu Que rouba os meus sentidos Viola os meus ouvidos Com tantos segredos lindos e indecentes Depois brinca comigo Ri do meu umbigo E me crava os dentes, ai Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha Do bem que ele me faz O meu amor Tem um jeito manso que é só seu De me deixar maluca Quando me roça a nuca E quase me machuca com a barba malfeita E de pousar as coxas entre as minhas coxas Quando ele se deita, ai O meu amor Tem um jeito manso que é só seu De me fazer rodeios De me beijar os seios Me beijar o ventre E me deixar em brasa Desfruta do meu corpo Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha Do bem que ele me faz
O amor jamais foi um sonho, o amor, eu bem sei, já provei, é um veneno medonho. É por isso que se há de entender que o amor não é ócio, e compreender que o amor não é um vício, o amor é sacrifício, o amor é sacerdócio.
Quem me vê sempre parado, distante Garante que eu não sei sambar Tô me guardando pra quando o Carnaval chegar
Construção Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última
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Construção Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado
Carolina Carolina Nos seus olhos fundos
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Carolina Carolina Nos seus olhos fundos Guarda tanta dor A dor de todo esse mundo Eu já lhe expliquei que não vai dar Seu pranto não vai nada mudar Eu já convidei para dançar É hora, já sei, de aproveitar Lá fora, amor Uma rosa nasceu Todo mundo sambou Uma estrela caiu Eu bem que mostrei sorrindo Pela janela, ói que lindo Mas Carolina não viu Carolina Nos seus olhos tristes Guarda tanto amor O amor que já não existe Eu bem que avisei, vai acabar De tudo lhe dei para aceitar Mil versos cantei pra lhe agradar Agora não sei como explicar Lá fora, amor Uma rosa morreu Uma festa acabou Nosso barco partiu Eu bem que mostrei a ela O tempo passou na janela Só Carolina não viu
Até Pensei Junto à minha rua havia um bosque Que um muro alto proibia
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Até Pensei Junto à minha rua havia um bosque Que um muro alto proibia Lá todo balão caía Toda maçã nascia E o dono do bosque nem via Do lado de lá tanta aventura E eu a espreitar na noite escura A dedilhar essa modinha A felicidade Morava tão vizinha Que, de tolo Até pensei que fosse minha Junto a mim morava a minha amada Com olhos claros como o dia Lá o meu olhar vivia De sonho e fantasia E a dono dos olhos nem via Do lado de lá tanta ventura E eu a esperar pela ternura Que a a enganar nuca me via Eu andava pobre Tão pobre de carinho Que, de tolo Até pensei que fosse minha Toda a dor da vida Me ensinou essa modinha Que, de tolo Até pensei que fosse minha
Atrás da porta Quando olhaste bem nos olhos meus E o teu olhar era de adeus
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Atrás da porta Quando olhaste bem nos olhos meus E o teu olhar era de adeus Juro que não acreditei, eu te estranhei Me debrucei sobre teu corpo e duvidei E me arrastei e te arranhei E me agarrei nos teus cabelos No teu peito, teu pijama Nos teus pés ao pé da cama Sem carinho, sem coberta No tapete atrás da porta Reclamei baixinho Dei pra maldizer o nosso lar Pra sujar teu nome, te humilhar E me vingar a qualquer preço Te adorando pelo avesso Pra mostrar que ainda sou tua
A felicidade Morava tão vizinha Que, de tolo,
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A felicidade Morava tão vizinha Que, de tolo, Até pensei que fosse minha.
Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia
O que será ser só Quando outro dia amanhecer? Será recomeçar?
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O que será ser só Quando outro dia amanhecer? Será recomeçar? Será ser livre sem querer?
Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu estava predestinado
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Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu estava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim
Vê passarela, como dança balança a pança e recua, a gente sua, a roupa suja da cuja se lava no meio da rua...