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Frases de Charles Baudelaire

117 frases

Apenas é igual a outro quem prova sê-lo e apenas é digno da liberdade quem a sabe conquistar.
VAMPIRO Tu que, como uma punhalada, Em meu coração penetraste
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VAMPIRO Tu que, como uma punhalada, Em meu coração penetraste Tu que, qual furiosa manada De demônios, ardente, ousaste, De meu espírito humilhado, Fazer teu leito e possessão - Infame à qual estou atado Como o galé ao seu grilhão, Como ao baralho ao jogador, Como à carniça o parasita, Como à garrafa o bebedor - Maldita sejas tu, maldita! Supliquei ao gládio veloz Que a liberdade me alcançasse, E ao vento, pérfido algoz, Que a covardia me amparasse. Ai de mim! Com mofa e desdém, Ambos me disseram então: "Digno não és de que ninguém Jamais te arranque à escravidão, Imbecil! - se de teu retiro Te libertássemos um dia, Teu beijo ressuscitaria O cadáver de teu vampiro!"

VAMPIRO Tu que, como uma punhalada Invadiste meu coração triste,
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VAMPIRO Tu que, como uma punhalada Invadiste meu coração triste, Tu que, forte como manada De demônios, louca surgiste, Para no espírito humilhado Encontrar o leito ao ascendente, - IInfame a que eu estou atado Tal como o forçado à corrente, Como a seu jogo o jogador, Como à garrafa o beberrão, Como aos vermes a podridão - Maldita sejas, como for! Implorei ao punhal veloz Dar-me a liberdade, um dia, Disse após ao veneno atroz Que me amparasse a covardia. Mas não! O veneno e o punhal Disseram-me de ar zombeiro "Ninguem te livrará afinal De teu maldito cativeiro Ah! imbecil-de teu retiro Se te livrássemos um dia, Teu beijo ressuscitaria O cadaver de teu vampiro!"

Teus olhos são lassos, amante! Olhos em sono a se perder, Nesta posição tão distante
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Teus olhos são lassos, amante! Olhos em sono a se perder, Nesta posição tão distante Pode surpreenter-te o prezer E pelo pátio o jorro de água Não cala nunca o seu rumor, E entretém a extasiada mágoa Em que pode atirar-me o amor. Mas o amor irradia E é odo flores Ede Febo a alegria Enche-o de corres E tal chuva desfia Imensas dores

Embriagai-vos! Deveis andar sempre embriagados. Tudo consiste nisso: eis a única questão. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos quebra as espáduas, vergando-vos para o chão, é preciso que vos embriagueis sem descanso. Mas, com quê? Com vinho, poesia, virtude. Co…
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Embriagai-vos! Deveis andar sempre embriagados. Tudo consiste nisso: eis a única questão. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos quebra as espáduas, vergando-vos para o chão, é preciso que vos embriagueis sem descanso. Mas, com quê? Com vinho, poesia, virtude. Como quiserdes. Mas, embriagai-vos. E si, alguma vez, nos degraus de um palácio, na verde relva de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, despertardes com a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo que gene, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são. E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio vos responderão: - É a hora de vos embriagardes! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos! Embriagai-vos sem cessar! Com vinho, poesia, virtude! Como quiserdes!

A gramática, a mesma árida gramática, transforma-se em algo parecido a uma feitiçaria evocatória; as palavras ressuscitam revestidas de carne e osso, o substantivo, em sua majestade substancial, o adjectivo, roupa transparente que o veste e dá cor como um verniz, e o verbo, anjo…
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A gramática, a mesma árida gramática, transforma-se em algo parecido a uma feitiçaria evocatória; as palavras ressuscitam revestidas de carne e osso, o substantivo, em sua majestade substancial, o adjectivo, roupa transparente que o veste e dá cor como um verniz, e o verbo, anjo do movimento que dá impulso á frase.

A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE Teu ar, teu gesto, tua fronte São belos qual bela paisagem;
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A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE Teu ar, teu gesto, tua fronte São belos qual bela paisagem; O riso brinca em tua imagem Qual vento fresco no horizonte. A mágoa que te roça os passos Sucumbe à tua mocidade, À tua flama, à claridade Dos teus ombros e dos teus braços. As fulgurantes, vivas cores De tua vestes indiscretas Lançam no espírito dos poetas A imagem de um balé de flores. Tais vestes loucas são o emblema De teu espírito travesso; Ó louca por quem enlouqueço, Te odeio e te amo, eis meu dilema! Certa vez, num belo jardim, Ao arrastar minha atonia, Senti, como cruel ironia, O sol erguer-se contra mim; E humilhado pela beleza Da primavera ébria de cor, Ali castiguei numa flor A insolência da Natureza. Assim eu quisera uma noite, Quando a hora da volúpia soa, Às frondes de tua pessoa Subir, tendo à mão um açoite, Punir-te a carne embevecida, Magoar o teu peito perdoado E abrir em teu flanco assustado Uma larga e funda ferida, E, como êxtase supremo, Por entre esses lábios frementes, Mais deslumbrantes, mais ridentes, Infundir-te, irmã, meu veneno!

Esta vida é um hospital onde cada doente está possuído pelo desejo de mudar de leito. Este gostaria de sofrer em frente a um aparelho de calefação, aquele outro crê que se curaria em frente à uma janela. Parece-me que estarei sempre bem lá onde não estou, e essa questão de mudanç…
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Esta vida é um hospital onde cada doente está possuído pelo desejo de mudar de leito. Este gostaria de sofrer em frente a um aparelho de calefação, aquele outro crê que se curaria em frente à uma janela. Parece-me que estarei sempre bem lá onde não estou, e essa questão de mudança é um assunto que discuto sem cessar com minha alma.“Diga-me, minha alma, pobre alma resfriada, que pensarias de morar em Lisboa? Lá deve fazer calor e tu te regozijarias como um lagarto. Essa cidade fica à beira-mar, diz-se que foi construída com mármore e que o povo tem um tal ódio por vegetais que arranca todas as árvores. Eis uma paisagem segundo teu gosto; uma paisagem com a luz , o mineral e o líquido para refleti-los!” Minha alma não responde. ( ... ) Estaria morta a minha alma? “Chegaste a este ponto de entorpecimento que não te alegras senão com teu próprio mal. Se é assim, fujamos, então, para os países que são as analogias da morte. Já sei o que devemos fazer, pobre alma! Nós faremos nossas malas para Tornéo. Iremos mais longe ainda, ao extremo fim do Báltico, ainda mais longe da vida, se é possível; nos instalaremos no pólo. Lá o sol não roça senão obliquamente a terra, e as lentes alternativas da luz e da noite suprimem a variedade e aumentam a monotonia, essa metade do nada. Lá nós poderemos tomar longos banhos de trevas, enquanto que para nos divertir as auroras boreais nos enviarão, de vez em quando, seus fachos róseos, como reflexos de fogos de artifício do inferno!” Enfim, minha alma explodiu e sabiamente gritou para mim: “Não importa onde! Não importa onde! Desde que seja fora desse mundo!”