O Anti-Romântico Ele não quis saber da novela nem do beijo na TV.
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O Anti-Romântico Ele não quis saber da novela nem do beijo na TV. Indagava um diplomata temeroso do novo líder, consciente dos riscos de tirania. Não via heroísmo em guerras — soldados também eram vítimas. Não enxergava professores como donos da verdade, apenas observava quem conseguia encher a maior bolha de gás. Sentia pena da fama, cárcere privado. A raiva o tomava quando ouviu dizerem que se encontra dignidade na pobreza. E ria, debochado, ao ver abastados afirmarem que mereciam o que têm. Não encontrava amor na religião. Mas compreendia a necessidade de algumas muletas. Contorcia-se com amizades de conveniência, mundo de aparências: transações. Sabia que eles guardavam uma gaveta de máscaras — Quem escolheram ser hoje? Quando viajava, procurava grafites nos muros, via os que vagam na noite, caminhava onde os estrangeiros temiam. Via o trabalho como máquina de triturar gente, a escola como uma caixa, a educação como um bloco de gesso. Não confundia sabedoria com acúmulo de saberes, nem sabedoria com virtude. Saber é saber, e só. Fugia dos platonismos, não idealizava. Via a vida assim: carne crua, exposta — e escolheu viver.