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Frases de carsan

76 frases

ultimamente tenho me sentido assim meio farofa processada em processo.
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ultimamente tenho me sentido assim meio farofa processada em processo. andamento sem freio, sem rumo nem destino, que só vai. acho que a vida é isso, olhar para a primeira correnteza e descer junto à ela, sabe-se lá onde se acabam as correntezas.

eu não sou ninguém. vazio. um bando de moléculas e células
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eu não sou ninguém. vazio. um bando de moléculas e células e sentimentos. um bando de palavras e silêncios e sentimentos. um bando de inseguranças e desejos e sentimentos. eu não sou ninguém, quem deras fosse ou melhor antes fosse. caducidade do cão caduco opaco parado e turvo. solta-lhe as amarras. o cão que não é nada, ou um bando de coisas, que só sente.

me arrisco logo estou correndo todos os riscos da existência
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me arrisco logo estou correndo todos os riscos da existência sinto o sangue percorrer em minhas veias de maneira fervecente, quase fogo de lareira velha ou fumaça de cachimbo pagão. ah de mim não saber de mim, uma sina talvez, um poema sem fim ou continuado, ou amassado, ou descartado, ou apenas nunca escrito, ah deu não saber deu, uma sina talvez, não uma interpretação gramatical.

o que seria de mim se eu não soubesse de mim? o que seria? perguntaria aos porcos
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o que seria de mim se eu não soubesse de mim? o que seria? perguntaria aos porcos e eles me dariam sua lama perguntaria aos burros e eles me cuspiriam todo seu capim. inepto, ainda não sei muito desta matéria e receio não saber tão cedo... mas de lama e capim fico com a aventura de viver na incógnita. o que seria de mim se eu não soubesse de mim? parafraseio, me traduzo livremente.

numa conversa a qual pouco me recordo, um amigo uma vez me disse pra acreditar na arte. ele fixava seus olhos bem na minha cara amedrontada de quem foi macabéa pra metrópole dos deuses e diabos na terra do sol.
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numa conversa a qual pouco me recordo, um amigo uma vez me disse pra acreditar na arte. ele fixava seus olhos bem na minha cara amedrontada de quem foi macabéa pra metrópole dos deuses e diabos na terra do sol. eu estava certo de que disfarçava bem e conseguia contornar toda aquela situação. de fato eu consegui. mas, é que deu medo sabe? a gente se embebedava e ria. dançava, tragava cigarros e ansiedade. eu não rendi muito aquela conversa, devo ter pensado em algo menos desconfortante do que esse papo de "acreditar na arte". a propósito, que conversa era aquela. estranha. que me angustiava. desce mais uma. já faz um tempinho isto, mas é que ontem estive atravessado por algo. "meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre". - Carolina Maria de Jesus hoje já não sei mais se foi a conversa ou qualquer outra coisa.

me apresento por alma e não tenho medo dos céticos. também não me assustam os vampiros,
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me apresento por alma e não tenho medo dos céticos. também não me assustam os vampiros, tampouco histórias profanas. me apresento por alma, pela insuficiência da matéria, pela insuficiência daquilo que é. pois, para mim não basta nem nunca bastou. me apresento por alma, pela própria alma, pela calma. pelo intangível. pelo epifânico. por aquilo que esmurra o estômago, e que não tem diagnóstico. me apresento por alma, para não ser lido. para não ser traduzido. para não ser ou, caso for, que seja alma.

hoje estou feliz. um dia eu bem quis que estas palavras
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hoje estou feliz. um dia eu bem quis que estas palavras compusessem os versos de um poema. por hoje, a minha felicidade é intransigente. ainda que eu aja e me sinta insuficiente. ainda que eu pense e me haja nostálgico. ainda que eu mesmo sinta e pense em comos e porquês. entretanto por hoje, eu estou feliz. por hoje, houvera felicidade.

o menino e as histórias ele queria contar uma história de um menino que veio do interior
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o menino e as histórias ele queria contar uma história de um menino que veio do interior como quem conta passado. como quem conta, ultrapassado. além desta, tinham também outras histórias das quais ele queria contar. mas que nem contou. hoje ele nem existe mais. virou protagonista de uma poesia qualquer. mas lá no interior, não naquele, no seu interior restara uma história da qual me recordo bem. de um menino que queria contar histórias ainda que não quisessem ouvir. dessas, eu jamais esqueceria. carsan

macabéa. do que gritando? gerúndio.
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macabéa. do que gritando? gerúndio. de quem corres? de você? do mundo? macabéa. onde foi parar-te? para onde vai? ou, quando volta? o mundo e macabéa. macabéa e as cantigas. o mundo e as cantigas. as cantigas. o mundo. carsan

há um tempo provo da vulnerabilidade, carne crua, contato real.
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há um tempo provo da vulnerabilidade, carne crua, contato real. despercebo. não tenho lidado muito bem. humano látex, vulgar em demasia. de mim, carrego um vendaval que um dia suscitei. ainda que inconcebível, sem muito redemoinho. digo, do interno há que se provar desse sabor de ventos. de ventos... não menos poeira em vendaval. digo, em movimento. do mundo, o mito do mundo. das barreiras ilimitadas. das fronteiras em primazia. do amor primário, do bom dia interrompido. do abraço não incorporado. da frieza e quentura. da pele, a secura do que se é. do que se tem sem escolher, ou, de que se tem, mas tem escolha? do olhar, a perdura. o movimento em descompasso, da pupila dilatada corroendo a lágrima do choro manso, que deveria transbordar. há muito, tenho provado o quão não se deve provar. de ciranda, das quais um dia dancei aprendi que em círculos não se ultrapassa o que vem à frente. mas o que vem à frente? da incógnita, a dúvida. se não sinônimos, antônimos. teses ou antíteses. sínteses. da incógnita a incógnita. a incongruência da matéria. desmaterializada.

⁠abra-te suposições, fecha-me. rodopio, mártir.
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⁠abra-te suposições, fecha-me. rodopio, mártir. sambando em sobras... de canções que se esvaem pelos cantos. supra-me ou, supero. belo horizonte, belo. solo brasileiro. sexta “fera”, voraz. ser e não ser, sendo. patético e fútil, fluindo. não me sinto, oras... nem te sentes. matéria prima terceirizada, explorada, usurpada... reflorescerás.

⁠quando você é criança e sonha em um dia ser diferente. de repente, com o passar dos tempos
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⁠quando você é criança e sonha em um dia ser diferente. de repente, com o passar dos tempos descobre que pessoas gostam de ti, justamente pela sua diferença. embora se pergunte se a sua normalidade anteceda a este querer, sabes bem que no fundo, as inquietudes das quais surgiram a necessidade em ser assim, já era o que te tornava isto.

queda. crush. quem sabe um dia.
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queda. crush. quem sabe um dia. quem sabe os dias. quem sabe a estação, ou uma, ou várias. primavera, verão... olha, quem sabe de baixo, parasitando. no subsolo. quem sabe? aliás, quem sabe o que não se sabe? vai saber. crush. queda. paixão. queda. súbita. queda. enquanto debatias não menos caía. não menos levantava.