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Frases de carsan

76 frases

e como tenho minhas loucuras. afirmou com veemência. doses desmedidas
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e como tenho minhas loucuras. afirmou com veemência. doses desmedidas neste mistério pitoresco, cujo espetáculo onde o palhaço sofre de amor na vida, contempla a encenação do patife que se auto-flagela. só mais um trago de cigarro antes que a noite vire dia.

acho que é isso. vivi fugindo de mim, mas sempre foi assim,
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acho que é isso. vivi fugindo de mim, mas sempre foi assim, e sempre foi tudo bem. procurei me entender sendo confuso. na multiplicidade na abstratatez. rechacei certezas pra mim todas obsoletas, só precisava de disposição pra contrariá-las. hoje, não muito disposto só me resta força para me perguntar mas será se é isso mesmo?

era mais um dia comum e silencioso cuja paisagem sonora se deslumbrava com os roídos dos insetos que gritam.
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era mais um dia comum e silencioso cuja paisagem sonora se deslumbrava com os roídos dos insetos que gritam. os insetos mudos ainda pertenciam ali, rotineiramente aprontados para mais um dia de labuta. esta é a pequena história de uma cigarra, da ordem dos insetos que gritam. uma cigarra específica, embora quase não se diferenciava das outras. a história não é próspera, pois não se fazem mais histórias prósperas sobre dias comuns e silenciosos. sobretudo, a cigarra sim. esta gritava mais que as outras. gritava pela sua condição de esquecida.

o choro era domingo. passava pela rua Janice
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o choro era domingo. passava pela rua Janice com sua filha de mãos atreladas. olhos bem abertos e verdes. era domingo de ventos num desses um cisco num outro Janice a moça de olhos bem abertos e verdes cisco que pousa em olhos bem abertos e verdes. dessa vez era o de Janice. lágrimas desciam a polícia passava e Janice a moça de olhos verdes e grandes não parava de lacrimejar Janice era branca, mulher fina e muda. sabe-se lá porque que na tentativa de acalmar as lágrimas dos olhos seu dedo flechava Muriel Muriel. quinze anos. fazia compra para sua mãe Katia na feira. provava das uvas das senhoras que lhe oferecia uvas. uvas, sorriso não. sabe-se lá o que fizera na vida Muriel. se nascer não bastasse. volta-se ao fato não previsto por Janice, nem mesmo pelas senhoras da uva. Muriel terminaria estirado numa das tabas com as uvas, uvas acopladas de sangue. num desses domingos de vento Muriel sentia pela última vez o cheiro de uvas e na calçada do morro punha-se a chorar Katia o choro. o choro da viúva, mãe de dois filhos empregada doméstica e moradora da periferia. invisível que era só se via lágrimas a descer. lá do alto.

tem dias que o clarão da aurora não brilha. dias que a chuva não molha, que o sol não ilumina,
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tem dias que o clarão da aurora não brilha. dias que a chuva não molha, que o sol não ilumina, tampouco a lua. tem dias que o milho não estoura, que a padaria não abre, que o porteiro não sorri. dias que o ponteiro do relógio não sobe, nem mesmo desce. que os carros não engatam, ou não param. que os galos não cantam e a as galinhas não dormem. dias que as portas não abrem, dias que o coração não bate. tem dias que nem são só dia ou, são só dias que nem dia tem.

oh meu bem não espere nada de mim previsibilidade aguda
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oh meu bem não espere nada de mim previsibilidade aguda afiada me perfura lateja na minha alma como um dente que aperta e sangra. vistes a última notícia que não de uma vida alheia? a vida clama grita suplica compaixão e empatia mas dos eruditos nada se pode esperar. deles não, que nem sei quem são.

entretanto entre tatos e olfatos. entre dedos.
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entretanto entre tatos e olfatos. entre dedos. entre idas, vindas. entre um, entre outro. entre dois, três. verões, novelas, tráfego. entre pessoas, entre transições. entre navios, navegantes. mares, amores. entre estádios, jardins. flores e, amores. entre mim, entre nós. entre. tudo, ou nada. entretanto entre. tanto, ou tanto faz.

menino franzino da mente malhada olhos atentos e a língua afiada ouvido macio, alma brilhante
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menino franzino da mente malhada olhos atentos e a língua afiada ouvido macio, alma brilhante coração colorido, peito cintilante ohh menino nas ruas do mundo a quiçá ohh menino crê que não se aprisionará menino no rio nadando com esperteza vê gente igual vai contra a correnteza seus olhos atentos faz vê a esperança buscais lindas flores meio a tanta lambança ohh menino não te desanimes com a humanidade egos são maleáveis independe de idades não te cale que não falhas acreditar na mudança é enfrentar as batalhas.

diário de um niilista agora que perdi a noção da geometria existencial eu poderia olhar para o céu
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diário de um niilista agora que perdi a noção da geometria existencial eu poderia olhar para o céu lá no alto, bem alto, para além das nuvens, talvez por detrás de todo grande borrão azul. e absorto nisto, pensar serenamente na dúvida que exorta minha existência aqui em baixo, bem baixo. qual o meu propósito aqui?

quando vejo seres livres, junto quero ser livre também nem que o junto
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quando vejo seres livres, junto quero ser livre também nem que o junto signifique separado os homens não criariam gaiolas, nem celas se a liberdade fosse compreendida de uma maneira tão... livre. assim como ela por si só é. não sou lobo, sou pássaro em pele de cordeiro, com sede de compreensão.

dos dias que não se quer ser era mais uma madrugada dessas tempestuosas.
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dos dias que não se quer ser era mais uma madrugada dessas tempestuosas. noite estranha era aquela. não sentia o cheiro da chuva. diferente de outras, não existia relação ali, entre mim, a água que ruíra na minha janela e a madrugada. noite atípica. o frio se acomodava latentemente aos arrepios da estranheza. quando dei-me por conta, estava lá, fitando uma poesia, que temerosamente me desaparecia. quando nossos olhares se cruzaram, lembro-me de querer vorazmente devorá-la. era estranho, a madrugada que não escolhi, a poesia que parecia ser eu. nem me lembro mais quando esqueci de lembrar que era uma madrugada atípica, dessas que só se dorme. num átimo, estava completamente seduzido pela poesia. imerso, já nem sabia o que era noite, o que era poesia, o que era eu. minha respiração ofegava, lembro-me de apavorar por isso, mas era certo, quanto mais apavorava mais escrevia. e foi assim que eu danei-me a escrever. escrevi, escrevi, escrevi escrevi, escrevi, escrevi, escrevi, escrevi, escrevi escrevi, escrevi. lembro-me de escrever tanto, mas tanto, que a poesia já não tinha mais nada, nem uma palavra sequer. em exaustão me apaguei sem ver a cor das três madrugadas seguidas. depois dessa, vieram muitas outras madrugadas, outras poesias. mas nada como aquelas.

era domingo quando um cara chorou na minha frente. dizia se arrepender de algo que fez.
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era domingo quando um cara chorou na minha frente. dizia se arrepender de algo que fez. não vinha ao caso o que era. me dizia que sua mãe jogara praga na sua história quando com 15 anos resolveu fugir de casa. dizia a mim que gostava de elis regina. estava tocando em algum lugar no momento dessa conversa. me comunicava com ele pelo meu olhar. não me faltavam palavras, mas era tão somente o olhar que ele buscava. não esperava de mim uma saída pra sua situação, o homem na minha frente só queria o meu olhar. estremecido por dentro eu estava. voltei pra casa sabendo que aquele homem se arrependera do que havia feito. era tarde demais, ou não. mas aquele homem, magro, de cabelos pretos, olhos baixos que chorou na minha frente havia se arrependido. continuei o meu caminho pensando nisso, atravessado por uma estranha sensação de que poderia ser eu.