Máscaras
Palavras que não são minhas,
não vindas do coração,
quase sempre deponho,
querendo compreensão.
Me visto pra ser alguém
que não parece comigo.
Na busca inútil, insana
de ser aceito na tribo.
Gestos vazios, bizarros,
desse teatro assombrado.
Vou mendigando doçura,
querendo afeição, ser amado.
Máscaras e faces sucumbem,
diante de um espelho amigo,
procuro, enxergar quem sou,
fazer as pazes comigo.
Constatação bem cruel,
difícil até de dizer...
Não sou quem eu queria,
apenas, quem posso ser.
Platônico
Existem amores sujos, impuros,
contidos, ingênuos, cruéis, imaturos,
fiéis, devassos, vacilantes e inseguros.
Porém o mais sincero,
é o amor platônico.
Ama sem saber porque!
Ama só por amar!
Sabe que não é amado.
Não é querido, nem desejado.
E nesse conflito, terno, lindo e cruel.
Entrega tudo sem esperar respostas,
um aceno, um abraço, um beijo
ou quem dera...
uma frase sincera,
sussurando em seu ouvido:
Eu estava a sua espera!
A bela do mar
No céu azul infinito
O sol saiu radiante
O mar verde deslumbrante
Querendo anunciar
Aquela mulher sedutora
Tão linda, tão graciosa
Flutuava terna e garbosa
Na areia branca do mar
Seria encantamento?
Seria uma miragem?
Olhar aquela paisagem
Que não sai do meu pensar
Ó deusa linda da praia
Te ver de novo eu queria
E reviver a magia
Na areia branca do mar
Musa
Afinal, qual maior privilégio?
Ser poeta, que descreve, sentimento,
desejo e divagação?
Ou ser a musa?
Razão, motivo e princípio
da minha inspiração?
Quimera
Olhei incontido
Confundido
Perdi a razão
Os meus sentidos
Ressentidos
Ao teu não
Belo tezouro
Pássaro de ouro
Foge da mão
Não era...
Virou quimera
De um verão
Carlos Terra