Seria o amor, tempestade enfurecida que chega desfolhando árvores ou brisa suavemente molhada de orvalho matutino, quase imperceptível?
Frases de Camila Custodio
223 frases
E ele sempre me desbaratina, mais que a fluoxetina ingerida para esquecer de suas íris tão ingratas e gastas em tantos olhares alheios...
Não sinto meus passos, não sinto os pés no chão. Piso em nuvens de algodão, piso em flores, nas dores molhadas de chuva. Carrego pó que recolho de metade histórias que vivo, espalho grãos no caminho de lembranças fugidias. Sigo só e só me querendo em você...
Há uma âncora... Tão pesada, tão ferro, tão ferrugem corroendo minhas culpas, me impedindo de navegar. Quero partir, mas não sei como ir.
Conto de fadas contemporâneo: Ando virando abóbora muito tarde! Antes, meia noite e agora só lá na alta madrugada! Alô, fada madrinha? Alô?
E ele sempre me repete com gestos sutis que sou apenas um caso, um mero acaso, que é casualidade caseira e passageira...
Aquela ansiedade de uma íris a iluminar-me, sem querer passou...
Eu gosto de muros, protegem e dão sombra. Convido o grafiteiro para escrever em cores Alberto Caeiro: "Sou alheio ao espetáculo que vejo..."
Nas voltas que o mundo dá, a luz do esclarecimento vem nos brindar com cintilantes verdades, que sanam incompreensões de outrora. Basta aguardar a sábia ação do tempo.
Quanto mais tempo eu observo a vida, mais tenho a certeza que a felicidade está nos pequenos goles da bebida chamada sonho. Embriago-me!
A boca entope-se de palavras não ditas. Entre ele e elas, em abismos de sim e não, entre rosa carmim de meus brincos que alguém enxergou...
E se quer me entender, não tente. O que lê, é casca. Minha polpa é profundamente multifacetada. Não cabe aqui. Não cabe em mim.
Seria capaz de conjugar-me? Verbos e verborragias de cansar às vistas, a língua, a poesia, a teoria, o dia a dia... Intensa. Aguenta?
A noite se fez dia e hoje mais claro que nunca a certeza: além.
Essa efemeridade, essa liquidez, essa palidez de dias rasos me faz querer ir além, mergulhar fundo, construir solidez nos afetos-reflexos.
Nessa via de mão dupla não sei se dirijo na contra mão, se acelero, se páro e contemplo o horizonte. Estou rodando em vícios, em círculos.
Se ardo, se atino, se concedo, se falto, se sobro eu não me importo. São os meus dias ensolarados que preenchem todos os espaços e sentidos.
Desculpe, fui-me. De tão pouca gula, de tão inexistente ronco como sinais de fome convenci-me que não sou uma pílula para abrir apetite...
Da poesia ao desbaratinamento. Jogo tudo para o ar? Rodopio em redemoinhos estonteantes de sons, magia, melodias, bobeira...
Desabrocho em perfume ao te ver passar e você insiste em me despetalar. Transformo lágrima em orvalho. Sorrio comum. Sorrio rosa carmim.
Sou esperta em linhas retas. Em linhas tortas e no abstrato me abstraio, caio e calo. Mergulharei em Picasso, quem sabe não me acho.
Passei muito tempo desembaraçando meu cabelo. Agora vou desembaraçar minhas ideias...
Andei bebendo vinho de mãos dadas com Dionísio. Agora páro e corro para as direções retas e corretas de Apolo. Racionalidade é tudo!
Bebo goles gigantescos do instante. Cansei de beber o amanhã. Bebo ao presente, presenteio-me com o sublime minuto que desaflora sentidos.