O vazio de quem se foi e de nós que fomos. Quando as pessoas se vão, os lugares ficam vazios. Não vazios fisicamente, é um vazio imaterial, um vazio interno e ao mesmo tempo um vazio externo. É como se as falas, os cheiros, os olhares, o modo de respirarem e de se expressarem e…
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O vazio de quem se foi e de nós que fomos. Quando as pessoas se vão, os lugares ficam vazios. Não vazios fisicamente, é um vazio imaterial, um vazio interno e ao mesmo tempo um vazio externo. É como se as falas, os cheiros, os olhares, o modo de respirarem e de se expressarem estivessem presentes. Lapsos tomam os que ficaram e que por segundos acreditam que seus pares não se foram.. Que por segundos, ouvem-nas, sentem-nas perto. Segundos que poderiam durar mais, mas que se vão assim como os que foram. Os segundos deixam a sensação do vazio. O fim dos segundos nos deixa frente a frente com a realidade. Realidade doída, realidade sem cor, sem borboletas, sem estrelas e nem luar. Mas de repente nos damos conta de que quem se foi não foram os outros, fomos nós. A pior saudade que podemos sentir é saudade de nós mesmos. Uma saudade que nunca será sanada, nunca mais seremos o que fomos. Nunca mais nossas falas terão a mesma entonação, mesma leveza e ingenuidade. Nossos cheiros, antes simples, cheiro de doce, cheiro de fruta e de flores deram lugar aos cheiros rebuscados, cheiro complicados, cheiros bons, porém, sem essência do que somos. Nossos olhares não têm a mesma sublimidade, serenidade, inocência e curiosidade. A respiração não se ofega pelo simples chegar daquela pessoa especial, daquela noite de sexta-feira de verão ou do domingo na praia. O Natal há muito não só perdeu o encanto para nós, mas perdeu a essência, se juntar à família não é mais tão bom, não tem mais intuito, tem obrigação. Nos perdermos naquilo que queríamos nos tornar. Esquecemos do quanto é perigoso ser o que queremos ser. Costumamos ver somente um lado da moeda naquilo que almejamos. Tornamos-nos sempre o que queremos, isso nos ensinaram. Só não nos ensinaram a lidar com a dor de perder os que nos rodeavam e, principalmente, não nos ensinaram a lidar com a dor de nos perder e a lidar com a dor de irmos embora de nós mesmos.