Na Minha Estante Penso, logo você existe... Existe em minhas memórias,
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Na Minha Estante Penso, logo você existe... Existe em minhas memórias, meu coração, minha alma, no meu passado e no meu presente — mesmo sem você. Amor é fogo que arde sem se ver? Ainda ouço a sua voz na minha mente, suas frases prontas. Conheço suas falas como num roteiro, seu jeitinho único de falar com a língua presa, comendo sílabas, se tornando ainda mais graciosa. Seu ponto de vista sempre positivo, conheço seus medos, seus anseios, seu maldito mecanismo de defesa que funciona como uma bomba-relógio, forjada pelos seus traumas e frustrações. Lembro dos meus sentidos mais aguçados perto de ti. Sinto a textura da sua pele, as variadas fragrâncias do seu corpo, o seu gostinho no meu paladar, até o cheirinho da sua respiração. Sua pele delicada, branca e rosada. Seios fartos. Coxas suculentas. Amava recostar minha cabeça sobre elas, era um lugar de descanso, de paz, como se ali o mundo todo silenciasse. Seus cabelos loiros, de verdade. Olhos de esmeralda, com pequenas pitadas de castanho. Saudade de como minhas mãos se encaixavam perfeitamente, segurando forte suas cristas ilíacas. E quando nos abraçávamos, perdíamos o chão. Esquecíamos o tempo, o espaço, os problemas... Era como se só nós dois existíssemos, e mais nada. Nosso encaixe era perfeito, feito sob medida. Era maravilhoso acordar entrelaçado com ela na cama, vontade de não sair de perto nunca mais. Eu procurava ficar o mais perto possível — se possível, seríamos um só. Tudo foi engano, como "fogo de palha", ela disse no início. Estaria eu só matando a curiosidade — efêmero por dez anos, entre mais idas do que vindas. Tudo como um conto de fadas. Mas afinal… as fadas existem? Acreditei de verdade em fadas enquanto durou. E reza a lenda: quando você deixa de acreditar, uma fada cai morta em algum lugar. Ainda me sinto ligado. Nunca encontrei química tão perfeita. Maratonávamos a nossa paixão — fome de mil mendigos com extrema vontade de comer. Por vezes, a vi desfalecer em minhas mãos, de tanto que se deu para mim. Hoje, luto contra mim mesmo, buscando dignidade e redenção como um viciado, suportando um dia de cada vez, um passo de cada vez. Me dizendo: hoje não. Hoje, não olharei para trás. Vou me enganando, negando um luto por uma pessoa viva. Te coloco mentalmente na minha estante — não como objeto, nem como troféu, mas como na música da Pitty.