Sem ti, Sou...
Um grão de areia no deserto
Um quarto fechado apagado
Um animal abandonado
Um sentimento afogado
Um caminho que vai pra nenhum lado
Um cachorro abandonado
Uma memória de uma memória,
Sem ti, eu não tenho história.
Por entre esses vales nobres
Existe um aroma esquecido
Que sofre quando te escondes
Que nasce quando te abres
Mergulha por esses mares
Naufragando nos teus sentidos
É um cavalo selvagem
Que nunca foi abatido
Que beija tua plumagem
Que vive à tua imagem
E morre no teu vazio.
Por ti serei.
O teu eterno guerreiro
Gritarei até que me ouças
Caminharei até que me encontres
Lutarei com a própria vida
Nadarei por oceanos
Correrei pelas montanhas
Saltarei pelos abismos
Serei o ar que respiras
Mergulharei nas tuas pernas
Para que sintas que te amo.
Esta fonte secou, o poeta morreu.
Nasci neste mundo sem nele pertencer.
Amei sem ser amado, vivi sem ser apreciado.
Acabou sem nunca ter começado.
Existiu sem nunca existir...
Prisão.
Neste cofre fechado
Está um horizonte sem fundo
Um icebergue gelado
Num coração destroçado
Num deserto sem água
Onde se esconde a mágoa
Sem palavras, sem nada
Numa estrada molhada
Perdida, sozinha, amargurada
Nas brumas da madrugada.
Deixa-me ser...
A chuva que te molha sem tocar,
A fronha que te aquece ao deitar,
O sumo que tu bebes ao acordar,
A mão que te percorre sem parar,
O chão que te ampara o caminhar,
O peixe que mergulha nesse mar,
A luz que ilumina o teu lar,
Sem nunca mais deixar de acreditar
Que não te vais embora sem te beijar.
Por hoje juro...
Jamais irei elogiar mulher alguma
Jamais me irei entregar
Jamais darei de meu amor
Jamais amarei mais que me amo a mim
Estou demasiado ferido
Hoje sou um cofre fechado
Jurarei aqui hoje
desta fonte não sairá mais agua
senão para meu próprio alimento
De todos os abismos
É o que não acaba
És o que não começa
Que não tem começo nem fim
Que existe sem existir
Que doi sem acabar
Que começa sem continuar.
No teu olhar.
Encontrei uma melodia
Uma flor destemida
Uma criança crescida
Uma pérola perdida
Um poema pintado
Um desejo alcançado
Um reflexo do céu
Por detrás de um véu
Qual achado sagrado
Perdidamente fechado
Neste coração amado.
Eu sou a verdade das mentiras
Sou a revelação para lá dos muros
A certeza das incertezas
Sou o poder das montanhas
A força das águas
O aroma das florestas
A vontade do homem
O desejo da carne
O sentimento interno
Sou o todo que o nada preenche
O vazio que tudo ocupa
O passado que nunca acaba
Sem presente, nem futuro.
Esta ferida que não fecha
é pecado sem perdão
é amor imaculado
um sentimento fechado
aberto no coração
é um abismo profuno
um sentimento largado
um desejo desprezado
um calor apagado
um chinelo sem par
um poema sem mar
uma flor sem amor,
SOU PÁSSARO FERIDO
DE CORAÇÃO PARTIDO
UM EDIFICIO INACABADO
UM COPO ENTORNADO
SEM TI DE MEU LADO
UM DESERTO COMPRIDO
UM INVERNO GELADO
UM PLANETA DESCONHECIDO,
UM MUNDO INEXPLORADO
UM LIVRO NÃO LIDO
UM POÇO ESQUEÇIDO
UM SONHO INACABADO
UM HOMEM QUASE AMADO.
Es a Deusa de meu imperio
a musa de meu pensamento
de ti vertem as gotas de meu sumo
de ti cresce as sementes de meu tronco
em ti mergulho em pensamento
em ti nado com sentimento
em ti toco neste momento
em ti nasço, morro, rebento
e de novo me alimento
és o fruto de meu desejo
és o sopro de meu beijo.
Es o sonho que todo o homem procura, o brilho que tudo ilumina, o calor que me aquece, o frio que me congela.
A agua que me afoga no ar que respiro, o sonho de esperança que tanto admiro.
Es a luxuria viva no meu pensamento, o meu começo e o meu fim, minhas horas e segundos, o meu tempo e contratempo.
Em ti brotam todas as flores, desbrotam todos os sorrisos. Es a luz que ilumina as noites escuras, a sombra que nunca morre, a memória da minha memória.