A mais segura caminhada
Desde muito cedo
O analfabetismo me fez medo.
E em busca de novos horizontes
A educação me impediu, de caminhar a esmo.
E me ensinou caminhar para bem longe
Sem sair de perto de mim mesmo.
Calmaria
Tempo ameno
Sem palavras ao vento
Sem vento, ao menos
Mas com uma gritante tentação
Que silencia feito trovão
De desejo de você
De vontade de te ver
De solidão...
O TUDO
(poeminha da pior verdade)
No Brasil peitudo
Que falta quase tudo
Tem-se também de tudo...
Contudo, falta o tudo
Que é a qualidade do estudo...
Para jovens, adultos e crianças
Sobretudo...
NÓ GÓRDIO
Mulheres!...
O que seria de nós
Se não fossem as mulheres?
Um ser atroz!...
Seria cada um de nós.
Um ser incompleto!...
Um algo incerto.
Infelizes!...
Seríamos nós
Se estivéssemos a sós
Com nossos nós
E sem as mulheres...
TODA MULHER
Toda mulher deve ser amada
No dia-a-dia conquistada
No ser mãe endeusada
Na cama desejada
Na boca beijada
Na alegria multiplicada
No lar compartilhada
No seu dia festejada
Na tristeza consolada
Na queda levantada
Na luta encorajada
No trabalho motivada
No aniversário presenteada
Na alma massageada
Na beleza admirada
Na dificuldade ajudada
No cangote bem cheirada
Na vida abençoada
No mundo inteiro respeitada
E sempre que possível... abraçada.
APIPUCOS
Sonhei caminhando num arco-íris
Onde pareciam milhões
As suas sete cores...
Era um arco-íris modesto
Enfeitado com árvores e flores
Plantadas na praça e nas calçadas
Onde passarinhos diversos
Orquestravam a trilha sonora
Em acordes que lembravam versos
Com direito ao sol das sete horas
E a doce sombra de outrora
Mas quando acordara do sonho
Notei que sonhara acordado
Um sonho mimado
Que nascera naquele mesmo instante
Do encantamento de minhas visões
Mas eu não estava maluco
Eu estava em Apipucos
Deslumbrado com a alma das cores...
De seus ilustres casarões.
A MEDIDA
Não se preocupe em amar demais
Tampouco de menos.
Ame simplesmente a contento
Demais ou de menos, não importa...
Ame de dentro pra fora e de fora pra dentro
A todo e qualquer tempo
No frio ou no calor
Na calmaria ou no vento
Jamais perca tempo
E nunca esqueça
Que a medida de amar
É a contento...
SONETO DO ESPELHO DE DEUS
(ao mar de Fernando de Noronha)
Mar que reflete o céu
Colírio do triste olhar
Onde a onda faz-se véu
Na união íntima entre terra e mar.
Onde o mar tem a cor de Deus
E Deus tem a cor do mar
Que não se cansa de batizar
O paraíso no meio do mar.
De um mar que é espelho
E perpetua-se a banhar
Um arquipélago no meio do mar.
Mar de Noronha, espelho de Deus
Hei de te amar, ó divino mar
Presente que Deus nos deu.