Eu achava o amor tão lindo, até olhar pra trás e me achar ridícula por ter amado tanto. Joguei pedra em minha própria cruz e de coração apedrejado, até hoje pago pelo meu pecado. Carrego meus amores nas costas. E pesa, e dói. E eu, que já suportava dor demais enquanto amava, sinto doer insuportavelmente a incerteza de não saber que sentimento é mesmo esse. Será que foi mesmo amor? Mesmo, mesmo? Quer a verdade? Ninguém sabe o que é o amor. Dizem por aí que sentir já é o bastante para reconhecê-lo. Eu sinto e já senti muito, mas até hoje não sei exatamente o que. Essa coisa que nos enche de vida e machuca sem dó, é contraditória demais para ser uma certeza. Por isso, não dou mais nome ao que trago no coração. Pelas dores que já sofri, agradeço; porque é um milagre eu ainda ter um.
Eu sempre fui uma pessoa sozinha e de pouquíssimos amigos, nunca fui de abrir meus sentimentos com ninguém. Não gosto de pessoas dando palpites na minha vida sobre o que devo fazer ou até mesmo sobre o que devo sentir. Pois, das minhas dores e dos meus desamores eu sei muito bem cuidar sozinha.
Eu realmente não consigo idealizar alguém apaixonado por mim. Eu não consigo imaginar alguém pensando em mim antes de dormir, ou contando para os seus amigos sobre mim com um sorriso bobo. Eu não consigo imaginar ninguém nas nuvens porque eu disse um “oi” ou qualquer coisa assim. Não consigo imaginar alguém sorrindo para a tela do computador quando a gente está conversando. Sei lá, só não consigo.