As Sementes do Submundo ──── ♡ ──── Ele não lhe ofereceu flores.
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As Sementes do Submundo ──── ♡ ──── Ele não lhe ofereceu flores. Ofereceu-lhe uma romã. Vermelha como o sangue que os deuses derramam e chamam de destino. “Coma”, ele disse. Não como uma ordem, mas como uma promessa. E ela sabia— uma única semente poderia mudar tudo. Ainda assim, levou a fruta aos lábios. Uma. Duas. Três. E a cada semente engolida, o mundo acima parecia mais distante. Os campos. O sol. Os deuses. Tudo desaparecia. Até restar apenas ele. Hades não precisava acorrentá-la. Não precisava fechar os portões. Não precisava obrigá-la a ficar. Porque o amor dele não dizia: “Você pertence a mim. Dizia: “Se quiser ficar, eu lhe darei um reino.” E talvez fosse isso que tornasse tudo tão perigoso. Porque ela poderia ter recusado. Poderia ter cuspido as sementes, voltado para a luz e deixado o submundo para trás. Mas não deixou. Ela escolheu a escuridão. Escolheu as mãos dele. Escolheu o homem que aprendera a amar em silêncio num reino onde nada florescia. E quando o último grão desceu por sua garganta, Hades não sorriu por tê-la vencido. Sorriu porque, pela primeira vez, alguém havia escolhido ficar. Então os portões do submundo se fecharam. Não como uma prisão. Mas como um lar. E dizem que o amor deve ser luz. Mas talvez alguns amores sejam feitos para florescer no escuro. Talvez algumas pessoas não sejam destinadas ao céu. Talvez algumas almas encontrem seu paraíso justamente onde os mortos descansam. E talvez— se alguém me oferecesse uma romã com seis sementes de eternidade, eu também escolheria comê-la. Se no fim do caminho estivesse você.