Toda vez que você me beijava
Era necessário encher os meus pulmões
Pois sabia que ficaria sem ar
Sentia uma flecha que atravessava desde as costas
E saía no peito
Era uma tremenda emergência
De estar
De abraçar
Te beijar
E se tem uma coisa que não consigo entender
É o porquê de achar
que já conhecia você
Antes mesmo de te encontrar
E ao pousar no seu olhar
Senti explosões cósmicas ao nosso redor
Como se ali tudo fizesse sentido
Como se todo o resto do mundo fosse menor
Do que nós dois.
Um bom lugar para ficar...
Um bom lugar para amar...
Eu ainda sou capaz de criar
Cenas em que estou com você
Você era ouro
Eu era daltônico
E agora vivo agonizando em meio a ficções e lembranças de nós dois.
vindo de geração em geração, a violência, o descaso
tudo isso fica gravado na memória daquele que não teve um afago
só pedras nas costas, direitos tomados
presos, mortos, calados
o show tem que continuar, é A lei da vida
mas quem é que vai se salvar no meio de tanta maldade envolvida
no olhar de quem não quer resolver o problema, só quer eliminar
bang bang bang, mais uma mãe a chorar
As folhas nas árvores fazem ritmo ao bater do vento
a água que corre sobe pela minha pele
o cheiro de terra preenche meus pulmões, me lembrando onde pertencer
terra, fogo, ar e água, tudo se conecta na morte e na vida.