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Frases de António Prates

759 frases

Covardes e cúmplices são todos aqueles que veem o que está certo e não o fazem.
Num mundo de amor e paz, eu vi uma pomba branca, com um raminho no bico, o seu voo era tão rico, a sua pose era tão franca... Voou como uma alavanca, com dez pombas logo atrás, ela disse-me que é capaz de pôr fim ao mal do mundo, para que o bem seja profundo, num mundo de amor e…
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Num mundo de amor e paz, eu vi uma pomba branca, com um raminho no bico, o seu voo era tão rico, a sua pose era tão franca... Voou como uma alavanca, com dez pombas logo atrás, ela disse-me que é capaz de pôr fim ao mal do mundo, para que o bem seja profundo, num mundo de amor e paz.

Foste um fundo verde no longo prado, pintaste telas pelos limbos das colinas… Foram searas, doce aroma nas campinas,
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Foste um fundo verde no longo prado, pintaste telas pelos limbos das colinas… Foram searas, doce aroma nas campinas, neste lugar descolorido, acastanhado… Pisei veludo pelos quadros da natura, enternecidos pela fauna e pela flora… Eis outro viso, com tudo o que vejo agora, contendo o rosto que a calma aqui segura… Vi corrupio nos montados que aqui vejo, em tons diversos, neste pasto ressequido… Hoje, as planícies parecem não ter sentido, mas mostram sempre o calor deste Alentejo.

25 de Abril sempre! Deram-me confiança, com as palavras certas,
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25 de Abril sempre! Deram-me confiança, com as palavras certas, como uma criança que vê a esperança de portas abertas... Entrei na quimera dos Homens de Bem, e sem muita espera, vi que a primavera não lembra a ninguém... Viva a liberdade! Já ninguém conspira! De livre vontade, quem fala a verdade passa a ser mentira... Salvam-se ou doutores, outros de igual porte, sem que os bastidores mostrem sonhadores com a mesma sorte... Assim, o alimento das frases discretas nutre o pensamento, com descaramento de alguns poetas... E nessa empreitada do que mais convém, vi nesta saldada que nem Deus agrada aos Homens de Bem.

Não sou poeta desses adereços ornados por um fim superficial, tampouco sou um verso de começos
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Não sou poeta desses adereços ornados por um fim superficial, tampouco sou um verso de começos sem termos no sentido horizontal. Talvez por ser assim sou como sou, quiçá por ser assim sou mais directo, porém, nunca a verdade me deixou a pé entre este chão e o nosso tecto. E assim, vou bendizendo os eruditos, os grandes lavradores da velha arte, aqueles que nos seus versos bonitos alastram o seu clamor por toda a parte. As flores, a ilusão, os rendilhados, alcançam admiração e todo o resto, deixando os outros versos confinados a este meu tributo que lhes presto.

Fiz um intervalo atrás do sol-posto, duas, quatro, cinco, dez léguas ou mais, pra contar as rugas que tenho no rosto
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Fiz um intervalo atrás do sol-posto, duas, quatro, cinco, dez léguas ou mais, pra contar as rugas que tenho no rosto e medir as causas desses meus sinais... Calculei o tempo em cada refego, dividi o tempo que passei sozinho, subtraindo as penas q' inda aqui carrego, por causa dos danos desse meu caminho... Vendo barbas brancas vi um ar mais velho, vi nesse momento mais de mil respostas, e num alto grito escavaquei o espelho e aventei as rugas para trás das costas... Sei que minhas costas têm muitas cargas, sei que nos meus ombros tenho um grande peso, mas nestes meus ombros destas costas largas também acumulo tudo o que desprezo... A vida é composta destes intervalos, destes retrospectos sempre benfazejos, que nos dão imagens, que nos contam calos, com aquele gosto que nos dão mil beijos.