Sinto a alma vendida, quando começo a escrever... E nesta venda assumida,
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Sinto a alma vendida, quando começo a escrever... E nesta venda assumida, vendo palavras em vida, pagam-me quando eu morrer.
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Sinto a alma vendida, quando começo a escrever... E nesta venda assumida,
Sinto a alma vendida, quando começo a escrever... E nesta venda assumida, vendo palavras em vida, pagam-me quando eu morrer.
Barba por fazer, sobrancelhas fartas, olhar de quem sabe as coisas mais sérias; recorda, no espaço, prazeres e misérias,
Barba por fazer, sobrancelhas fartas, olhar de quem sabe as coisas mais sérias; recorda, no espaço, prazeres e misérias, as lutas de classes num jogo de cartas... Assina as passagens de toda a encosta, com partes de tempo banhado na esperança; o casal de rolas, aquela criança, e aquela pergunta que foi sem resposta... Lá vai destilando, em passos incertos, tudo o que consome parece estar pago; caminha, valente, vai pra Santiago, que já se vislumbra de braços abertos...
Não sei como era ter uma opinião independente no tempo da ditadura, mas em liberdade sei que é muito complicado.
A falsa modéstia é - mais ou menos - aquela personagem que se olha muitas vezes ao espelho na história da Branca de Neve.
Aprendi a não valorizar os livros e as pessoas pelo preço, pelo rótulo, pela beleza da capa ou pelas assinaturas.
A vulgaridade atrai sobretudo os oportunistas. E há quem brinque com a sensualidade para que a vulgaridade tenha muito sucesso.
O trabalho da nossa comunicação social confunde muitas vezes o dever de informar com o adultério de fazer propaganda.
As pessoas não mudam, continuam tal como eram no dia do meu nascimento. Por isso, chorei...
Estamos numa época em que tudo parece evoluir a uma velocidade vertiginosa, menos os sentimentos humanos.
Nos frequentes alaridos, muitos são os que procuram emprenhar pelos ouvidos,
Nos frequentes alaridos, muitos são os que procuram emprenhar pelos ouvidos, e parirem, divertidos, muitas coisas que censuram.
É Natal nos nossos lares, neste mundo de avareza, onde uns comem manjares
É Natal nos nossos lares, neste mundo de avareza, onde uns comem manjares e a outros falta pão na mesa.
A desertificação é um paraíso para quem gosta de intrigas e para quem gosta de saber tudo da vida dos outros.
A primeira lei que criava neste país: os políticos terem de justificar as promessas que não cumprem e serem condenados por isso.
O nosso melhor investimento consiste em tratar bem os nossos filhos e educá-los de uma forma equilibrada.
As pessoas deviam pedir mais vezes perdão do que desculpa, ao invés do que fazem, porque pedir desculpa é mostrar arrependimento por um acto involuntário, e pedir perdão é a contrição de uma acção voluntária.
A autoestima não depende de as pessoas gostarem de nós, mas sim de estarmos bem connosco próprios se as pessoas não gostarem.
Aprendi a gostar de estar sozinho e cada vez gosto mais da minha própria companhia. Sinto-me sempre bem acompanhado.
Quando a união da tripulação é falsa os ratos tomam sempre conta do barco.
Há quem confunda património com felicidade e amor com dinheiro.
O Inferno? Claro que existe! Deus tira-os do Céu e coloca-os na Terra.
Desfarelo aqui dicções, neste texto em contrapé, pra plantar em dois talhões
Desfarelo aqui dicções, neste texto em contrapé, pra plantar em dois talhões os da boa e os da má-fé. I Ao abrir a minha mão, saltam letras trepidantes, as mesmas letras que antes amanhei com o coração… pula o Z, todo gingão, com as suas zorações; rima fome com cifrões, mete alhos por bugalhos, e aqui nestes trabalhos desfarelo aqui dições… II Entretanto, o calmo H junta dez letras, ou mais; faz caretas às vogais, cultivando o seu maná… diz ser fã do que não há, é um fã do que não é, como um vento de maré duvidosa e bailarina, apregoa o que imagina, neste texto em contrapé… III Encruzado, bem selecto, diz-me o X, bem divertido, quase junto ao meu ouvido, novidades do alfabeto… E, então, num tom secreto, denuncia as inflexões aplicadas nos chavões inventados a preceito, que me dão imenso jeito pra plantar em dois talhões… IV Meto algumas consoantes no alfobre da direita, mas a esquerda não aceita gatafunhos circundantes; planto versos abundantes com estâncias de banzé; curto a letras, e até meto água nas carreiras, onde cabem nessas leiras os da boa e os da má-fé.
Uma vida de luta é uma vida de esperança.
Dentro de um fato de trabalho, de uma farda, de um fato de cerimónia ou de outro fato qualquer, somos sempre a mesma pessoa.
As mentiras que ouvimos quando escutamos os políticos são as mesmas que lemos quando publicamos fotos nas redes sociais.