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Frases de António Prates

759 frases

Deram ao povo um lugar com liberdade, sem vazas, sem um céu para sonhar, e de tanto rastejar o povo perdeu as asas.
Cá estou eu mais uma vez, gente moderna, embrenhado nas planícies, estou perdido; quem me ajuda a encontrar uma lanterna,
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Cá estou eu mais uma vez, gente moderna, embrenhado nas planícies, estou perdido; quem me ajuda a encontrar uma lanterna, para o campo iluminar o meu sentido... Vós que sois lá da cidade e sabem tudo, tragam tudo para alguém que não tem nada, mas não venham com pézinhos de veludo para a terra que não foi sequer lavrada... Sinto a terra num repouso absoluto, sem um braço de trabalho, em campo aberto, que me diga, em alta voz, o que não escuto, nestas verdes pradarias do deserto... Não desandem todos juntos, o campo espera pela luz que vós trazeis, e, entrementes, tragam água para o campo (é primavera) e mil braços de trabalho com as sementes.

Temporal Se esta chuva não parar, durante esta madrugada,
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Temporal Se esta chuva não parar, durante esta madrugada, amanhã não faço nada, e tenho o feno pra ceifar. Se esta chuva não parar, o terreno fica alagado; fica o gado sem pastar, na pastagem do meu gado. Se estou apoquentado, durante esta madrugada, canto uma letra dum fado, ou um cante à namorada. Toda a chuva vem molhada, prometendo a boa vida... Amanhã não faço nada, nem cuido da minha lida. Talvez tome uma bebida, enquanto a chuva durar; cai a chuva bem caída, e tenho o feno pra ceifar.

Dos muitos amigos que tive nesta vida recordo de alguns, de outros nem tanto, uns por puro engano perderam encanto,
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Dos muitos amigos que tive nesta vida recordo de alguns, de outros nem tanto, uns por puro engano perderam encanto, e outros serão uma eterna guarida... São esses que conto sempre pelos dedos, como um santuário nas horas incertas, deixando aos demais as janelas abertas, para que se assomem, sem muros nem medos... Quando me procuram e me chamam de amigo, já sei o que querem para lá das janelas, seus olhos emitem distintas parcelas, que aprendo nas frestas de cada postigo... A palavra "amigo" quando é bem lavrada, por uma charrua sem vãs entrelinhas, não gosta de pragas, nem de ervas daninhas, botadas à sorte de um tudo e de nada.

Hoje sou uma criança, embebida de esperança, neste nosso paraíso...
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Hoje sou uma criança, embebida de esperança, neste nosso paraíso... Vejo as ruas coloridas, por pessoas divertidas, com amor e um sorriso... Vejo até os passarinhos, entretidos nos seus ninhos, a fazerem criação... E os borregos no rebanho, sem acharem nada estranho, junto às prendas que lhes dão... Vejo alegria a rodos, numa festa para todos, diversão a toda a hora... Como os bandos de perdizes, onde todos são felizes e ninguém fica de fora... Na criança que há em mim, vejo este dia assim, entre achados e perdidos... Perguntando ao pensamento: como será cada rebento, quando forem mais crescidos?