PLANOS NEBULOSOS
Dorme a noite, enquanto isso....
O sol adormece sob o fulgor das suas chamas.
Nesse ínterim a lua 'Artesã dos sonhos',
rainha das saudades... Sobe ao trono de prata
para imperar sob as estrelas e os astros
físicos do infinito.
Nessa tempo, a calma da noite, desce sobre
a calada sombria, desfilando os olhos do medo
e o burburinho das fadas.
Tudo é nebuloso... Os sonhos misturam-se com
os pesadelos para de supetão, despertar os sono
absolto nos planos e os passos, galgam os
paralelepípedos das calçadas ouvindo o ladrar
da matilha e o pio do corujão, solto do nada.
A noite, continua em seu cochilo quando de
supetão é acordada pela cantiga do galo e o
clarão do alvorecer. Nessas hora, despertadores
tilinta aos ouvidos da preocupação e os
preocupados saem em carreiras traquinas como
se fossem formigas afobadas sob as águas dos
seus planos pequineses.
Antonio Montes
MIRA DO MUNDO
Me atiro a rosa da vida
com mãos dóceis distraídas
dando palma a sua vinda
com a vida assim vivida
sem adeus apara partida.
Velejarei mundo a fora
com remos fieis do sonho
estarei na minha hora
com tudo que sou agora
em plano que ti proponho.
Me atiro em rosa petalada
no passo firme do mundo
e as passadas nas estrada
são fieis a quase nada
em tic-tac do segundo.
Antonio Montes
DEMANDA NÔMADES
Existe um navio no mar
... Água sem doce
onda com sal
gemido no porão...
As gaivotas dão voltas
e reviravoltas, e se voltam
com seu revoar!
E saem rumo, norte e sul
conforme a demanda
da imigração do seu procriar.
Somos nômades...
Já viajamos no passo
nos astros nos sonhos
um dia andamos nos trilos,
n'outro...
Velejamos nas águas do mar.
Antonio Montes
DESANEXA
Como cometa,
se meta...
Se meta, se mecha
de cabelos e mexa
ou de a deixa e desça
d'essa caixa de ameixa.
Desça na terça
pela terça de ferro
ou da semana...
Prometa a sexta
que desanexa a manga
ou essa gente bacana.
Antonio Montes
CARTA COM ASA
Uma carta esferográfica, cruza
os mares o céu é as estradas
atravessando o mundo
para demonstrar as palavras,
que no fundo...
Nunca foi, não é, não será nada.
Fala, avisa...
Improvisa um recado manso
impõe o seu bocado
presente, futuro, passado.
A carta sem asas, propaga risos
derramando lagrimas
especifica prejuízos de tudo aquilo
que nunca será nada.
Antonio Montes
REPETECO DO SOL
O sol em seu crepúsculo
morre a tarde
para se enterrar de noite
... E todo dia sedo!
Nasce de novo e de novo
iluminando o dia
aquecendo o povo
demonstrando a galinha
o horário do ovo.
Antonio Montes
CELA DE SALA
Enclausurado em minha sala
eu vejo TV
vejo TV e me acorrento na tela
... Sou um preso dessa esparrela
que me atrela em cadeados
e correntes , d'essas mentes
que mentem...
Desses olhos que sentem, e
essas bocas que se dizem crentes.
Enclausurado em minha sala
recebe palmas do nada
e continuo preso...
Nessa cela espalmada,
entre quatro paredes e um ar
um sofá para imaginar...
E a vontade doida de voar.
Antonio Montes
LEVÍSSIMA
Leve... Levíssima leve
Leve a culpa breve
do bonde do tempo,
da linha que alínea e arrepia,
pegue e leve-me como for
avia! Avia... Espia a passagem
sem motor ou engrenagem
sem amor, sem calor.
Leve se for leve... Leve
a flor as pétalas do caminho
a poeira o pó dos paralelepípedos
os tipos e aerotipos múltiplos
os bullyings e seus insultos
os vultos do futuro caduco
os brutos... Marrucos malucos
e os eunucos da esperança,
judeus da dor...
O fungo dos frutos... E a
corda bamba, de uma criança.
Antonio Montes
ACABADO
Sem dinheiro, estou solteiro
absolvido do meio...
Vou marchando,
sob o peso do meu arreio.
Sem dinheiro... Sou um jogo,
um jogo desprovido dos ouvidos,
entre sopapo, e sinal destecido.
Sem dinheiro...
Sou um tiro p'ra escanteio
passos descalços,
sentimentos baixos
imprensados, sob peso de saco.
Sem dinheiro, sou...
Barriga colada nas costas
fome comandando um tic-tac
de uma fraca horta.
Sem dinheiro...
Vou pelo caminho em passos fracos
ventos espanando minhas lagrimas
galgando a minha sombra,
que a tarde se distancia de mim...
Levando meu saco de esperança
me aproximando do fim.
Antonio Montes
PARTIR P'RA EXISTIR
Eu vou sair por ai...
Vou daqui, e vou sumir!
eu , vou, partir...
Vou existir! Vou existir!
sem mim, sem ti.
Em fim... Antes que,
chegue a minha hora,
vou embora...
Vou embora desse mundo,
vou-me ir disso aqui!
Vou viver sem apavora,
de tudo que me faz ouvir.
Eu vou partir,
mesmo sem rir
Eu vou partir, p'ra existir.
Vou lhes tirar da tomada,
desequilibrada
desligar-te dos volts dos choques
e se a bússola não dê norte,
então pego o meu capote
e vou existir, longe daqui.
Antonio Montes
SEU REDOR
Se você não me quer
então me entregue...
Entregue-me a mim mesmo,
desate esse nó.
Desamarre essa amarra
que me amarra em ti...
Devolva-me ao meu existir!
Se você não me quer...
Me ensine a ficar só
pois tudo que você tem feito,
foi fazer eu ficar ao seu redor.
Antonio Montes