O silêncio que quase virou amor. É estranho como, às vezes, a história mais intensa que vivemos é justamente aquela que nunca aconteceu. Sete meses podem parecer pouco para o mundo, mas quando o coração decide criar raízes
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O silêncio que quase virou amor. É estranho como, às vezes, a história mais intensa que vivemos é justamente aquela que nunca aconteceu. Sete meses podem parecer pouco para o mundo, mas quando o coração decide criar raízes em alguém, o tempo ganha um peso diferente. Foram dias, semanas, quase uma vida inteira de olhares que diziam tudo o que a boca nunca teve coragem de admitir. Havia algo ali. Não sei se era destino, ilusão ou só a necessidade de acreditar que alguém finalmente enxergava aquilo que eu tentava esconder. Toda vez que nossos olhares se cruzavam, algo dentro de mim se ajeitava, como se o universo desse uma pausa só para que eu pudesse sentir aquele segundo. E como era profundo… Era quase um diálogo silencioso, uma troca de almas que, ironicamente, nunca chegou a virar palavra. Mas o silêncio, por mais poético que pareça, também machuca. Porque ele cresce. Ele ocupa espaço. Ele pesa. E com o tempo, percebi que estava sozinha numa história que escrevi inteira sem nem que você segurasse a caneta. Meu coração te escolheu, e você… Você nem percebeu que havia sido escolhido. Sete meses sustentando um sentimento que nunca se permitiu existir fora do meu peito. Sete meses de esperança tímida, de idealizações bobas, de perguntas que nunca nem saíram da minha boca. E no fim, o que restou foi a certeza madura, e dolorosa, de que olhares não são promessas. E que às vezes a gente se apaixona não pela pessoa em si, mas pela versão que nasce dentro da nossa imaginação. Ainda assim, não me arrependo. Porque aqueles olhares, por mais breves ou ilusórios que tenham sido, me deram uma coragem que eu não sabia ter: a de sentir profundamente. A de desejar intensamente. A de ser vulnerável sem testemunhas. E isso, por si só, já foi amor o suficiente. Mesmo que só meu.