A Lua Crescente sob Rodeio,
ao iluminar o objetivo intrínseco
de tudo o que se passa em nós,
da natureza e da realidade,
Com os teus raios ilumina
a memória inabalável de quem
protegeu a profundidade
do julgamento daqueles que
ignoraram a beleza de deixar-se
ser pássaro todo colorido
ao longo da travessia até
chegar no Médio Vale do Itajaí.
A Lua dos poetas infantes
e dos jovens que não desistiram,
depois de tudo o que passaram,
Com estes raios tocaram
os sentidos como se fossem
de uma harpa quebrando
o nosso silêncio citadino,
Os traços do Irredentismo
no jardim secreto continuam
mais vivos do que antes,
porque sabemos quem somos,
e da onde todos nós viemos.
O Romantismo do teu peito
para o meu tem escrito
poesia, músicas e feito ritos,
Sem emboras e sem medir
as consequências porque
o amor têm sibilado versos
de resistências e da possibilidade
de ser de correspondido,
Sem dizer uma palavra, falamos
o mesmo idioma, bem sabes disso.
Ascender os patamares
da real conexão requer
o conhecimento da rota,
das passagens do tempo
do canoro íntimo que toca
no auge do florescimento
do Jacarandá bico de pato.
Tatear o etéreo deleite,
descobrir a veleidade
e a provocante leveza
em total liberdade,
paz e com a intensidade
do amor transparente,
que a estação certa haverá
de conceder para a gente.
Sei que não é diferente
do que passa contigo,
ainda em recolhimento
mantenho o momento
em embalador cultivo,
porque reconheço que
não sou deste nosso tempo,
embora no fundo seja
mais simples do que aparento.
Ribeirão Liberdade
Na minh'alma cabe todo
o Médio Vale do Itajaí,
Moro numa bela cidade,
onde reina a tranquilidade,
em mim cultivo a paz
existencial de verdade.
Aqui no Centro de Rodeio
com a poesia que elegi
com tudo o que imaginei,
vivi -- e ainda não vivi;
E com certeza viverei
intensamente e escreverei.
Porque em mim há tudo
de Canário-da-telha
por todo este lindo lugar,
Até quando se junta
ao Ribeirão Liberdade
para alegre com ele cantar
a esperança na imensidade.
Tenha certeza: poetisas
jamais se matam.
Os andares das musas
jamais lhes cabem.
Se um dia morrerem,
é porque Deus quis
que subissem ao andar
das eternidades enfim.
Mas se Deus não quis,
e mesmo assim foram mortas,
é porque tentaram calá-las
sem saber que poetisas partem,
e poesias sempre permanecem,
--- para ecoarem ainda mais alto.
A consequência quando vem,
inabalável vem a quem,
chega com a colheita oculta,
porque poetisas lidam
com a mais alta intimidade
com a alta noite escura,
capazes de gerar sublevações,
tempestades, libertações
e profundas revoluções.
Com a tua silente ternura
sua existência tem altura
muito maior que a de Wakhan,
montanha que desafia
o céu, o vento e as estações.
Reluz um Pulwar de ouro puro
nas tuas mãos que para mim
hão de ser absolutas em tudo,
Uma lâmina curva que não fere,
ilumina a escuridão adentro,
A sua mirada, cravou perene
no peito a Charay poética,
não como o aço frio e mortífero,
mas com verso afiado e doce.
Fez arder um fogo sem explicação,
sem dor, sem ferida, sem ardor
que nem médico ou clérigo
são capazes de fato dissolver;
Foi além do que eu ousava prever,
conquistou meu território
sem arsenal e com potência serena.
Não por beleza que ofusca,
nem por força bruta,
nem por poder que impõe
— mas por conhecer de cor
os "Noventa e Nove nomes de Allah",
um a um, como quem sussurra
segredos de Paraíso que foi
perdido revelando em meu ouvido.
Cada nome era uma flecha invisível,
cada sílaba um golpe indelével
e de graça no coração feminino.
E agora sou terra em rendição,
campos de trigo em floração,
onde esse ardor divino
permanece sem explicação.
Aprecio o silêncio
porque nele moro
no teu pensamento.
Desde que comecei
a olhar o espelhamento,
amar-te nele foi fácil,
és transbordamento.
Com muito talento
tu te mostraste,
e que não é somente
[um rosto bonito];
Percebo o fascínio
e que tens gabarito
para ser o meu favorito.
Tudo passou a ser lido
como um recado escrito
pela cor dos teus olhos
que nado como se fosse
o mais distante dos rios.
Neruda disse bem antes
o que já estava escrito:
«Gosto do silêncio
desde que comecei,
a amar-te nele».
Distante de ser perto
de um qualquer,
Você não é, e não quero
que seja comparado
com nada neste mundo;
Não existem poesias
no Oriente ou no Oriente
que definam completamente
ou se alinham com a gente.
O trapézio do imprevisível
não provoca intimidação,
Porque com o fogo cruzado
nós temos intimidade.
Do nosso Deus tu és o sabre
contra o Mal e a injustiça,
e nos meus sonhos
o trigal mais vasto de amor
que eu já tive notícia;
Por isso espero e faço votos
de render-me sem medida,
e entre nós não haverá
a última dança nem despedida.
Os ventos se encarregam
do ciclo natural da vida,
o Hemisfério Austral rege
o continente destes povos,
e o Condor zela a todos
na Cordilheiras dos Andes,
não cabemos nos instantes.
A Águia Harpia com a sua
total natureza territorial,
cumpre a sua vigilância
nos vales úmidos e profundos
da minha América Austral,
que é o melhor dos mundos.
Onde nascem as begônias
coloridas, místicas e infinitas
que inspiram este coração
para dedicar as minhas poesias,
que nascem, morrem e ressuscitam
neste voto renovado todos os dias.
A Noelia Castillo
Não sei se você está
mais viva entre os seus,
Não sei se os olhos
de outros pelos meus
irão ter tempo hábil
para te salvar,
Não sei se este poema
irá te alcançar.
Só sei que o que você
sente como problema,
é o fracasso alheio
de quem cooperou
para apagar a tua estrela,
que fizeram do problema
existencial deles o seu.
O mundo ao seu redor
falhou com você,
Se eu pudesse te falar,
te pediria para ficar;
mesmo que doa,
resista e fique nem
que seja para incomodar.
E se eu tiver a grande graça
de o milagre divino te alcançar,
quero ver você sã e salva
para a sua própria vida proclamar.
À Shanti De Corte, Milou Verhoof e Noelia Castillo Ramos
Com a razão, o coração e as flores
da coerência e da eternidade em mãos,
ergo os meus tijolos de lamentos
pela absurda série de sofrimentos.
A Europa já não está sentada
no touro branco com guirlanda de flores —
e sequer foi notada.
Os sinos dobram por vós, herdeiras,
que não fostes protegidas nem cuidadas.
Há tempos a Europa foi sequestrada.
Não há sinal de vida dela, nem do touro.
Tudo indica que pelos algozes,
foi por suicídio assistido ou eutanasiada,
e o touro, torturado e sacrificado.
Não vai demorar muito para que vós, herdeiras,
sejais esquecidas pela elite depravada,
porque a direção da Europa
há muito já não se entende a si mesma.
Os princípios, a moralidade e os valores
foram enterrados na mesma cova rasa,
sob a indiferença coletiva e televisionada.
Da minha parte não existe desculpa
que me satisfaça da parte de quem vos abandonou nos braços da morte,
abertamente, na beira da estrada.
Sob a luz do dia que a Europa foi executada,
e a indiferença no território está acampada.
Depois disso, não será preciso
absolutamente ninguém dizer mais nada.
Lua Crescente esplendente
em pleno cair da tarde quente
no Médio Vale do Itajaí,
Que abraça com o seu verde
a nossa amada gente,
que tem espírito de festa,
mantém firme a garra - e é resiliente,
e que continua firme com memória,
sonhos e suas raízes na História
sem jamais desistir de prosseguir.
Lua Crescente magnífica
que ilumina a querida Rodeio
onde poeticamente o Canário-da-telha
está procurando no Ribeirão do Salto
o seu ninho para ir descansar.
No centro desta cidade é o meu lar,
e é daqui que tenho muita história
para recordar e escrevo no tempo,
em prosa, verso e todo o sentimento
que une rios para os vales renovar
seguindo muito além deste lindo luar.
À Catalina Giraldo
Conheci a história da sua travessia,
não nos poupe de ti nesta vida.
Se eu pudesse olhar nos teus olhos,
com certeza te diria:
- Transforme toda esta dor em arte
nesta vida que desafia.
Somente a arte pode ser a ponte
interminável entre a vida e morte.
Não existe nada além da arte
com igual capacidade de conceder
a interminável sorte de morrer,
renascer e fazer-te viva permanecer.
Busquei na sombra
sob o Sol sem conta
andar nos labirintos
da atenção sentimental,
Nos muros coloridos
encontrei e desencontrei,
Porque na verdade a cor
que preciso está no olhar
mais lindo jamais visto,
e por ele o coração está
completamente rendido.
No Centro de Rodeio
é onde eu moro,
e não próximo
do Ribeirão São Pedro;
Te conto um segredo
o Canário-da-terra
no Ribeirão São Pedro
cantou diferente.
Algo me disse que
para do amor
não ter mais medo,
e tenho certeza
que ali nos encontraremos
sem nenhum receio;
Porque com todo
o seu carinhoso jeito,
logo virá aqui em Rodeio.
O rio que vem de longe
e abastece a minha fonte.
O Araribá-amarelo cobre
com flores a minha fronte.
Nós habitantes indeléveis
do amor e da paixão inoxidáveis.
Os pensamentos são iguais,
e estamos construindo a paz.
Não somos nuvens passageiras,
não tememos travessias inteiras.
Rio Itajaí-Açu
Não moro na beira
do Rio Itajaí-Açu,
Moro no Centro
da cidade de Rodeio
entre o aconchego
das montanhas,
que com o céu
me entretenho
e a Deus agradeço.
Quando abro a janela
em noite calorenta,
É a brisa do meu
fiel Rio Itajaí-Açu
da minha vida,
que a alma inspira,
enlaça a terra,
e a pele refresca.
É esta brisa que
sempre acalma,
e meu rincão
poético alcança,
trazendo temperança.
A cidade de Rodeio é cercada
pela graça e toda a majestade
dos gentis vales e montanhas,
que a vida entrega, esbanja
o Rio Itajaí-Açu e por ele é amada,
e pelo Rio Benedito a venerada.
No nosso Médio Vale do Itajaí
é a cidade onde os ribeirões
São Pedro, do Salto, Liberdade
e Rodeio Doze cortejam guardiões
com poemas de amor e eternidade.
E por aqui tudo tornam verdejante,
os olhos absolutamente encanta
tornando o coração mais amoroso,
e com toda a devoção sutil acampa
traçando a rota diária da renovação
nas águas do curso da esperança
Na companhia de Juana de Ibarbourou
O amor é perfumado,
tem algo que desce
das montanhas na primavera
para defender sua terra.
Como um buquê de rosas
floresce em meio à guerra;
amando, juntos, eles possuem
além de todas as primaveras,
sem temer as noites eternas.
Confissões embaladoras
com o afã de submergir,
e abrigar na sua respiração,
coração com o coração
no compartilhado silêncio.
Neste tempo talvez o mais
perigoso da nossa História,
que pede mel nas palavras
por mais que a realidade
flerte com o cruel e o covarde.
Deixar por conta os intentos
das quaresmeiras e as aleluias,
e encontrar sob a floração
da época os maiores motivos
para não apagar os sentidos.
Minh'alma Tapuia
feita de floresta,
poética nas nascentes
livre nas cabeceiras,
e nas encostas íngremes,
com o coragem flui;
Tudo teu me possui,
mesmo que só a sua
imaginação retribui.
O Rio Luís Alves
canta solene o amor
pelas criaturas,
e as absolutas
canções da vida,
e dos gentis ribeirões.
Sob o céu austral
dedico muito mais
do que versos e doces emoções,
Para quem sabe estar
contigo nas próximas estações.
Renunciou à juventude
Na primeira oportunidade
tomei o Expresso do Oriente,
subi no vagão do poema
com nossa aposta ardente.
Segue vigente o juramento,
aquele amor sem esquecimento:
que tudo nele tem o aroma
do cedro do Líbano.
No seu hálito se percebe
o da flor de laranjeira,
e assim continua sem limite
perfumando o caminho inteiro.
Levei na bagagem sutil
os jogos finos do querer,
para compreender aquele que foi fiel
e deu a vida sem temer.
Renunciou à juventude dourada
por uma Nação inteira,
entregou corpo, alma, mirada,
e o coração pela bandeira.
Ele ama a Allah e ao povo
mais que à própria vida;
nele habita toda a poesia
que a minha inteira suspira,
de uma maneira invicta,
fazendo das palavras
a maior e mais fina joalheria.
Filho do cemitério dos impérios,
que vivo tentando sempre
decifrar em seus versos
os mais profundos mistérios,
como se passasse a noite
sob as estrelas majestosas
no ponto mais alto de Cabul.
Ele é todo feito de paz,
e não foge da guerra;
ele tem alma de primavera
que embelez a minha
e não conheço outro poeta
que ame mais a própria terra,
e sem que ele saiba, até que existo
toda a sua poesia sempre me empresta.
Não esqueço dos poetas
que foram para o paraíso,
Homenageei os poetas
que merecem e estão
vivos firmes no caminho,
Para que surjam outros mais
para reescrever o destino.
Enquanto as bombas
constantes caem no Oriente,
O Ocidente permanece
obediente, cúmplice e silente,
eu ofereço poesia prá gente.
Diante da TV e uns e outros
com smartphones nas mãos,
Vivendo como absorvidos
à revelia permitindo o Apocalipse
de todo dia vive a tomar conta
sem pedir nenhuma permissão,
convido a não ficar tonto
com o nosso mundo em viração.
Pela própria anomia um estão
se afogando sem perceber
que nada de fato foi feito,
E tudo o que está ocorrendo,
são poucos sãos que estão
fazendo neste tempo
que está tudo se desfazendo.
Porque nenhum cúmplice
dos Arquivos de Epstein foi
de fato pela Justiça preso,
as leis de guerras tanto faz,
e falar de paz ninguém
quase se interessa mais.
[Inteligências artificiais,
seres humanos frugais].