Amigas. Era isso: Amigas íntimas. E se divertiam juntas, davam gargalhadas, bebiam vinho para comemorar segredos guardados em envelopes.
Frases de Ana Maria Machado
19 frases
São cinco pontas Cinco destinos areias tontas
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São cinco pontas Cinco destinos areias tontas de desatinos Cinco sentidos Cinco caminhos Grãos tão moídos Mares moinhos Estrela guia em pleno mar outra Maria a me chamar. "
"só queria que o mundo nos abraçasse"
A gente é feliz, representa uma espécie de ameaça para os outros, como se estivéssemos dizendo que somos mais competentes do que eles em matéria de construir felicidade.
Só se chega por acaso, pois é impossível encontrar o caminho sem se perder.
Era uma vez uma voz. Um fiozinho à-toa. Fiapo de voz. Voz de mulher. Doce e mansa.
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Era uma vez uma voz. Um fiozinho à-toa. Fiapo de voz. Voz de mulher. Doce e mansa. De rezar, ninar criança, muitas histórias contar. De palavras de carinho e frases de consolar. Por toda e qualquer andança, voz de sempre concordar. Voz fraca e pequenina. Voz de quem vive em surdina. Um fiapo de voz que tinha todo o jeito de não ser ouvido. Não chegava muito longe. Ficava só ali mesmo, perto de onde ela vivia. Um pontinho no mapa.
O que leva uma criança a ler é o exemplo.
Sei que a andorinha está no coqueiro, e que o sabiá está na beira-mar. Observo que a andorinha vai e volta,
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Sei que a andorinha está no coqueiro, e que o sabiá está na beira-mar. Observo que a andorinha vai e volta, mas não sei onde está meu amor que partiu e não quer voltar.
Maresia Brisa na restinga traz maresia
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Maresia Brisa na restinga traz maresia a onda respinga a gota suspira o ar que se inspira. Nariz abre a asa narina é casa de aroma morar. É o lar que inspira é o mar que respira.
E era sempre assim. Na hora de ir ajudar no trabalho da roça, ela era bem grande. Na hora de ir tomar banho no rio e nadar no lugar mais fundo, ela ainda era muito pequena. Na hora que os grandes ficavam de noite conversando no terreiro até tarde, ela era pequena e tinha que ir d…
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E era sempre assim. Na hora de ir ajudar no trabalho da roça, ela era bem grande. Na hora de ir tomar banho no rio e nadar no lugar mais fundo, ela ainda era muito pequena. Na hora que os grandes ficavam de noite conversando no terreiro até tarde, ela era pequena e tinha que ir dormir. Na hora em que espetava o pé com um espinho e queria ficar chorando no colo de alguém, só com dengo e carinho, sempre dizia que já estava muito grande para ficar fazendo manha. Se ela tivesse um espelho mágico, que nem rainha madrasta da Branca de Neve, bem que podia perguntar: - Espelho meu, espelho meu, que tamanho tenho eu?
Primeiro mar Tantas páginas lidas muito antes Tantos livros que enchiam as estantes
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Primeiro mar Tantas páginas lidas muito antes Tantos livros que enchiam as estantes Tantos heróis a povoar os sonhos Tantos perigos, monstros tão medonhos Nos tempos sem tevê e sem imagem Palavras fabricavam paisagem Tesouros, mapas, ilhas tropicais, Argonautas, recifes de corais, Perigos na neblina entre rochedos, Vinte mil léguas cheias de segredos. Histórias de naufrágio e abordagens, Ulisses, Moby Dick, mil viagens, Robinson, calmarias, um motim, Descobertas, veleiros, mar sem fim.
Velas sem vento almas sem calma encalham em sargaços
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Velas sem vento almas sem calma encalham em sargaços nas águas salgadas. Algumas naufragam soçobram em escolhos só sobram sem escolha, sem escolta, poucas naus – e nós.
Gostava de soltar as ideias sem rédea enquanto sentia o vento e a imensidão.
É que eu também sou inventora, inventando todo dia um jeito novo de viver.
Ler – sobretudo poesia – desperta na gente essa alta sensibilidade para a linguagem. Isso nos faz bem. É como ver uma paisagem bonita, ir para um lugar onde haja uma flor perfumada.
Temos muita curiosidade de viver outras vidas, de sair um pouco da nossa. E a gente não pode sair de verdade. Não podemos morar em outra cidade, casar com outras pessoas, ter outras profissões. Mas na literatura vivemos essas experiências, não como uma fuga, mas como um acréscim…
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Temos muita curiosidade de viver outras vidas, de sair um pouco da nossa. E a gente não pode sair de verdade. Não podemos morar em outra cidade, casar com outras pessoas, ter outras profissões. Mas na literatura vivemos essas experiências, não como uma fuga, mas como um acréscimo. Como possibilidade de entrar na pele de um outro e se sensibilizar.
Palavra é sedução, sempre. Até quando a gente reza está querendo seduzir Deus.
Acho que dizer “não gosto de ler” é o mesmo que dizer “não gosto de namorar”. É só porque aquela pessoa ainda não encontrou o parceiro certo. O livro certo. Esse não está lhe dando prazer? Passa para outro. Porque você vai encontrar um outro. E vai descobrir o barato que é.
Eu acho que o que nos faz ler, gostar de livro, é o exemplo.