Você não sente isso? Como eu posso explicar esse grande vazio, tão profundo, sem dimensionar o quão forte eu sinto as coisas ao meu redor? Passou-se cinco minutos, meus olhos na janela vendo o infinito do céu, eu perdi por alguns instantes a sensação da existência.
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Você não sente isso? Como eu posso explicar esse grande vazio, tão profundo, sem dimensionar o quão forte eu sinto as coisas ao meu redor? Passou-se cinco minutos, meus olhos na janela vendo o infinito do céu, eu perdi por alguns instantes a sensação da existência. Fiquei ali observado o nada, quase que por empatia, sentindo o céu como o espelho da minha alma, grande e vazio. A ruptura da catarse se deu no primeiro piscar de olhos. A dor estava tão presente que foi quase impossível imaginar que um dia ela não tivesse estado ali... É um sopro frio no coração que consegue romper o ar dos pulmões. Você nunca sentiu isso? Eu queria gritar, respirar, dizer tudo o que eu sentia... Mas, eu não conseguia. Qual é a pior sensação de sufoco, senão a de perder a voz, mesmo com a sua capacidade vocal intacta? Duas vozes gritam loucamente dentro de mim, é tão impossível distingui-las, confundo-as, misturo-as. "Faça a coisa certa." "Continue afundando no mar profundo." Será que é isso mesmo que estão dizendo?Eu não sei. O sopro continua. O ar gelado permeando cada veia que nasce no meu coração, prende cada músculo do meu sistema respiratório. O céu continua lá fora, grande e vazio. Um espelho do que eu sinto por dentro.