Se para o homem a causa da sua existência é Deus, logo para a existência de Deus não tem causa. A ideia de Deus é necessária e obrigatória para dar asas à imaginação. Entende-se que o mais surpreendente no humano são os defeitos, algo tão comum, mas que a milhões de anos a onipotência não da conta, também não conseguiu criar nada melhor que o humano segundo o humano.
Em meio aos castiçais de ouro se reluz a imagem superior do cristianismo, e nas vestes do papado o alto poder da luxúria. Tão necessário quanto às causas humanitárias para dar veracidade à existência de um Deus humanizador. Por fim um candelabro dourado é tido como símbolo do poder egoísta na ordem dada por Deus. Deus por essa atitude se enquadra no pecado da luxúria, mas a sua luz nunca irá se apagar.
Toda a imbecilidade é capaz de torna-lo poeta e gênio. Na vida robotizada e de rituais místicos se pede: “Deus não me leve agora”, pois ainda convém às modinhas das vitrines, o sorvete da esquina, o sol que arde, o dor que pouco se acalma. Bem quanto à bagunça que ninguém o leve a mal. Dissemos ao mundo que aprendemos quando estamos calados, então já não temos mais nada a fazer além de passear ao dia e dormir à noite. Como dizia Raul: “Viva a sociedade alternativa”.
Magnífico é o estado de credulidade do humano em deuses mitológicos, para dar sentido a sua própria existência, vida e morte. A eles (os grandes monstros) medievais se atribuem o êxtase. Quem dera uma vida aonde se possa ser juiz de si mesmo. Quem dera viver na morada dos deuses, no cume do Monte Olimpo a compreender tal atribuição.
- Cumé que vai o vai-e-vem da cumade? - O vai-e-vem vai bem.
- O vai-e-vem vai ou não vai? - O vai-e-vem, não vai. Se o vai-e-vem fosse e viesse, o vai-e-vem ia, mas o vai-e-vem vai, vai, vai, e não vem. O vai-e-vem não vai, não vai.
(Moral da história: o compadre que foi emprestar o serrote e não lembrava o nome)
Feliz dia de todos os santos Mortos (02/11)
A morte é o evento mais celebrado no mundo cristianista. Vive-se a morte enquanto há vida. Do meu próprio veneno eu bebi de modo lento destilando cada gota, não foi tão mal assim, morri acreditando na imortalidade. Desfazendo a ideia de vida eterna sou In memoriam entre aqueles entes queridos que aqui Jaz.
Cristo se alienou tanto a Deus quanto ao Diabo, foi posto a diversas provas inclusive a de não se salvar das maldades do homem, de nada adiantou foi à morte e a crucificação, Para Nietzsche “Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa fé. E, de súbito, o Evangelho tornou-se a mais desprezível de todas as promessas irrealizáveis”. Pois ainda o homem tornou capaz de ressuscitá-lo para uma futura vingança ou uma nova crucificação.
Depois do dilúvio deveria o mundo ser repovoado de homens e animais bons. O dilúvio foi apenas mais uma “bondade” de Deus. Tão pitoresca quanto à valentia de Apolo sobre Píton “a serpente”.
Chuvas fortes também são apenas eventos da natureza, assim também nenhuma reza é capaz de acalmar a tempestade.
Em um país democrático considerado laico como o Brasil, os ditadores se encontram no ponto mais elevado, ao púlpito do altar. Eles são os controladores das existências, mas se queremos que este país não perca os benefícios humanitários e se almejamos a laicidade devemos contribuir para retrair o poder daqueles que detêm a força opressora pelo discurso democrático e laico.
Ao contrário as pessoas estão colaborando para o aumento dessas forças, inconscientemente contribuem com votos de confiança e com suas miseráveis gotas de suor para as causas hipócritas em nome de Deus ou de um dirigente soberano qualquer “in memoriam”. As soberbas de falácias hipócritas estão vivas. O Deus tirano está morto sobre o ponto mais elevado que os homens os colocaram.