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Frases de Amanda Seguezzi

109 frases

Você mergulhou fundo no meu alto grau de incompetência. E conheceu o meu lado que chamava o amor de "complexo de inferioridade". E ficou. E riu das piadas sem graça, me mostrando que a sua capacidade de amar era mais algum tipo de dom seu. Eu nunca vou saber explicar o quanto voc…
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Você mergulhou fundo no meu alto grau de incompetência. E conheceu o meu lado que chamava o amor de "complexo de inferioridade". E ficou. E riu das piadas sem graça, me mostrando que a sua capacidade de amar era mais algum tipo de dom seu. Eu nunca vou saber explicar o quanto você é simplesmente você. Eu precisava da sua rotina entrelaçada com a minha. Precisava que você esquecesse a cafeteira ligada. Eu precisava dos conselhos que os seus olhos me transmitiam. O seu calor também me aquecia, queimava. Não existia antídoto melhor que o seu querer bem. Não existia decisão errada se lhe envolvesse. Você não pediu licença, não bateu na porta. Não avaliou a minha falta de bom senso, a minha falta de ser boa em alguma coisa. Nem ligou. Veio de algum lugar só para me mostrar os outros lugares que seriam nossos. Construímos o nosso caminho, o nosso sentido. Você virou a minha memória, o meu gerúndio. Estamos vivendo, amando, morrendo. De amor. O seu amor me pede carona, enquanto eu te abraço com advertência. O seu amor me amansa, enquanto eu faço aquela risada boba de criança que ganha um brinquedo novo. Então, me esqueço da censura, do meu jeito autocrítico e te abraço mais uma vez. Você conheceu a minha pior crise de ansiedade e, mesmo assim, me escolheu. Se adaptou em mim. Se encaixou em nós. Compartilhamos nossas normalidades, os vícios, os sonhos que se perderam no meio das primaveras. Decidimos então edificar os nossos próprios sonhos, concretados com os nossos próprios medos, unindo-os até que se solidificassem. Você me completou até que transbordasse, perseguiu o labirinto que compõe a minha alma, descobriu cidades em mim. Transformou o amor em um ato de coragem repleto de curtas fraquezas. Nossas palavras viraram promessas. Nossos sorrisos, um pacto. Prometemos boas lembranças, nos comprometemos em amar até o que ainda não vivemos. Você encontrou o meu equilíbrio e confiou nele. Curou a minha insônia e os poemas ruins. Não pensou duas vezes ao pensar em mim pela primeira vez. Quis me fazer corar. Quis mergulhar. Quis entender comigo porque o amor vai além do esquecimento, além do excesso de dom. Eu já amava a sua simplicidade antes mesmo dela ser notada. Eu já amava o seu calor antes dele tocar a minha pele. Eu já amava o seu antídoto antes mesmo de experimentar o veneno.

A coincidência anda de mãos dadas com os nossos desencontros. Esqueça os planos. Eles não gostam dos nossos abraços. Esqueça as datas. Nós sorrimos em meio ao imprevisto. O tempo não está do nosso lado. Destinos são quebra-cabeças; sorte, o nosso disfarce. Remamos contra a maré,…
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A coincidência anda de mãos dadas com os nossos desencontros. Esqueça os planos. Eles não gostam dos nossos abraços. Esqueça as datas. Nós sorrimos em meio ao imprevisto. O tempo não está do nosso lado. Destinos são quebra-cabeças; sorte, o nosso disfarce. Remamos contra a maré, derrotamos os nossos monstros emocionais. Tentamos. Não viramos amor. Nosso final feliz termina com outras pessoas ocupando os nossos lugares. Éramos um teste de resistência e perdemos as forças. Éramos contrários.Sabíamos que ambos não iriam para frente se um fosse a fraqueza do outro. Até porque amor não é sinal de fraqueza. O amor não sugere desculpas. O amor é o mais natural dos acasos. Amores são momentos. Eu vou te recordar numa música e você guardará as minhas piadas sem graça. Amores são mais do que momentos, são mapas. Desenhados por rotas antigas e por lugares jamais visitados. Escolha o seu refúgio, ou siga desbravando. Talvez nos orgulhemos do que nos tornamos, do que conquistamos, do que descobrimos. Pois se descobrir também faz parte do que deixamos para trás. Mudamos de ideia. O que antes era certo é duvidoso agora. Nosso Norte não é mais o mesmo. Quanto mais longe andamos em direções opostas, mais invencíveis ficamos. Destinos são quebra-cabeças que juntamos ao longo dos danos. E no final isso faz sentido. Uma vida inteira faz sentido. Relacionamentos, por mais intensos, não passam de fases. Aprendemos a lição para não errar no seguinte. E não é o fim do mundo. Sentimentos são os músculos involuntários do nosso corpo. Não mandamos, nem desmandamos. E eles se adaptam. A um sorriso novo, a um abraço mais apertado. Se adaptam em lugares que nem pensamos em explorar. Que não exploraríamos se o tempo estivesse ao nosso favor. Obrigada por ser um passado bom que mora em uma parte de mim a qual não habito mais. A lembrança fica em cada canto da cidade que nos serviu de esconderijo. Mas é hora de sair do conforto e encontrar as coordenadas da felicidade. Viva por alguém que te faça ter vontade de criar planos e rotas. Viva pelo acaso. O passado já está escrito, saiba o que fazer com o seu presente. Não demore onde não precise parar. Questione todas as dúvidas. Se encontre antes de encontrar outra pessoa. Viva uma vida cuja história mereça ser contada.

Aí você me encarou de um jeito súbito, causando a morte dos meus sentidos. Então o vento espalhou o teu cabelo cor de terra pelas nuances do teu rosto, enquanto teus olhos, tão fogo, me atraíram para um abismo raso de amor e ódio. Então, fico confuso! Confuso sobre o quanto teu c…
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Aí você me encarou de um jeito súbito, causando a morte dos meus sentidos. Então o vento espalhou o teu cabelo cor de terra pelas nuances do teu rosto, enquanto teus olhos, tão fogo, me atraíram para um abismo raso de amor e ódio. Então, fico confuso! Confuso sobre o quanto teu corpo parece manipular todos os elementos de um jeito só. De um jeito só teu! Naquele momento eu pensei em te amar como alguém que vê um cometa desprender do céu, mas que não sabe exatamente aonde ele caiu. Tua língua ácida tão pura de inocência e, ao mesmo tempo, tão cheia de ilusões perdidas e frases tortas. Teu sorriso, tão cansado. Tua mania de gostar de sol e chuva competindo pela atenção do céu. Teu jeito de colocar o cabelo para trás da orelha. Ah! O sol da manhã coloria o teu rosto tão pétala, da mesma forma que iluminava os edifícios do teu corpo. Aí eu te abraçava como quem tenta desarmar uma bomba. E me perdia entre os meios das tuas paredes de concreto e flores. E a cada tarde, você dormia encostada no meu braço como se o meu corpo fosse a tua própria galáxia, Cometa! E bocejava lentamente, como quem planejou a vida inteira esse sutil movimento. E me induz a amar até o teu ronco baixo, assim como o paraíso dos teus traços, tão frios, tão calculados. Tão seus. A tua sobrancelha arqueava na mesma intensidade em que o rubor das tuas bochechas dava o ar da graça. E eu achava lindo! Fez-me acreditar que, se amor fosse uma cor, seria exatamente aquela. Tua respiração era uma sinfonia desregulada, cheia de contratempos ensaiados e melodiosos. Eu esquecia que era humano e flutuava ao menor dos teus toques, crendo que vivia em uma gravidade invertida e repleta de nuvens de ti. Até que um dia, a linha da tua boca ficou muda. Tua cara de ponto final, tão cética. Tão linda. Tão longe. Teus olhos, antes réplicas de Capitu, dissimularam para um local distante. Teu ego claro inflou teus pulmões de dúvidas. Os olhos ardiam em chamas claras. O vento jogou tuas tranças para o lado oposto. Para o lado oposto do que sonhamos em ser. Viramos cometas de galáxias distantes. Viramos gravidades opostas. Viramos apenas um ensaio de nós.

Eu sei que estou no meu quarto copo de cerveja e que o nosso amor não é pra essa vida, mas deixa eu acreditar, só um pouquinho, que estamos reservados para algo além do que somos. Te vejo sendo tão infinito e isso não é normal. Quase sempre me pergunto por que você brilha tanto,…
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Eu sei que estou no meu quarto copo de cerveja e que o nosso amor não é pra essa vida, mas deixa eu acreditar, só um pouquinho, que estamos reservados para algo além do que somos. Te vejo sendo tão infinito e isso não é normal. Quase sempre me pergunto por que você brilha tanto, me perdendo em meio a teorias ensaiadas. Eu tenho um jeito brega de metaforizar as tuas características mais comuns. Quinto copo. E a memória senta ao meu lado na mesa, me parecendo uma segunda pessoa. Você me sorriu pela última vez, como se posasse para uma fotografia. Eu aperto firmemente os olhos, arquivando-a em meus pensamentos. Ela ocupará o seu lugar. Repartimos a conta. Repartimos a vida e até mesmo o céu estrelado. Deveria existir uma constelação que abrigasse todas as estrelas que já nos observaram sorrir, despreocupados, achando que aquela madrugada de sábado duraria para sempre. Em você eu vejo a passagem de fuga da realidade que não gosto. Arrisco-me ao dizer que consegue desafiar a lógica quando me instiga a ter receio do nosso oitavo fim, tipo aqueles fins que necessariamente nunca se acabam. Pois, no meu mundo, não há verdades absolutas. Você sempre será a minha controvérsia. Mais cerveja. E eu alucino. Te encaro, devoro. Não ligo se a multidão dos teus desafetos me pisotear. Mergulho nas águas do apego e quase me afogo com todas as palavras que nunca te disse. Não me assusto. Nunca fui de me vestir com os erros dos outros, com os seus não seria diferente. Fui sincera na mesma intensidade em que pensava em planos infalíveis, sempre saindo da história como a vilã que enlouquece no último capítulo. Você recua um passo quando eu exijo nada menos que um final feliz. Mas ainda estou no bar. Eu e a minha memória. Eu, minha memória e o copo de cerveja. Então percebo que você percorreu os meus labirintos, encontrou os pontos fracos e, como quem tem todos os mapas, descobriu sentimentos em mim. Sentimentos são cidades fundadas dentro do peito. Inabitadas, cercadas de concreto e flores. Sentimentos são frágeis; saiba preservar. Cuidado com os escombros. Tente reflorescer. Mais um copo. E ainda tenho muitos tijolos para recolher. Você me atingiu em cheio, trazendo nos olhos fundos a artimanha de me fazer pensar em qual ponto do caminho falhei por nós. Você! Com essa sua indiferença que carrega na lábia a espontaneidade de quem nunca tem nada a perder. Que enfia os pés pelas mãos com a sutileza de quem sente prazer em correr riscos. Qualquer palavra etérea sai da sua boca em tom de você-diz-isso-para-todas. Solto um sorriso amarelo; sei que é verdade. Bem, honestamente, você já provou todos os gostos. E eu aqui. Tão cerveja. Tão memória. Tão louca. Acreditando que é conspiração quando você entra na minha vida de qualquer jeito, mesmo que não queira fazer parte dela. Talvez, bem lá no fundo, você precise de alguém que tope entrar em coma emocional pelas tuas loucuras. Talvez você precise do meu lado fraco, dos suspiros e da minha insensatez. Precisa do meu caos e da destruição em massa que ocorre dentro das minhas cidades. Precisa sentir o abalo e as trepidações enquanto sussurra no meu ouvido frases nada inéditas. É. Mais um gole com gosto de ausência. Mais um céu sem estrelas. Mais um amor que não é pra essa vida.

A pressa que tenho eu carrego na alma. No pensamento que me pesa, no tempo que me alivia. Tenho pressa no nome, no beijo. Tenho pressa na frase que brinca na ponta da língua, aquela que os olhos falam antes da boca. Eu tenho pressa dos problemas que ainda não tenho. Do ônibus que…
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A pressa que tenho eu carrego na alma. No pensamento que me pesa, no tempo que me alivia. Tenho pressa no nome, no beijo. Tenho pressa na frase que brinca na ponta da língua, aquela que os olhos falam antes da boca. Eu tenho pressa dos problemas que ainda não tenho. Do ônibus que não passou. Do abraço que não recebi. Tenho pressa quando esqueço. Quando um minuto vira uma hora. A pressa eu trago no gosto, arrasto com o cheiro. Pressa que me contamina, me dissolve, me reanima. Tenho pressa no vento que sopra, no sopro do peito, no coração inflamado. Do tombo que não caí. Da decepção que irei de ter. A pressa do futuro que sorri parado na esquina. Do passado que virou um borrão de tinta. Do presente tão presente. Tão relógio. Tão gosto. Tão radioativo. Tenho pressa naquilo que ainda não aprendi. No sentimento que não sei o nome. No amor honesto. Tenho pressa em ser feliz com meus olhos atentos, pés firmes e braços abertos.

Eu falo em seguir em frente, mas eu mesma nunca fui muito de ouvir os meus conselhos. Cometo erros, esqueço aniversários e sou grossa até quando não quero. Mas, apesar dos meus defeitos, sempre tive muitas expectativas no amor. Sério! Como seria. Que formato teria... O que eu nã…
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Eu falo em seguir em frente, mas eu mesma nunca fui muito de ouvir os meus conselhos. Cometo erros, esqueço aniversários e sou grossa até quando não quero. Mas, apesar dos meus defeitos, sempre tive muitas expectativas no amor. Sério! Como seria. Que formato teria... O que eu não sabia, e o que ninguém me disse, é que o amor não é aquela bala perdida que te acerta sem mais nem menos. Bom, pelo menos comigo funcionou diferente. Foi como ter um alarme no peito e escutá-lo esbravejar. Sentir que era a hora de ser um plural. O amor te deixa bobo e paranoico. As nuvens passam a ter formas, os pássaros cantam mais alto. Você não é você quando se apaixona. O mundo é colorido em duzentos tons de vermelho e você gosta de escutar promessas, mesmo que não tenha pedido para ouvi-las. Amor é pensar fora do corpo. Saber ler mentes, decorar trejeitos e, quem sabe até, aprender a fazê-los também. Amar é abaixar a guarda e mandar o exército de autossuficiência recuar. Amar é compromisso. Amar é uma palavra decisiva. E palavras são destinos, caminhos em linhas que a alma escreve. Escreve na parede do peito do outro. Até porque, você não pode iniciar um incêndio sem uma faísca. Você ama pela convivência, ama pela afinidade. Ama e entende que ser perfeito não interessa. Perfeição não discute, ela tem medo de ser machucada. Pois com a perfeição não existem os receios. Não tem meio termo. A perfeição te deixa desleixar e some com todas as coragens que você nunca pensou em ter. Então, por algumas vezes, posso até pensar que o amor é uma bala perdida sim. Pois você sobrevive. E recomeça. E valoriza o que tem. Faz planos, compra duas passagens, dois travesseiros. Aprimora-se por dois, se reinventa duplamente. Dentro do nosso universo existe um equilíbrio maluco. O que um faz, o outro faz. No amor eu consigo improvisar. Aprendo que ser melhor é cronológico, enquanto os sentimentos são atemporais. Aprendo que tenho medo de cometer erros, tenho medo de passar os meus aniversários sem ninguém por perto, medo de ter um vinho na geladeira por mais de três semanas por não ter com quem beber. Percebi que a vida não é um conto de fadas. É concreta, com pessoas e sensações reais. E essa realidade me envolve, atiça e pasma. Pois, neste plano, o amor será sempre o nosso ponto de encontro. Ponto de ônibus coberto que nos abriga em dia de chuva. Eu subestimei o amor e a capacidade que ele teve de me mudar. Mas o amor também me subestimou e eu provei - para mim mesma até -, que ter alguém para esquentar os pés (e o coração) não era de todo ruim.

Toda intimidade tem o seu mal, você sabe. Sabe que conhecer profundamente alguém é um caminho sem volta. É primavera! Ele sabe que ela gosta de tulipas e do orvalho da manhã sobre as árvores. Sabe da sua mania de cantarolar no chuveiro e a de revirar os olhos quando é contraria…
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Toda intimidade tem o seu mal, você sabe. Sabe que conhecer profundamente alguém é um caminho sem volta. É primavera! Ele sabe que ela gosta de tulipas e do orvalho da manhã sobre as árvores. Sabe da sua mania de cantarolar no chuveiro e a de revirar os olhos quando é contrariada. Quando o casal termina, um bocado de outras milhares de coisas entram em um espaço vazio. As paredes foram as suas confidentes; tudo o que passou morre entre elas. Há história nos lugares mais banais da cidade. A cafeteria, ela indicou. O bar da esquina, era o refúgio dele de toda quinta-feira. Existiu verdade onde brotou o silêncio. Existe um passado mudo, congelado, pronto para ser mencionado onde a saudade atentar. Pois o passado é uma pessoa invisível que anda ao seu lado, que cresceu junto com todos os caminhos que você escolheu deixar para trás. E ela é um álbum de memórias, suas lembranças estão coladas em seu corpo. Ainda existirá ele quando a sua música favorita tocar no rádio. Existirá ela quando as flores começarem a desabrochar. De novo e de novo. Emoções são momentos bons subestimados pela força do tempo. Emoções são tão incertas quanto um último suspiro. Há emoção nos olhos que se cruzaram, nas peles que se afrontaram. Há emoção na simplicidade do afeto, na decepção que, por ventura, calou qualquer voz. Emoções são belezas cruéis; somos vítimas delas. E o tempo não para! Eles vão se tornar cada vez mais vítimas. Cada vez mais distantes. Talvez o mundo os separe, ou o sentimento de que algo bom aconteceu - e valeu a pena -, os una. Seus nomes sairão um da boca do outro em tom de poesia. Até porque, além do espaço vazio, há milhões de mundos novos a serem descobertos para quem cai na atmosfera de outrem. Nestes mundos não existem partidas, apenas chegadas. Existem sorrisos incalculáveis e pouca pressa! Então, ainda é primavera! E, com ela, o recomeço não parece ser algo tão ruim. Pois pessoas são linhas que se cruzam de vez em quando. Sinuosas. Pessoas são trens rápidos, ansiosos pela próxima estação. Aí você finalmente aprende que pessoas são lições que a vida te dá. Então, lá está ela. Hoje é quinta-feira, ela decidiu entrar no bar da esquina. Ele pode estar tomando um café neste exato momento. Até mesmo admirando tulipas. E no meio disso tudo, pode ser que os sorrisos brilhem em seus rostos. Um precisava acontecer para o outro. Um precisava existir para o outro, mesmo que fosse apenas por uma breve queda na atmosfera.

Ela olhou para o celular mais uma vez. Ela esperou um convite que nunca viria. Suspirou. Engoliu o choro. Mexeu no cabelo.
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Ela olhou para o celular mais uma vez. Ela esperou um convite que nunca viria. Suspirou. Engoliu o choro. Mexeu no cabelo. Ela sussurrou saudade. Ela espiou mais uma vez. Nada. Ela queria uma confirmação, não um certificado de importância. Ela encarou um horizonte triste. Ela pensou na possibilidade de ser a escolha em meio a outras opções e sorriu. Sorriu triste. Sorriu pesarosa. Sorriu como se esperasse um dia de Sol em meio as nuvens nubladas. Ela sorriu com os olhos miúdos protagonizando algo entre esperança e agonia. Ela olhou para o celular mais uma vez. Mordeu o canto da boca, como sempre faz quando está nervosa. Inspirou. Trocou as pernas cruzadas de posição. Ela esperou um recado tosco. Ela queria até uma piada sem graça. E nada. Sorriu como sempre faz. Como se fosse rotineiro não obter uma resposta. Sorriu omitindo a culpa que era lembrar sem ser lembrada. Ela sorriu. Ela olhou para o celular mais uma vez. Queria um hóspede em seu corpo. Queria as pontas dos dedos passeando entre o seu cabelo. Ela lembrou. Ela sorriu. Ela olhou para o celular mais uma vez. E bloqueou a página que trazia um rosto. Que trazia um nome. Nome tão curto, de consequências tão devastadoras. E bloqueou o choro. Bloqueou o coração. Ela sorriu. E pensou "Vai passar. Sempre passa."

Ser do signo de Câncer é ter a certeza de que, em seu coração, há um livro de romance esperando para ser escrito. “Sensível” é o seu segundo nome. Não peça explicações quando ela mesma não sabe se explicar. É sentir a emoção antes da razão; o carinho antes do toque. É viajar em u…
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Ser do signo de Câncer é ter a certeza de que, em seu coração, há um livro de romance esperando para ser escrito. “Sensível” é o seu segundo nome. Não peça explicações quando ela mesma não sabe se explicar. É sentir a emoção antes da razão; o carinho antes do toque. É viajar em uma nuvem carregada de sonhos, flutuar até onde a imaginação alcança. Lunáticos por natureza, cautelosos por sobrevivência. Ser canceriano é ter a capacidade de doar o coração ao outro. É saber ouvir com a alma. É cuidado. Os sentimentos são como vidro, nem pense em não segurá-los pelas pontas dos dedos. Câncer é a proteção por trás do conflito interno, é a reconciliação difícil, a resistência teimosa. É ser um caminho de flores, às vezes repleto de espinhos. Saiba onde pisar! É ser cativante como uma melodia doce; os seus conselhos superam as suas ações. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!” – bem-vindo ao mundo dos caranguejos. Mas nem por um segundo pense que conhece verdadeiramente um canceriano, ele pode lhe surpreender. Por trás da postura vulnerável um vulcão em erupção corre através das suas veias. Intensidade é a sua corda bamba. Rancor e ternura correm em sentidos opostos, é 8 ou 80. Ser de Câncer é decorar o alfabeto de sentimentos de trás pra frente. É ser instável como as marés e ter várias fases, assim como a Lua. A oscilação de humor é um carro que pega de 0 a 100 km/h em 3 segundos. Não diga o que ele tem que fazer, pois não será ouvido. Não tente uma batalha emocional com o canceriano. Essa é a sua arma. Está no território dele. A facilidade com a qual Câncer consegue lidar com os extremos de si é mágica e complexa. Tornar-se distante e frio é tão fácil quanto mostrar lealdade a quem gosta e, acima de tudo, aos que demonstram igualdade e confiança. O rancor interminável é uma mania feia que os caranguejos nunca aprenderão a superar. Ser canceriano é ser um colecionador nato. Há um museu em sua memória. Há histórias e mais histórias em cada objeto e fotografia que já guardou. Colecionam desde amores e decepções, até lugares e segredos. O passado é o seu ninho. É algo protegido a sete chaves. É um laço difícil de ser rompido. E ai de quem duvidar do sexto sentido canceriano! Ai de quem duvidar de que, mesmo com um olho no passado, ele se preocupa com o futuro! Ai de quem duvidar de que ele não consegue lidar com milhares de características em apenas uma personalidade! Ser ambicioso e ciumento, mas ao mesmo tempo, humanitário e generoso. Tímido e impaciente. Calmo e amante de aventuras. Ser do signo de Câncer é amar incondicionalmente. Seja um livro, uma música ou alguém.

Talvez eu não te leve pra vida toda. Talvez eu te carregue como um peso na mente, até a metade do que me sustenta. Não sei. Você não é aquela cena da minha mãe e do meu padrasto dançando Elis Regina na sala pequena. Você não é a minha avó dando o primeiro passo para fora do hospi…
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Talvez eu não te leve pra vida toda. Talvez eu te carregue como um peso na mente, até a metade do que me sustenta. Não sei. Você não é aquela cena da minha mãe e do meu padrasto dançando Elis Regina na sala pequena. Você não é a minha avó dando o primeiro passo para fora do hospital depois de uma recuperação difícil. Você não é o pai que não se despediu e foi embora mesmo assim. Você não é nada! Porque você não me conhece. Não sabe que eu tenho insônia e gosto de música clássica. Não sabe que os meus sonhos são do tamanho do mundo. Desconhece as minhas asas. Nunca saberá que a sua ausência me prendia numa cidade que seus pés mal tocavam. Você vai perder o meu próximo aniversário, assim como a formatura e a minha primeira viagem pra Ásia. Não vai saber que eu sempre quis andar de bicicleta pela Dinamarca e chorar assistindo o balé russo. Jamais vai saber que o meu coração é frágil, despedaçado, porém aberto e navegável feito um mapa. Então você será apenas uma coordenada errada. Uma saudade indesejada. Uma canção lenta no violão. Pior. Você não será. Não será nada!

Eu vou dizer que te amo da boca pra fora, com os lábios cheios de orgulho e veneno apaixonado letal. E, gradualmente, da mesma forma em que o entardecer transita da noite para o dia, vou guardar todos os teus segredos em alguma nuvem de mim. Aí, meus olhos vão enxergar a neblina…
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Eu vou dizer que te amo da boca pra fora, com os lábios cheios de orgulho e veneno apaixonado letal. E, gradualmente, da mesma forma em que o entardecer transita da noite para o dia, vou guardar todos os teus segredos em alguma nuvem de mim. Aí, meus olhos vão enxergar a neblina dos teus e atravessá-las feito um cometa. A chuva do meu céu tem o mesmo cheiro que flui do teu abraço quando me cerca. E eu fico ali, boquiaberta, orbitando fora do meu sistema, flertando com as tuas intenções, tropeçando em palavras. Porque, por você, eu estou disposta a viver sem saber o que vai acontecer. Aceito improvisar. Aceito ser o agora ou nunca. Eu quero os teus olhos escrevendo o meu nome. Eu quero que você leia os meus lábios e sobreviva com as minhas dúvidas. Eu quero a certeza do momento, mas não um contrato com o pra sempre. Eu vou dizer que te amo da boca pra fora, com êxito em cada sílaba, para disfarçar a pressa que tenho em ser amada de volta. Aí você se transformará na promessa que fiz ao vento. Na memória ininterrupta. Na vida que ainda não vivi. E, subitamente, da mesma forma que o céu toca o mar em dias de tempestade, vou guardar você no meu impossível. Aí, teus olhos vão se tornar o meu anticorpo contra o pessimismo. Por você eu aceito ser fraca. Aceito mergulhar em águas rasas. Aceito ser menos tóxica. Pois eu quero o explosivo que vem enrolado nos teus sentimentos. Eu quero inventar as respostas das perguntas que as pontas dos teus dedos fazem ao meu corpo. Eu quero te esconder em cada hora do meu dia. Eu quero ser o destino que você chama de acaso. Porque, por você, eu aceito ser coincidência. Eu vou dizer que te amo da boca pra fora. Que te amo pelos pulmões. Que te amo em cada artéria. E, naturalmente, vou descobrir que quem me envenena é você. Aí, você aceitará ser a minha contradição. O meu calor. A declaração de amor que nunca fiz. Então, seremos o óbvio. Seremos o prazer do arrepio. Os que se amam em três palavras, mas que podem se destruir em duas. Mas aí, seremos fracos demais para roteirizar uma nova solidão. Estaremos perdidos em nossa própria intimidade. Nós não saberemos mais voltar ao início das nossas histórias se isso arrancar um da alma do outro. A incompetência é o nosso vício. Eu arrebento no lado mais fraco. Eu termino onde você começa. Eu te amo da boca pra fora, mas isso você já sabe.

Nós somos um amontoado dos nossos danos. Nossos olhos cor de terra fazem fronteira. Meu outono não combina com a sua primavera. Um cai e o outro se regenera. Um chora e o outro ri. Nossos defeitos superam as nossas qualidades. Nossos sonhos não estão mais guardados na mesma caix…
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Nós somos um amontoado dos nossos danos. Nossos olhos cor de terra fazem fronteira. Meu outono não combina com a sua primavera. Um cai e o outro se regenera. Um chora e o outro ri. Nossos defeitos superam as nossas qualidades. Nossos sonhos não estão mais guardados na mesma caixa. Há sempre um conflito, você é a razão. Eu sempre perco a guerra. A emoção é a minha trincheira. Músicas declamam as histórias que jamais contaremos a alguém. Vamos odiar e, por fim, esquecer. Talvez sentir inveja por elas durarem mais do que o nosso encontro. Um abismo de palavras não ditas nos consome. Pois não há antídoto para o silêncio. Ele é a resposta para as perguntas cujo resultado já sabemos. É território neutro. O meio termo. E sempre odiamos meio termo. Nós somos o que ninguém viu. Os cacos do que ninguém sentiu. Há história por trás do desvio do olhar. Há contratempo nos assuntos que morreram em alguma desistência nossa. Há estranheza nas letras de canções familiares. Eu já usei aquela sua camisa azul e você já reclamou do meu vizinho que fala alto. Há vida por trás das situações que enterramos; das peles que assinamos. Pois o silêncio também narra romances ruins. O clímax não interessa mais quando o fim chega. Os motivos para ir embora sobrepõem o oposto. O mundo ficou pequeno para as nossas birras. O nosso enredo não atrai. Nos entediamos na mesma frequência. Nossos nomes não estão no título de uma música do Legião Urbana. Você não estava perdido e não se agarrou a mim. Não tivemos o nosso próprio tempo, pois todo o tempo do mundo já estava cronometrado. Palavras são erros e os erros, bem, são meus.

"Ando meio desligado. Voando sobre as nuvens de mim mesmo. Sei lá. A vida me cumprimenta, finjo que não é comigo e continuo andando. Devo ter me perdido um pouco no labirinto do acaso, entregue a própria sorte, que também não vai muito com a minha cara.
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"Ando meio desligado. Voando sobre as nuvens de mim mesmo. Sei lá. A vida me cumprimenta, finjo que não é comigo e continuo andando. Devo ter me perdido um pouco no labirinto do acaso, entregue a própria sorte, que também não vai muito com a minha cara. E ali está ela, toda feita de primeiras impressões e vontades subentendidas. Pergunto-me o que se esconde por trás dos olhos cor de terra, além das possíveis dores desnecessárias. Ela parece feliz. É inadequado pensar em nós, pois a palavra “nós” não cabe mais dentro do que nos tornamos. Ela ainda tem aquela expressão serena de alma súbita, que pulsava em suas veias enquanto dizia o meu nome. Sabe das minhas idas e vindas, sabe o que eu penso antes mesmo de eu pensar. E está ali, do outro lado da rua, talvez desligada também, se perdendo em alguma rota de si mesma. Quero chamá-la, convidá-la para o café sem leite e sem açúcar que sei que ela gosta. Aquele que ela deixa esfriar propositalmente, não porque esquece, mas por gostar do toque frio da bebida. Então reflito sobre os nossos danos em meio aos anos de guerra e paz. Ela não é digna de que eu entre em sua vida e aprenda a gostar das coisas que ela adora, pois tudo o que ela toca parece virar pedra. Isso também vale para o coração. Então, faz eu me sentir culpado, sem meio-termo, talvez um pouco paranoico e estupidamente emotivo, por todas as brigas que eu recuei pelo medo de perdê-la. Sei lá. Ainda a encaro. Tento não me apaixonar pela mecha que cai discretamente em seu rosto. Aliás, se apaixonar vai ser sempre a melhor/pior coisa que se pode tragicamente – ou não – acontecer com alguém. Apaixonar-se pela avalanche de dúvidas, pelo penhasco de confusões, onde sutilmente estamos caindo. Ela sabe tão bem o que quer e eu sei disso pela linha reta e firme que se forma em sua testa. Eu fui o seu erro. Ela competiu entre os meus sonhos e os meus medos. Decidiu ser só uma escolha em meio a milhares de escolhas. Só um pedaço do amor honesto que, no momento, me faz perder um pouco a pose, quase me desmascarando. E ainda estamos caindo. Em velocidades atrativamente parecidas, até porque sempre achei que a maioria das pessoas passa pelo luto de um jeito igual. E a nossa tristeza meio que combina, mesmo que em sua mais bela e formosa superficialidade. Ela não está pronta para ouvir a minha voz. Torço para que não encontre alguém melhor que eu. Penso que sou egoísta. O amor tem lá o seu egoísmo. O amor não pede a nossa opinião, tampouco os sentimentos que habitam em nós. Mas, se encontrá-lo, que seja alguém decente, que finque os pés no chão quando os temporais de indecisões que a aflige despencarem do seu peito. Ela caminha um pouco em meio ao friozinho de outono. Ouço os seus passos curtos, como se estivesse caminhando no corredor de nossa antiga casa. Não sei se é obra do acaso, ou apenas uma extensa peça de teatro cheia de atos e clímax, aquela que certamente fracassei como vilão. Eu amava uma garota e uma vida e sinto que perdi o controle de ambas. Sei lá. É que tudo parece descomplicado quando as promessas eram só piadas sem graça contadas na varanda, em plena sexta à noite. Nunca fui bom com piadas. Devo ter levado tudo a sério. As frases soltas ainda fazem sentido, assim como as músicas, os livros e os karmas. Sinto a enorme vontade de perguntá-la: “você sabe o que está perdendo?”. E entre a infinidade de respostas matematicamente possíveis, ela soltaria o sorriso contido que sempre deixa no ar quando não quer magoar ninguém. O silêncio também é uma resposta, talvez a mais expressiva delas. O silêncio é a sua marca registrada, o seu charme sempre foi o mistério. E eu admiro os dois, mesmo que me dilacerem mutuamente. Ainda voo sobre as nuvens de mim mesmo. Ela ainda está de pé, pensando em nada, servindo de paisagem para os meus devaneios. Eu sou o estranho do outro lado da estrada. Eu a fito propositalmente de um jeito que encabularia qualquer ser humano desse planeta, até mesmo os não-praticantes. Por que mesmo estamos desistindo? Por que eu me considero tão inocente no instante em que sinto o amor afundar em mim? O que ela tem que faz com que o tempo seja só uma palavra tosca do dicionário? Sei lá. Subitamente, o seu olhar me encontra. Paro de respirar, minhas lembranças fazem uma pausa, meus nervos estremecem. Ela chega a franzir a testa, desatinando em minha direção uma expressão perdida, como quem explica que o lugar dela não era ali. Não era aqui. Ela já chegou ao final do penhasco, ajeitou o cabelo, relaxou os ombros e foi viver a sua vida. Não sei quais são as regras do cemitério de amores. A gente se esbarra? A gente se cumprimenta? Conta como que tá a vida? Fala do divórcio dos pais, da queda da bolsa, da paz mundial? Eu te dou um beijo no rosto ou te abraço? Aceno de longe com a mão ou, indiferente, inclino levemente a minha cabeça em uma saudação seca? Esperei pelo sorriso contido seguido das frases soltas. Desejei em meu íntimo um convite inesperado para contar as estrelas, enquanto a gente se envergonha no escuro da noite. Ela - com a delicadeza de uma nuvem -, encontrou a sua rota, talvez nunca perdida, e seguiu em frente. Seguiu para a vida que não teremos, com amigos que não vou conhecer. Sempre achei que ela tomava decisões certas, quem sabe partir foi uma delas. Eu ainda era o estranho. O estranho que não aprende nunca. Ela nem precisou me tocar e, em um segundo, eu já havia virado pedra."