Máscaras do poeta fragmentado Sob a lei da máscara, da ambiguidade de todas as tuas máscaras imprecisas, te escrevo.
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Máscaras do poeta fragmentado Sob a lei da máscara, da ambiguidade de todas as tuas máscaras imprecisas, te escrevo. Oculto por elas, assim te revelas sem nunca te revelares. Mesmo quando detrás delas te queres o outro de muitos outros, e sem elas te desejas confundir com o herói homérico. Invoco-te, ó dividido, ó sem nome, ó viúvo de ti mesmo, ó irrevelado de muitos nomes inventados. Ó navegante perdido no sonho do teu Mar Português onde o céu se espelha ― mar por ti cantado, onde sonhaste o sonho persistente: ― no poema erguer a Pátria, porque «tudo vale a pena se a alma não é pequena». Invoco o teu nome, grande e tormentoso no instante em que sendo deixaste de ser. Navegaste no teu navio sem quilha e sem bússola de mareante. Navegaste como se nunca tivesses deixado este cais sem Cais ― o cais da tua ausência e solidão. Do tamanho do que sonhaste te fizeste Nome Maior.