Hoje acordei assustado Percebi que tenho oito anos Há um monstro do meu lado
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Hoje acordei assustado Percebi que tenho oito anos Há um monstro do meu lado E outros dois nos meus sonhos Cadê meu pai? Cadê minha mãe? Que viessem me socorrer Acho que o bicho-papão Quer me todo comer Hoje acordei cansado Vi que tenho dezoito anos Enterrei sonhos do passado E realizei alguns planos Cadê meu pai? Cadê minha mãe? Que viessem me socorrer O adeus ao meu namoro Eu quero mesmo morrer! Hoje acordei casado Vi que tenho trinta anos Tenho filhos ao meu lado Do jeito que planejamos Cadê meu pai? Cadê minha mãe? Que viessem me socorrer A minha conta de luz amanhã já vai vencer Hoje acordei solitário Vi que tenho oitenta E me cuida um voluntário do asilo “Mais Sessenta” Cadê meu pai? Cadê minha mãe? Que viessem me socorrer Queria ao menos cinco minutos Para de novo poder os ver Mas hoje o tempo levou tudo Deixando só a memória Ando ficando meio confuso Esquecendo de minha história Quem é meu pai? Quem é minha mãe? Quem é você? Quem sou eu? (MURGH, Allan. Memória perdida. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 123).