É fim de tarde,
ouço poucas vozes,
o que será que
esse medo veio fazer aqui?
simplesmente, apagar o meu refrão,
desvirtuar as letras que escrevi
mas vejo um céu maior
além dessa nuvem escura,
há algo mais.
§
É preciso persistir
no ofício de peregrinar
a palavra é metáfora
fonte das almas
pastos de sombras
Livros & pensamentos
-
Envia-nos,
como viajantes
na haste do espírito humano
distintos em consciência
habitando nos quintais
desse mundo
-
Eu fiz peregrinação
até Jerusalém,
Fui um correspondente
No afã da aventura
§
Conheci,
A geografia das almas,
pelos mistérios
do mundo
§
Dificílimo.
É permanecer
continuar a ser
peregrino
Aprender.
§
"Tentei desvendar séculos passados,
lancei semente na seara das palavras,
brilhou em mim, uma floresta de cultura
arvores brilhantes nos galhos da imaginação".
§
VAZIOS
—
E se eu fosse embora, agora?
Onde estariam todas essas sementes?
É tão vã essas palavras, vejo isso ao chão
todos dormem, inclusive meus sonhos
a memória é sempre resposta à saudade
a vaidade humana um frio sem cobertor
—
Nos olhos, há choros, vazios e dor
rios na tristeza do tempo,
suspensa sobre uma fé imatura
o dia é penumbra
deixei de lado o cair da noite
desencantos e solidão escreverem no verso
—
Talvez um dia eu volte, em plena lua cheia
Talvez eu traga certezas em outras palavras
talvez haja planícies em meus olhos
talvez me chamem para tomar um café
ou encontre abismos.
—
Esse papel é um pedaço de nada
sombras e silêncios empoeiradas
um toque invisível do envelhecer
a angustia do mundo em velas com chuvas
—
Apenas esquecimento em meia escuridão
chega de palavras, de frases sem sentido
o chão do real é um poema de homenagem
a quem quer pensar.
§
MEMÓRIAS
—
“Foi por intermédio da Bíblia, que eu entrei nos rios da literatura”. Mergulhei no livro do gênesis (Sefer bereshit) e quando vi, já estava em romanos; não consegui mais sair. Era um viajante cheio de fantasias, diante de um vasto universo. Renunciei aos traumas (memórias), e passei a ter uma visão mais humanística. Sem interrupção prossegui, entre bênçãos e incompreensões, não se tratava de ideologizo estético, ou moral, mas de uma reforma que acontecia em mim, séculos antes de conhecer quem era Lutero. Uma reconstrução do que é belo, uma reposição do encontro com a vida, através da palavra.
ETERNIDADE
—
Há sinais de eternidade
em tudo que vi
no céu, no mar, na luz
nos trovões, e amanheceres
no silêncio e nos temporais
Cristo revelado, exaltado
o verbo vivo entre nós!
VOZES SIMPLES
-
O meu verso é simples, apenas simples
qualquer criança decifra
não há apelos herméticos
o sol neles é sombra
é chuva que cai ao solo
risada alegre, é simples olhar
ausências em toques mágicos
e esperança em cores douradas
Uma criança me perguntou:
— Moço, o que é a chuva?
como é o rosto da lua?
& quantas flores cabem em um jardim?
-
Meu filho, a ternura dos pássaros está em saber esperar.
A FAZENDA DO LAGO
-
Imagem do passado
Calmaria em memória de flores
Do passo, ao contubérnio.
da paz ao esquecimento
§
Diante desse quintal
Existem páginas enroladas
e algumas árvores
cheia de frutos caídos
§
Em poucas palavras
um céu tocado por cores
em ventos simples
Eis a imagem da fazendo do lago
"Paulo, elogia a voz a fala autêntica das escrituras,
Pedro, ressalta o olhar amplo do escritor,
A iluminação para alguns, às vezes vem!
E quando vem?
Quando vivemos, uma vida de serviço e amor.
O poeta con[vida],
Vem comigo, pintar o céu
com cores transparente de instantes
vem contempl[ar] as aquarelas
Tu olharás pela janelas
Verás o mundo
com outros olhos.
§
Deus é amor? Sim.
Mas onde eu consubstancio essa experiência?
Além das gavetas religiosas da minha mente?
Deus é real? Sim.
Mas o que ele quer nos ensinar agora?
Exatamente, tentar aproximar as escrituras do nosso solo existencial.
A experiência de leitura com a palavra
refletindo sempre no espelho da vida.