O amor às vezes é apenas um modo de bajular quem tem o que se precisa. Amamos a bajulação porque ela nos traz nosso verdadeiro interesse. O amor incondicional é uma mentira. A bajulação esconde um desejo contrário. A morte nos ensina que todo sentimento cessará. Somente o desejo de eternidade nos mantém firmes. Quem ama o mundo todo por igual é apenas uma alma penada vagando no mundo disforme do 'não eu'. Já está morto. Diga sim ao oposto e se funda com ele. Não pelo conflito, mas pela aceitação. O amor reconhecesse o oposto ao invés de usá-lo ou eliminá-lo.
Se deprimir é cansar da máscara. É destruir o falso ser que se apossa do verdadeiro ser que é o corpo. Deprimir-se é atacar instintivamente as personas criadas no corpo através das repressões e opressões. A depressão é o contra ataque final. Se as personas vencerem o indivíduo morre. Quando ele se mata são as personas que o mataram. Quando ele resiste então sua depressão se torna o si mesmo, anárquico, rebelde e hostil a tudo que se mova contra seu corpo e tudo que há nele.
Necessidade de atenção denota incapacidade de se contentar com o amar a si mesmo. Se amasse a si mesmo não buscaria o amor alheio, a admiração alheia, a atenção alheia. Nossas virtudes são vistas nas nossas ações, mas sem ação a atenção que vem é apenas um vazio que depende de outro vazio.
O dualismo está causando a ruptura entre coisas complementares. As pessoas estão em conflito e quem se beneficia é quem lucra com os dois lados. A competição estimula a dedicação do escravo. É momento de unir os opostos, de gerar através da simbiose natural. Esta é a verdadeira ciência, que objetiva entender que os opostos só se autodestroem se forem considerados estranhos um ao outro, mas como a complementaridade do dia e da noite, homens e mulheres devem encontrar seu elo e não sua hegemonia individual.
O frenesi em torno da expropriação do homem em divórcios tem uma explicação. Não é preocupação com a mulher, é que o dinheiro na mão dela gera mais consumo. Homem bruto não gasta em shopping, não compra produtos de beleza, não gasta em salões, não vive em shopping comendo, comprando roupa e viajando. O mesmo está para o público gay, cliente certo. Não precisa dar licença maternidade para ele, que tem tempo de sobra para o trabalho. O humanismo pobre e desigual do status quo do capital não se trata de comoção com causas, mas com compulsividade em lucro. Burguês não está nem aí para os embates de moral, isso ele deixa para os que estão na fila de compra. Há os que gastam com orgia e os que ostentam bençãos materiais de Deus.
Não há pessoas piores que aquelas que não suportam a liberdade dos outros e aqueles que fazem da própria liberdade uma norma ou uma forma de chamar atenção. São ambas perversas e viciadas. Umas em projetar nos outros o que tem em si mesmas e outras em fazer de seus próprios atos uma forma de espetáculo circense que denota falta de equilíbrio e auto domínio.
O que a natureza me mostra? Ao invés daquilo que eu imagino sobre ela? A ciência estuda a primeira pergunta, a religião se baseia na segunda. Assim, é da ciência que tiramos nossa religião. Criamos contos, símbolos e ilustrações com base em uma ciência naturalista e não em histórias e mitos que apenas expressam idéias.
O gnóstico confunde linguagem e percepção com "materialismo". Conferem a elas figuras e passam a considerar a figura acima daquilo da qual elas vieram. Ou seja. Você usa sua percepção e depois a nega. Gnose é ciência. Nada além disso. Os antigos deram personificações aos elementos da natureza e criaram dela mitos para ensinar os novos alunos das academias iniciáticas.