Que eu não ponho cada coisa em seu lugar
Comigo nunca foi assim
Princípio, meio e mais o fim
Que o meu fim é no começo das estórias
Onde eu morro pra nascer
No escuro é que eu sei ver
Eu não tenho esse poder de julgamento
Mas quando há bondade em mim
O bom nasce do ruim
Prezo muito a intensidade do momento
Meu amor quer me beijar
Eu procuro aproveitar
O tempo, no fundo é uma eterna criança,
que não soube amadurecer.
Eu posso, ele não vai poder me esquecer!
(Música Resposta ao Tempo, composta em parceria com Cristovão Bastos)
Angústia de Influência
A mulher e o toureiro
têm em comum o cheiro
de sangue no esmero da roupa
têm em comum a graça
com que transpassam
a besta com a capa e a espada
têm em comum o estro
poético do gesto antes da
morte, os olhos de martírio
o homem-fera
babuja a bainha da Valquíria
quando
o infinito
lavra no lacre
seu sinete:
a besta expira, atônita
diante da verônica
de Manolete
Hefesto
Um dia inteiro
para
em queda livre
beijar o solo.
No tempo mitológico
o dia é a vida.
Os filhos que ficam
grudados na mãe
passam toda a vida
caindo.