Um dia desses, refletindo sobre a minha existência e sobre muitos dos questionamentos que dela tiveram origem, percebi algo tão simples e óbvio: ser feliz é possível.
Certamente, muitos diriam tratar-se de utopia, mas fui capaz de entender que utópico mesmo era tomar essa ideia como verdade absoluta e seguir a maré.
Mas eu compreendo esse tipo de pensamento, até porque eu também compartilhava dele, pois numa sociedade dinâmica como a nossa é muito mais fácil deixar-se levar por opiniões pré-formadas a guiar-se por um pensamento dialético.
O cerne da questão está em estabelecer uma definição do conceito de felicidade. Se não somos capazes de defini-la, como podemos decretar ser impossível alcançá-la?
É certo que a visão que cada pessoa tem do assunto advém da maneira como cada um o vê. Se tomamos a felicidade como algo a ser alcançado, é muito provável que passemos a vida angustiados, buscando o que para nós parece ser inatingível. Por outro lado, se a enxergamos como um estado de espírito originário das mais diversas razões e, assim como todo estado de espírito, passível de mudança, somos capazes de subtituir a ideia equivocada de felicidade plena pelo pensamento de que a vida é, na verdade, constituída por momentos de felicidade e momentos de infelicidade.
Essa é a nova visão que tenho a respeito do que é ser feliz. Tudo depende da maneira como decidimos ver o que se passa ao nosso redor. Por isso, abra seus olhos para o mundo e seja feliz sempre que você puder!
A Busca
Se procuro algo e não encontro
Talvez não esteja procurando direito
Pois todas as coisas estão em seu devido lugar
O que procuro, então, tem que estar lá.
Se procuro e não encontro
Será que o procuro realmente existe
Ou é algo que eu, sem querer, inventei?
Só para que essa busca fosse sem fim...
Mas por que procuro?
Se não encontro, por que ainda assim procuro?
Deve ser porque a busca é que me move adiante
E se desisto de procurar
Não há mais razão de ser
Não há mais porque querer
Algo que se acreditaria impossível de se encontrar.
VAIDADE CASTIGADA
Olho no espelho e não me vejo
Oh, maldita maldição que me aprisiona!
Castigo para um ser tão vaidoso como eu
Trocaria a imortalidade
para poder contemplar a minha vaidade
SÓIS
Não quero ser como o Sol e nunca quis
Não preciso estar no centro pra me sentir feliz
Não quero ninguém traçando sua órbita ao meu redor
Apenas refletindo e não irradiando luz por si só
O que eu quero é ver todos estrelas anãs
Fulgurando vida em todas as manhãs
CHUVA DE AMOR SEM FIM
Gosto de sentir as gotas deste amor que chove em mim
Amor que é tempestade e, às vezes, calmaria
Esta chuva que lava as minhas tristezas
E faz brotar em mim a alegria
Que molha o meu jardim
Que parece não ter fim...
CHUVA DE VERÃO
A chuva começa a cair repentinamente
E eu adoro quando isso acontece
Sem mais nem menos, começa a chover
Pegando todo mundo de supetão
Só eu que não!
De certa forma eu pressentia o sublime momento
E isso me enchia de contentamento...
Contemplo as gotas caindo em mim
Tocando-me suavemente
Mas cessam de repente,
não mais que de repente...
NOSTALGIA PROPOSTA
Eu canto o Amor
E nestes versos vou propor
Um apelo à nostalgia
De uma paixão fui co-autor
Experimentei aquela dor
Que só quem ama vivencia
Nos lábios senti o esplendor
que brotava em teu interior
e o meu corpo todo envolvia
Num infame dia, tudo acabou!
Mas em mim ainda restou
Um pouco de fantasia
Despedida
Um ciclo se encerra em minha vida
É mais um momento de despedida
Mais uma batalha que por mim foi vencida
Mas chegou o momento da ida
Não esquecerei o que aqui vivi
Os laços de amizade que estabeleci
Sinto, mas devo partir.
SEXTA 13
Um dia como outro qualquer
Mas há quem diga que não é
O que há de errado com o dia 13 do mês
quando cai no dia da semana 6?
Quem vê como um dia sorte
se mantém forte
E uma outra porcentagem
em que se ausenta a coragem,
tudo parece visagem.
Medo pra quê?
Pra que superstição?
Pois outras sextas como esta virão
Mas se vir um gato preto, mude de direção!
CARDIOPATIA
A dor que há em mim
Que me consome a cada dia
Que nos traços de nanquim
A minha pena anestesia
É uma dor que não tem fim
É o estopim da minh’agonia
TERMINAL
Chegou a hora de atravessar para o outro lado
Me desprender das coisas daqui e partir
Não sei ao certo pra onde
Se a pé ou de bonde
Só sei que é pra longe
Quando partir pra lá
Posso não mais voltar
Farei quem me ama chorar
Mas o que se pode fazer?
Não é assim que tem que ser?
TRANSPIRAÇÃO
Tua voracidade me excita
Sabes que adoro cada beijo
Cada infame desejo
Que em meu corpo suscitas
O teu corpo perfeito
Que em meu leito aproveito
Nesse calor é liquefeito
E vai virando suor
O enlace é desfeito
E em meu colo eu te deito
Após ter te satisfeito
Não há nada melhor
DEVANEIO...Nº04
Eu escolhi você
Mas por quê?
Só queria entender
Se bem que isso não faria diferença
Não diminuiria minha querência
Apenas justificaria o meu sofrer