SANGUE DE PRETO Caçados e acorrentados, homens e mulheres,
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SANGUE DE PRETO Caçados e acorrentados, homens e mulheres, por um povo diferente, tribo de brancos como as nuvens do céu, traídos pelos nossos, ao léu! No barco, um balanço tonteante, e o barulho do chicote constante. Eu, sem saber, sem entender, escutava o choro e o gemido de um povo que estava ali sem querer: um povo tirado de sua terra natal para servir como animal. Pés e mãos acorrentados, mulheres seguravam seus filhos adoentados, desmaiados. Só se escutavam os gritos e o barulho daqueles que nos faziam mal. Meu povo é guerreiro, mas naquele momento, só choro e gritos de medo. Gritos que perpetuaram por tal ação, longos dias, com tanta trucidação. Meus irmãos, irmãs, sendo jogados ao mar, pois já escasso estava o que alimentar. É sangue, sangue de preto, no chão onde à noite me deito. Na calada da noite, murmúrio: Caçados e acorrentados, homens e mulheres, por um povo diferente, tribo de brancos como as nuvens do céu, traídos pelos nossos, ao léu! No barco, um balanço tonteante, e o barulho do chicote constante. Eu, sem saber, sem entender, escutava o choro e o gemido de um povo que estava ali sem querer: um povo tirado de sua terra natal para servir como animal. Pés e mãos acorrentados, mulheres seguravam seus filhos adoentados, desmaiados. Só se escutavam os gritos e o barulho daqueles que nos faziam mal. Meu povo é guerreiro, mas naquele momento, só choro e gritos de medo. Gritos que perpetuaram por tal ação, longos dias, com tanta trucidação. Meus irmãos, irmãs, sendo jogados ao mar, pois já escasso estava o que alimentar. É sangue, sangue de preto, no chão onde à noite me deito. Na calada da noite, murmúrio: — Meu Deus, meu Deus, por que nos abandonaste? Criaturas desalmadas, que além de tudo isso, ainda nos faziam assistir nossas mulheres serem violentadas. É sangue, sangue de preto, no chão onde à noite me deito. Preto sem eira nem beira, forçado a dormir sobre a própria sujeira. É sangue, sangue de preto, no chão onde à noite me deito. De longe, consigo ver terra firme! Uma ponta de esperança renasce em meu coração. Chegando, sou chamado de Preto João! Sinto a areia entre meus dedos, e com o resto das minhas forças tento escapar. Escuto um estrondo — meu peito começa a sangrar! — Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? É sangue, sangue de preto, na areia onde, por fim, me deito. O tempo passou, o chicote calou, mas a dor no peito não se apagou. Mudou o discurso, mudou até a nação, mas tem muita gente com a alma de trabalhador nas mão. A única coisa que mudou, então, foi o nome dos patrão — antes chamados de senhorzinho, agora têm CNPJ e razão!.