É impossível hoje transitar neste entrelaçamento de vidas num vórtice de vento e não causar em si mesmo os instantes mais ternos e dolorosos: o estranhamento. Numa viagem épica de vida e morte que faz brilhar o norte de todo indivisível momento, mesmo sabendo por um instante imperfeito, o milagre tênue quando se transborda o pensamento. Pensamento esse onde brota a visão numa ascensão repleta de virtude, mas que no minuto posterior, você precipita ao esquecimento tão rápido, quanto ao se apagar de um vagalume.
Enquanto deixas passar os dias que te cobram em forma de indagações, até quando serás forte ? Ou até que ponto conseguirás lidar com tua dor, com essas traves na garganta que espera uma resposta que possa apaziguar a alma em formato de luz ? Enquanto isso segues por hora numa escuridão em que não consegues dar formato ao que sentes e nem sabes se terás firmeza suficiente para dominar o vento que por vezes te eleva nos momentos mais censuráveis, trazendo-te um desconforto no final do dia em meio as preces ou nas diárias batalhas do dia em busca de justificativa para permanecer sem dor. É quando no excesso do cansaço dos pensamentos irrequietos e esgotados, te abraça finalmente o sono que te resguarda em segurança e te aquece.
E o que é o tempo se não a forma individual de dizer que somos passageiros, partículas disformes pulsando em uma luz tênue que se apaga aos poucos enquanto tentamos compreender a brevidade das coisas, já sem tempo e que precisamos nos alargar para suportar a sua proporção que maior nos subjuga sem pressa num momento mais improvável.
O que é o tempo? Se não uma regra que transcorre diferente em cada corpo. O que é a razão ? Se não a forma abrupta de fazer o certo contrariando o que na verdade deveria ser por meio de nossas escolhas. O que é a saudade ? Se não uma maneira carinhosa de dizer que um pedacinho da gente que ficou para trás. O que é egoísmo ? Se não a maneira covarde de expressar a incapacidade de amar. O que é o amor? Se não a incapacidade de pensar só em si. O que é a dor ? Se não a forma mais direta de sentir a lâmina da realidade em nossa carne, quando insistimos em permanecer com os olhos fechados. O que é o arrependimento ? Se não a maneira de expressar a fraqueza que emana da alma, enquanto ela se contorce, pedindo uma segunda chance. O que é ser indiferente ? Se não a forma mais primitiva de morrer antecipadamente, enquanto ainda acredita que está vivo.
A vitória não é determinada pelos elogios ou bençãos dos outros, muito menos por alguma aprovação. Há conquistas que são particulares, são pessoais e únicas. cada um conhece os seus obstáculos e limites. São como pinturas silenciosas em nossas almas de valor inestimável, onde contemplamos em nosso mundo, cada curva, cor e textura na tela de nossa vida, cada pincelada com o peso inserido com profundidade e dimensão real que é intransferível.
A leitura dilata o universo da alma proporcionando profundidade, enquanto a ausência de leitura compacta o espírito tornando-o incapaz de compreender, produzir e se sustentar. Quanto mais exercitamos a leitura, mais pacíficos somos, mais compreensivos andamos, mais paciente permanecemos e mais perdoadores nos tornamos no vórtex da vida.
Não deixe de viver a sua vida intensamente. Receba do presente as variáveis que chegam como oportunidades. Receba em si mesmo cada parte do melhor que as pessoas são, elimine o que não acrescenta. Diante de uma resposta indesejada, simplesmente sorria, o sorriso cura dores e transcende supostas barreiras. Viva a vida licitamente, sem medo, sem morrer em vida, pois o pior usufruto dela que pode ocorrer é morrer tardiamente.