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Frases de Adília Lopes

16 frases

Preciso que me reconheçam Que me digam Olá e Bom dia Mais que espelhos
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Preciso que me reconheçam Que me digam Olá e Bom dia Mais que espelhos preciso dos outros pra saber que eu sou eu

COUP DE GRÂCE Uma mulher nunca pode
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COUP DE GRÂCE Uma mulher nunca pode apaixonar-se por um homem antes de o homem se apaixonar por ela o homem pune-a por isso e por muito mais o homem não a abate vai-se embora fechado em copas a mulher pune-se a si mesma se não tem vergonha por si tem pena menina e mãe num saco estóicas como a pescada que antes de o ser já o era

Nunca choraremos bastante termos querido ser belas à viva força
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Nunca choraremos bastante termos querido ser belas à viva força eu quis ser bela e julguei que para ser bela bastava usar canudos pedi para me fazerem canudos com um ferro de frisar e papelotes puxaram-me muito pelos cabelos eu gritei disseram-me para ser bela é preciso sofrer depois o cabelo queimou-se não voltou a crescer tive de passar a andar com uma peruca para ser bela é preciso sofrer mas sofrer não nos faz forçosamente belas um sofrimento não implica como consequência uma recompensa

Não gosto tanto de livros como Mallarmé
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Não gosto tanto de livros como Mallarmé parece que gostava eu não sou um livro e quando me dizem gosto muito dos seus livros gostava de poder dizer como o poeta Cesariny olha eu gostava é que tu gostasses de mim os livros não são feitos de carne e osso e quando tenho vontade de chorar abrir um livro não me chega preciso de um abraço mas graças a Deus o mundo não é um livro e o acaso não existe no entanto gosto muito de livros e acredito na Ressurreição de livros e acredito que no Céu haja bibliotecas e se possa ler e escrever

ARTE POÉTICA Escrever um poema é como apanhar um peixe
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ARTE POÉTICA Escrever um poema é como apanhar um peixe com as mãos nunca pesquei assim um peixe mas posso falar assim sei que nem tudo o que vem às mãos é peixe o peixe debate-se tenta escapar-se escapa-se eu persisto luto corpo a corpo com o peixe ou morremos os dois ou nos salvamos os dois tenho de estar atenta tenho medo de não chegar ao fim é uma questão de vida ou de morte quando chego ao fim descubro que precisei de apanhar o peixe para me livrar do peixe livro-me do peixe com o alívio que não sei dizer

O namorado dá flores murchas à namorada
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O namorado dá flores murchas à namorada e a namorada come as flores porque tem fome Não trocam cartas nem retratos nem anéis porque são pobres Mas um dia têm muito medo de se esquecerem um do outro então apanham um cordel do chão cortam o cordel e trocam alianças feitas de cordel Não podem combinar encontros porque não têm número de telefone nem morada assim encontram-se por acaso e têm medo de não se voltarem a encontrar O acaso não os favorece Decidem nunca sair do mesmo sítio e ficarem sempre juntos para não se perderem um do outro

o pó e o amor como o poema são feitos
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o pó e o amor como o poema são feitos no dia a dia o pão come-se ou deita-se fora embrulhado (uma pomba pode visitar o lixo) o poema desentropia o pó deposita-se no poema o poema cantava o amor graças ao amor e ao poema o puzzle que eu era resolveu-se mas é preciso agradecer o pó o pó que torna o livro ilegível como o tigre o amor não se gasta os livros sim a mesa cai à passagem do cão e o puzzle fica por fazer no chão

Fizeste-me mil maldades e uma maldade muito grande que não se faz
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Fizeste-me mil maldades e uma maldade muito grande que não se faz acho que devo ter sido a pessoa a quem fizeste mais maldades nem deves ter feito a ninguém uma maldade tão grande como a que me fizeste a mim não sei se tens remorsos tu dizes que não tens remorsos nenhuns porque dizes que és um vil criminoso para mim eu também sou uma vil criminosa mas não para ti desconfio que tens o remorso de ter alguns remorsos por me teres feito mil maldades e uma maldade muito grande a maldade muito grande está feita e não se faz acho que essa maldade muito grande nos aproximou um do outro