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Frase de Davi Roballo

⁠O JARDINEIRO DO INVISÍVEL Ninguém se torna poeta — o poeta é aquele a quem o silêncio escolheu como altar. Não foi chamado por glória, mas ferido pelo mistério. Carrega no peito uma fenda invisível, onde o mundo sussurra com voz de vento e de ausência. Dentro dele dorme um vulcão que não ruge, mas ora — e cada brasa calada acende sentidos nas margens do indizível. Não traz o fogo para incendiar — traz uma bússola trêmula, feita de dor decantada, contemplação e entrega. Ser poeta não é declarar-se ao mundo — é desaparecer aos poucos em palavras que brotaram do exílio da alma, como se cada verso fosse uma oração plantada no deserto. Ao fim, o poeta é o jardineiro do invisível — aquele que sangra em silêncio, todos os dias, para que outros vislumbrem, mesmo que por um instante, o caminho no turbulento escuro.

Davi Roballo

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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O tempo não ensina: ele expõe. Apenas amplia aquilo que já estava inscrito no caráter e na coragem. Quem amadurece não é quem viveu muito, mas quem teve a lucidez de se olhar sem indulgência enquanto atravessava os dias.
Criou-se uma agenda que ocupa tudo — menos a própria vida. O sujeito se preenche de tarefas para não se encontrar, organiza o tempo para evitar o silêncio onde algo verdadeiro poderia emergir. E, nesse excesso funcional, confunde movimento com existência: faz muito, vive pouco —…
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Criou-se uma agenda que ocupa tudo — menos a própria vida. O sujeito se preenche de tarefas para não se encontrar, organiza o tempo para evitar o silêncio onde algo verdadeiro poderia emergir. E, nesse excesso funcional, confunde movimento com existência: faz muito, vive pouco — até que a exaustão revela, tardiamente, que o vazio não estava na falta de atividades, mas na ausência de si entre elas.