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Frase de Maxileandro França Lima

A Rua Não é Garagem A primeira lata não fez barulho. Foi colocada com cuidado, quase com carinho — como quem demarca território sem querer parecer invasor. Um gesto particular, silencioso, que dizia: “aqui é meu.” Não havia placa, não havia autorização. Apenas a convicção íntima de que a rua, por um instante, poderia ser privatizada. E ninguém disse nada. A segunda lata já veio com mais segurança. A terceira, com naturalidade. Logo, o espaço público ganhou dono — não por lei, mas por hábito. Um hábito perigoso: o de transformar o coletivo em extensão da própria casa. Ali, naquele pedaço de asfalto, a cidade começou a encolher. Porque toda vez que alguém ocupa o que é de todos como se fosse só seu, algo maior se perde. Não é apenas uma vaga. É o princípio. É a regra. É o pacto invisível que sustenta a convivência. E então surge a pergunta inevitável: e se todos resolvessem fazer o mesmo? Se cada morador colocasse suas latas, seus cones, seus objetos — defendendo seu “direito” particular — não teríamos mais ruas. Teríamos um mosaico de pequenas propriedades ilegais, uma cidade fragmentada, onde o espaço comum desaparece sob o peso do ego. A lata, nesse caso, deixa de ser objeto. Vira símbolo. Símbolo de um abuso pequeno, mas revelador. Símbolo de uma lógica perigosa: se ninguém impede, então pode. E é aqui que o silêncio mais pesa. Porque se há quem avance indevidamente, há também quem deveria conter. A fiscalização não é um detalhe burocrático — é a linha que separa o uso legítimo do abuso cotidiano. Quando ela falha, não apenas permite: ensina. Ensina que a regra é flexível. Ensina que o espaço público é negociável. Ensina que cada um pode criar sua própria lei. E a cidade paga o preço. A ausência da Prefeitura — da secretaria responsável, da presença institucional — não é neutra. Ela participa. Ainda que pela omissão. Ainda que pelo atraso. Ainda que pelo costume de não ver o que está diante dos olhos. Porque a desordem não nasce grande. Ela começa assim: com uma lata. Uma lata que ninguém recolheu. Uma lata que ninguém questionou. Uma lata que virou precedente. E quando o precedente se espalha, já não é mais sobre um morador. É sobre todos. A rua, que deveria ser passagem, vira disputa. O direito, que deveria ser comum, vira privilégio improvisado. E a cidade — ah, a cidade — vai sendo tomada não por grandes crimes, mas por pequenas permissões. No fim, aquela lata solitária não guardava apenas uma vaga. Guardava uma pergunta que insiste: de quem é a rua, afinal? Maxileandro Lima

Maxileandro França Lima

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Pensador.com

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Outras frases de Maxileandro França Lima

Cada vez mais percebo que a humanidade caminha a passos largos em direção ao caos da própria humanidade.
⁠Discurso de Professor e Amigo, meados dos anos 2000. Cumprimento a todos os presentes. Queremos convidá-los a pensar conosco questões novas e complexas, e buscar caminhos para um processo de formação capaz de permitir aos futuros professores a compreensão de que somos diferent…
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⁠Discurso de Professor e Amigo, meados dos anos 2000. Cumprimento a todos os presentes. Queremos convidá-los a pensar conosco questões novas e complexas, e buscar caminhos para um processo de formação capaz de permitir aos futuros professores a compreensão de que somos diferentes e, na diferença, nos constituímos sujeitos. Nossa relação com o mundo e com os outros precisa ser pensada a partir daí. A escola que temos, ainda se pauta em um modelo que valoriza práticas ritualistas e lineares, que atualmente mostram-se insuficientes para enfrentar os desafios contemporâneos de novas questões sociais, culturais e identitárias. Importa desconstruirmos o olhar que privilegia a homogeneidade, que ignora as individualidades e silencia as histórias de vida de seus educandos. Na contra corrente dos processos de exclusão social que marcam a falta de oportunidades escolares de crianças, jovens, adultos, indígenas, afro-brasileiros e portadores de necessidades especiais, firmamos a unidade na diferença e na diversidade. Unidade que reorienta as práticas educativas a partir de novos discursos e que propõe o acesso democrático à escola como valor universal. Com ênfase na Formação de Professores, fazem-se necessários o debate e as ações sobre educação inclusiva, perpassados em todos os níveis pela conquista da cidadania. Mas, as vitórias da inclusão não devem restringir-se apenas no âmbito legal. A inclusão deve ser pensada como lugar onde a teoria e a prática tencionam-se, vividas como história humana para além dos campos de batalha e dos gabinetes presidenciais. A inclusão deve ser defendida em ambientes antes impensados, nos quais está o humano: nos palácios e nas sarjetas, nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbio, nas casas de fogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquina, porque só é justo continuar a viver se a nossa vida arrasta com ela as pessoas e as coisas que não tem voz. Tendo a inclusão, como horizonte, podemos sinalizar uma prática pedagógica a partir da memória e da história dos alunos, orientação metodológica que remete ao cotidiano de segregação, desigualdade e exclusão de serviram como caldo cultural ao longo da formação social brasileira. E isso basta? Pensamos que não. necessitamos da força vital, da credibilidade de nosso aluno. Ele, mais do que ninguém, como desejante, pode ser solidário e renovar, com sua visão crítica, compromissos com a ética. A inclusão, como ampliação da cidadania e do direito, depende de nossa capacidade de conquistar a fé e a esperança que residem no "coração de estudante". Ao ouvirmos nossos alunos, professores em formação, talvez nos surpreendamos ao descobrir que eles, seus pais e avós, são doutores em desigualdades de oportunidades, mestres em desescolarização, PHDS em analfabetismo, Livres Docentes, em exclusão. Reconhecer cada aluno como dono de sua voz e das muitas vidas severinas - para quem a escola foi a terra boa nunca cedida - talvez seja um bom caminho. As linguagens, pelo significado das palavras e pelo sentido dos discursos, concretizam e externalizam o pensamento e permitem que o indivíduo, no campo das relações sociais, constitua-se sujeito. Dessa forma, elas confluem para a realização, no indivíduo, da consciência de si e de ser-com-o-outro, de ser membro da espécie humana, de pertencer a uma nação, expressar uma cultura, de dizer-se brasileiro. Caros formandos, temos em frente o grande desafio de atualizar a escola como ruptura e continuidade. Ruptura com a tradição de exclusão, de silenciamento das culturas (como a indígena e a afro-brasileira); ruptura com o silenciamento de pessoas com necessidades especiais; ruptura com a exclusão de jovens e adultos cuja vida na escola foi a morte severina. Trabalhar a continuidade na escola, implica recuperar o sentido filosófico do homem como sujeito produtor de seu destino e de sentidos. Somente assim superaremos a contradições que excluem crianças, jovens, adultos, etnias, tornando nossa nossa questão-objeto cidadã, em pertencimento a todos nós. Finalizando: Sussurrando: Cheguem mais perto, mais perto, ouçam: "Aproveitem a vida! Cada momento! Temos só uma oportunidade para viver e compartilhá-la, torná-la possível aos outros, a quem realmente precisa! Um grande abraço. Do professor e amigo: Maxileandro,

⁠LEBERTEM A PAZ A paz, Toda paz,
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⁠LEBERTEM A PAZ A paz, Toda paz, É sempre paz, Quando mãos se unem, E num apelo de amor Trabalham em comunhão, Em favor daquele irmão Que não sorri. O sorriso, Todo sorriso, Que vem da paz. Toda paz, Que um dia o homem Trancou em seu coração, E se esqueceu de dizer: 'EU TE AMO" Para quem precisa. Para aquele que sofre. 1986.

⁠FELICIDADE É uma coisa singela Tem perfume, tem prazer
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⁠FELICIDADE É uma coisa singela Tem perfume, tem prazer É um caminho a percorrer. São as flores, são os pássaros. É o meu cão engraçado Que eu nunca vou esquecer. É esta escola, São estes colegas E os professores também. É eu poder estar aqui Ao lado de todos vocês, Sem nunca me sentir só. Meus pais, minha irmã E os outros que me cercam, Meu coração não se esquece não. Todos e tudo de belo Me ajudam e me levam a dizer O guardado só meu coração: "Sou feliz e não estou só."