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Frase de Clayton Vasconcelos

Apressado, sai do prédio deixando o portão bater sozinho, ainda ajeitando a camisa por dentro da calça enquanto ligeiramente caminha. Aperta o passo, não há tempo nem para olhar para os lados, apenas baixa os olhos para seu Tissot folgado no pulso esquerdo... A cada trinta segundos. Dezembro, céu de brigadeiro, o sol a pino de quase meio dia faz grudar o tecido da camisa as suas costas. Sua fotofobia lhe faz apertar olhos protegendo-os da luz diurna; continua seu trote, não há tempo para procurar seu Rayban Clubmaster em meio à bagunça de papeis, livros, cédulas amassadas, moedas e dois maços de Marlboro em sua bolsa carteiro de couro. Sinal vermelho, para bruscamente na calçada olhando o semáforo com a mão a frente da testa fazendo sombra aos olhos, não vê nitidamente as cores, baixa a cabeça correndo mais uma vez os olhos ao relógio, mas nota o cadarço desamarrado de seu velho tênis preferido e bem gasto por sua pisada pronada. Articulando num reflexo mental o movimento de como se abaixar rapidamente para amarar seu cadarço, ouve os sons da aceleração dos carros; sinal verde, não há tempo, continua seus ligeiros passos. Incomodado e pisando cautelosamente, agora sente seu tênis frouxo no pé. A pisada manca lhe faz perder segundos preciosos, sua ira se aflora por estar em cima da hora e ter de desacelerar par dar passagem a uma senhora e seus três poodles negros, que encabrestados em suas guias tomam a calçada. Mais á frente, quatro idosos lado a lado caminham em passos letárgicos na inversão proporcional de sua pressa; em meio aos carros invade a pista, ultrapassa os anciãos e volta à calçada, um skatista vem em sua direção, incólume desvia mais uma vez. Os batimentos já acelerados, respiração ofegante, rosto tomado em suor e metade da camisa molhada por fora da calça fazem esquecer-se do cadarço tocando o chão; seus passos rápidos se transformam num ritmo fundista embora sem sincronia; correndo variando os ritmos, desviando dos vendedores de eletrônicos, do carrinho de mão do fruteiro e do guardador de carros que monitora a vaga; esbarra no entregador de papeis com anúncios de compra de ouro, apenas acena discretamente o pedido de desculpas. Não bate um vento, apenas o clima seco e sensação térmica de 46 graus; parado novamente no sinal, que acabara de avermelhar para o pedestre, encontra a lacuna do tempo para amarrar o cadarço, abaixa-se e assim o faz, ergue os olhos e avista a portaria do edifício do outro lado da rua na qual fará sua entrevista de emprego; assim que os carros param, ele segue desbravando seus últimos metros antes de cruzar a portaria espelhada e moderna. Ainda com pisadas fortes adentra o edifício, sem muitas dificuldades se apresenta para a recepcionista no lobby central; corre para a porta do elevador que está parado no vigésimo terceiro andar; toca o indicador aceleradamente e renitente o botão para subir. Entre a contagem dos andares no visor eletrônico na parede e os olhos no relógio, sua ansiedade faz dos segundos virarem uma interminável espera. Abrem-se as portas do elevador, sozinho ele entra, retira a anotação do endereço do bolso da camisa e diz o andar para o ascensorista; no segundo andar o elevador para, não há ninguém a espera; somente com a cabeça para fora o ascensorista anuncia a subida. Ninguém. No monitor interno do elevador, informa as condições climáticas do dia, da hora e data. Em seu primeiro momento de entretenimento, olhando a tela, o jovem apressado repara que de acordo com a hora do monitor, está adiantado quarenta minutos, olha seu relógio novamente; incrédulo consulta as horas ao ascensorista que lhe confere com as do monitor. Soltando o ar dos pulmões num alivio imediato, vidra seus olhos mais uma vez ao monitor, sua pupila corre a tela até parar na data. Num estalo temporal busca sua anotação agora no bolso da calça. Tomado de cólera solta três palavrões seguidos ao constatar que sua entrevista é no dia seguinte.

Clayton Vasconcelos

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Minha mente; um mundo transcendente, um trevo sem semáforo para o constante fluxo dos meus pensamentos desenfreados, que num buraco de minhoca se entrega ao atalho do espaço e tempo se torna onipresente... Um software onipotente, cuja minha matéria tem seu prazo de suporte.
A vida segue, segue seu rumo, rumo reto, estreito e difícil. Difícil dizer e aceitar, mas a vida é um jogo. Jogo de cartas embaralhadas e de quem acertar mais vai errar menos.
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A vida segue, segue seu rumo, rumo reto, estreito e difícil. Difícil dizer e aceitar, mas a vida é um jogo. Jogo de cartas embaralhadas e de quem acertar mais vai errar menos. A luta da conquista é árdua, aos que tem o óbvio na mão desdenha. Tudo é válido no jogo, mas a penalidade pode ser dolorida e cara. Pode valer o dinheiro, o ego, o respeito, a amizade e o coração. Todos jogam, em todas as circunstâncias da vida, sem querer e sem saber... Talvez. Há os ambiciosos, os trapaceiros, os espertos, os ratos, e os jogadores da vida. Alguns jogam com o olhar, com o gesto, com o gosto, com a alma é com a gana. Você nasceu e já entrou no octagon da vida, as ameaças virão, alguns para torcer e outros para lhe empurrar. Se viver fosse fácil, eu não me preocuparia com o amanhã, embora tente esquecê-lo. Mas é preciso, pontuar, suar, fazer por merecer para ganhar a confiança ou a moral. A vida passa tão rápido que nem os ponteiros do relógio podem alcançar... Eles quebram e a vida passa, continua, e vai embora. Se você demorar a conquistar algo, seja talvez porque deseja muito e está disposto a lutar. O topo da montanha é desejado por todos, mas poucos sabem que o verdadeiro prazer está na escalada.