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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

REFLEXOS DA IGREJA POP Demétrio Sena, Magé – RJ. A igreja evangélica, em todas as suas vertentes, ficou pop. Foi aí que surgiram astros. Espertalhões que angariaram mais seguidores do que Jesus. Que até usam o nome de Jesus, porque isso lhes convém e dá ótimos resultados materiais, além de poder, mas que se tornaram o centro das atenções e da obediência dos fiéis. Tais astros, como Silas Malafaya, Edir Macedo, RR Soares, Valdemiro Santiago e tantos outros que surgem a cada dia, não só enriquecem às custas da ingenuidade ou a fé pública, como também dominam as vontades, ideologias e o voto das ovelhas. Graças a esse voto de cabresto, não apenas os astros, mas ainda os líderes locais e seus pupilos mais espertos levam vantagens, das mais diferentes formas. E prometem aos seus rebanhos, as “bênçãos divinas”, mansões celestiais após a morte, curas milagrosas, vitórias contra demônios e até alguns privilégios terrenos imediatos. Ilusões. O caviar palpável, vivencial, terreno e notório fica mesmo com os que lideram. Com os que negociam as vidas, as vontades, a boa fé e a desinformação dos mais simples, tirando-lhes os direitos básicos de pensar politicamente; ver a sociedade com os próprios olhos... avaliar por si próprios os candidatos eleitorais que se apresentam e votar apenas em quem querem. São ovelhas em sentido figurado, ideológico e contingencial, que se tornam ovelhas, mesmo; aquelas que berram e obedecem à vara e ao cajado não do possível “Pastor Supremo”, mas dos impostores que proliferam na terra. Minha crítica se estende a todos os segmentos religiosos que praticam pequenas ou grandes corrupções de qualquer natureza, mas o meu espanto maior, nos dias que atravessamos, é com as vertentes protestantes. Nunca vi tanto envolvimento ostensivo e asqueroso com os poderes executivo, legislativo e judiciário, desde a última ditadura militar (a oficial). Tudo em nome de um empoderamento que gera inquisição sobre quem não é evangélico, e de favores fiscais para o funcionamento burocrático/empresarial dos templos, além das outras formas de lucro e poder que posso imaginar. Trago nostalgia de poucos líderes e alguns fiéis que um dia conheci em certa igreja batista chamada Betel Mirim ou graças a ela. Tomara que pelo menos alguns dos líderes orientados pelo meu amado e saudoso amigo ZD (Pastor Zózimo Duval) ainda preservem resquícios do seu caráter, lisura e simplicidade. Tenho saudades de quando me julguei cristão, movido pelo amor ao ZD e a gratidão de ser acolhido por ele, na adolescência. Entristece-me agora, ver igrejas atoladas em política partidária de cabresto e trocando votos de fiéis por privilégios e cargos, em tramas e negociatas que dão enjoo e tontura. Estou generalizando? Nem tanto. Seria generalizar, se as tramas e negociatas com política partidária não fossem praticadas entre candidatos, poder público e maioria das igrejas. Creio que não preciso me desculpar com os cristãos ainda praticantes do cristianismo e não da corrupção político-religiosa vigente.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.