Frase de Affonso Romano de SantAnna
"Sei que a verdade é difícil, e para alguns é cara e escura. Mas não se chega à verdade pela mentira, nem à Democracia pela ditadura" ("A Implosão de Mentir")
No pensador.ai desde
"Sei que a verdade é difícil, e para alguns é cara e escura. Mas não se chega à verdade pela mentira, nem à Democracia pela ditadura" ("A Implosão de Mentir")
No pensador.ai desde
Deixa que eu te ame em silêncio. Não pergunte, não se explique, deixe que nossas línguas se toquem, e as bocas
Deixa que eu te ame em silêncio. Não pergunte, não se explique, deixe que nossas línguas se toquem, e as bocas e a pele falem seus líquidos desejos. Deixa que eu te ame sem palavras a não ser aquelas que na lembrança ficarão pulsando para sempre como se amor e vida fossem um discurso de impronunciáveis emoções.
Catar os cacos do caos, como quem cata no deserto o cacto - como se fosse flor. Catar os restos e ossos da utopia, como de porta em porta
Catar os cacos do caos, como quem cata no deserto o cacto - como se fosse flor. Catar os restos e ossos da utopia, como de porta em porta o lixeiro apanha detritos da festa fria e pobre no crepúsculo se aquece na fogueira erguida com os destroços do dia. Catar a verdade contida em cada concha de mão, como o mendigo cata as pulgas, no pêlo - do dia cão. Recortar o sentido, como o alfaiate-artista, costurá-lo pelo avesso com a inconsútil emenda à vista. Como o arqueólogo reunir os fragmentos, como se ao vento se pudessem pedir as flores despetaladas no tempo. Catar os cacos de Dionisio e Baco, no mosaico antigo e no copo seco erguido beber o vinho, ou sangue vertido. Catar os cacos de Orfeu partido, pela paixão das bacantes e com Prometeu refazer o fígado - como era antes. Catar palavras cortantes no rio do escuro instante e descobrir nessas pedras o brilho do diamante. É um quebra-cabeça? Então de cabeça quebrada vamos sobre a parede do nada deixar gravada a emoção Cacos de mim, Cacos do não, Cacos do sim, Cacos do antes Cacos do fim Não é dentro nem fora, embora seja dentro e fora no nunca e a toda hora, que violento o sentido nos deflora. Catar os cacos do presente e outrora e enfrentar a noite com o vitral da aurora