Frase de AertonL
Dizem os antigos — e não sem razão — que a palavra, uma vez emitida, não possui destino próprio; ela é mera possibilidade em trânsito. Somente encontra existência real quando aceita pelo espírito que a recebe. A fofoca, nesse sentido, não é intrinsecamente nociva. Ela assemelha-se a uma substância inerte até o momento da ingestão: um veneno potencial que depende menos de quem o oferece e inteiramente de quem consente em absorvê-lo. Ao ouvi-la, não a retive de imediato. Percorri o caminho até sua origem, confrontei sua natureza, submeti-a ao crivo da verificação — e, diante da verdade, desfiz sua força. Assim, neutralizada pela razão, seguiu sem efeito. Há, portanto, uma lei silenciosa operando nas relações humanas: nenhuma palavra possui poder absoluto; seu impacto é proporcional ao grau de adesão que lhe concedemos. Antes de incorporar qualquer discurso alheio, impõe-se um exame interno rigoroso: essa ideia contribui para minha integridade ou atua, de forma sutil, como agente de corrosão? Pois, em última instância, não é o que se diz que define o homem, mas aquilo que ele escolhe permitir que permaneça dentro de si.
No pensador.ai desde