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Frase de Danyyel Elan

O Aparente Fracasso do Homem Espiritual Por que me fizeste sentir tão fundo, Se tudo o que toco se vai? Carrego nos olhos o mundo, Mas dentro… só há o jamais. Fui verso jogado ao vazio, Fui fogo querendo calor. Fui rio pedindo abrigo, Mas só recebi desamor. Falei com o alto silêncio, E ele me ouviu sem falar. Toquei no tempo que escoa, Mas ele não quis parar. De que vale saber o caminho, Se o passo me pesa demais? De que vale ver o destino, Se ele sangra em sinais? Quis tanto amar sem medida, Mas o peito virou prisão. Hoje sou sombra ferida De uma antiga canção. E mesmo sangrando no escuro, Há algo maior que o reverso. Não estou só, nem perdido: Eu habito no seio da Mãe do Universo. Há um buraco no peito da humanidade. Uma fome que não se sacia. Uma sede que não é de água, nem de pão, nem de toque. É um vazio estranho, íntimo, incômodo — mas também familiar. Tentamos preenchê-lo com coisas: compras, conquistas, curtidas. Enchemos de distrações, de ruídos, de excessos. Mas quanto mais colocamos, mais ele se abre. Porque não é um vazio de falta... É um vazio de excesso. Excesso de mentiras. Excesso de ausências. Excesso de vida vivida pra fora, pra parecer, pra performar. O vazio que nos habita não se preenche com ter, nem com ser alguém aos olhos do mundo. Ele se aquieta quando lembramos… que somos mais do que a casca. Mais do que o nome, o cargo, o corpo. Ele se rende quando a gente para, se escuta, e deixa espaço pra aquilo que não tem nome — mas sempre esteve aqui. E só atravessa… quem tem coragem de não fugir mais de si. É no centro desse vazio que mora a porta. Pra dentro. Pra casa. Pra Fonte.

Danyyel Elan

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Pensador.com

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Outras frases de Danyyel Elan

Nem tudo que acontece precisa virar milagre, mas quase nada que nos atravessa de verdade é "sorte."
Manual do Sucesso Seja produtivo. Seja eficiente.
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Manual do Sucesso Seja produtivo. Seja eficiente. Seja impecável. Seja desejável. Seja melhor que ontem. Seja melhor que os outros. Seja o que esperam. Venda sua alma em suaves prestações. Assine contratos invisíveis. Abrace a ansiedade como rotina. Engula o cansaço, sorrindo. Finja plenitude. Poste felicidade. Monetize até o seu descanso. Trabalhe enquanto eles dormem. Estude enquanto eles se divertem. Corra, corra, corra… Até esquecer pra onde ia. Sucesso é isso, não é? É se encaixar no molde, é performar perfeição, é acumular medalhas no peito vazio. Mas… e se não for? E se o verdadeiro sucesso for aprender a perder sem se perder? For ter tempo pra existir sem função? For olhar no espelho e reconhecer-se, mesmo quando não há aplauso, nem curtida, nem validação? Talvez o maior sucesso seja simplesmente ser — inteiro, imperfeito, presente.

O enigma do Bem e do Mal Se Deus existe, o mal não é um erro, mas a consequência natural de um universo onde a liberdade é real. Pois o amor, para ser puro, não pode nascer de um decreto ou de um código fechado; ele precisa florescer na terra aberta das escolhas. Onde há liberda…
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O enigma do Bem e do Mal Se Deus existe, o mal não é um erro, mas a consequência natural de um universo onde a liberdade é real. Pois o amor, para ser puro, não pode nascer de um decreto ou de um código fechado; ele precisa florescer na terra aberta das escolhas. Onde há liberdade, há a possibilidade do desvio, e onde há desvio, nasce a sombra. O mal não brota do Ser absoluto, mas da distância que as criaturas tomam ao se moverem fora do fluxo da Sua harmonia. Se Deus não existe, o bem torna-se um enigma ainda mais profundo. Por que então amamos o que não nos beneficia? Por que sacrificamos o próprio bem-estar por um estranho? Por que nos inquieta o sofrimento alheio, mesmo quando poderíamos simplesmente fechar os olhos? Se tudo fosse só acaso e instinto, talvez o bem não passasse de um artifício para sobrevivência. Mas há nele algo que não se mede em utilidade: a sensação de que tocar o outro é, de algum modo, tocar a nós mesmos. E se Deus tivesse criado um universo absolutamente perfeito, talvez não houvesse mar, nem vento, nem sequer tempo. Haveria apenas Ele mesmo, indivisível e infinito. Pois a perfeição absoluta não comporta fragmentos ou distâncias; não há “fora” do perfeito. Criar algo diferente de Si é criar o relativo — e o relativo carrega em si a imperfeição, como a noite carrega a ausência do sol. No entanto, essa imperfeição não é um acidente. Ela é o campo onde a consciência pode despertar, onde o bem e o mal se entrelaçam para dar forma à experiência. Como nas tradições orientais, onde yin e yang não são inimigos, mas complementos que se alimentam e se equilibram, o universo se constrói no contraste: luz só é luz porque há sombra, e sombra só é sombra porque existe luz. Talvez o mal exista para que o bem não seja apenas uma palavra. Talvez o bem exista para que a sombra não se esqueça de que é sombra. E talvez o universo exista para que o Infinito possa, por um instante, experimentar-se no finito — e o finito possa, pouco a pouco, lembrar que veio do Infinito. No fim, perfeição e imperfeição são apenas diferentes reflexos de um mesmo espelho. Um dia, ao atravessarmos todas as distâncias, talvez descubramos que nada estava fora de lugar — e que o caminho inteiro sempre foi parte da própria perfeição.

A Arte da Necrofagia O homem já não caça. Habita corredores de luz artificial,
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A Arte da Necrofagia O homem já não caça. Habita corredores de luz artificial, onde cadáveres repousam sob o brilho estéril das vitrines. Não há grito. Não há perseguição. Não há olhos fitando olhos antes do fim. A morte lhe chega limpa. Lavada em conservantes, selada a vácuo, temperada com ervas para que a consciência não reconheça o odor da ruína. E então mastiga. Mastiga distraído, enquanto conversa sobre o tempo, sobre dinheiro, sobre a próxima manhã. Como se não houvesse um corpo silenciosamente desfeito entre seus dentes. Há um necrófago refinado sentado à mesa da civilização. Usa perfume, traja linho, ergue taças em celebração sobre túmulos invisíveis. Especializou-se na arte de consumir a morte sem precisar contemplá-la. Porque o homem moderno não suporta o peso daquilo que devora. Por isso cobre o cadáver com molhos, renomeia músculos como iguarias, transforma vísceras em tradição e sangue em mercado. O abutre, ao menos, desce faminto sobre a carne exposta e não profana a verdade do apodrecimento. Mas o homem… o homem embalsama a própria cegueira e, com requinte, a serve quente no jantar.